


 Depois daquela noite
      THEIR PREGNANCY BOMBSHELL
  Barbara McMahon
  
    Digitalizado por: Rita
    
    Revisado por: Edna Fiquer
    
    Sua nica filha acaba de se casar e agora, perto dos 40 anos, Sara Simpson est festejando o prprio casamento! Foi difcil ser me solteira, mas a nova atitude 
de viver a vida com intensidade deu-lhe foras para investir em um relacionamento de virar a cabea! E ela planeja se divertir um pouco com seu belo e novo marido, 
viajar pelo mundo e curtir a liberdade... At descobrir que ficou grvida na noite de npcias!
    
    - Trouxe uma coisa para voc da Anturpia - ele disse.
    - Um presente? - ela perguntou.
    - Mais ou menos - ele mexeu no bolso e puxou uma caixinha de jias.
    Sara olhou para aquilo, a respirao presa na garganta. Parecia uma caixa de anel, mas certamente ele no tinha comprado um anel para ela!
    Quando ele abriu a tampa, ela piscou com o diamante reluzente que estava delicadamente deitado no veludo.
    - Quer se casar comigo, Sara?
      
      
      PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V.
      Todos os direitos reservados. Proibida a reproduo, o armazenamento ou a transmisso, no todo ou em parte, atravs de quaisquer meios.
      Todos os personagens desta obra so fictcios. Qualquer semelhana com pessoas vivas ou mortas  mera coincidncia.
      Copyright O 2005 by Barbara McMahon
      Originalmente publicado em 2005 por Mills & Boon Tender Romance
      Ttulo original: THEIR PREGNANCY BOMBSHELL
      Impresso: RR DONNELLEY MOORE - Tel.: (55 11) 2148-3500 - www.rrdonnelley.com.br
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      Aos cuidados de Virgnia Rivera - virginia.rivera@harlequinbooks.com.br
      
      
    
   Captulo 1
   
    - Adeus! Seja feliz - gritou Sara Simpson, seguindo o carro decorado enquanto ele saa pela estradinha cheia de curvas do grande hotel, as latas amarradas atrs 
fazendo barulho. Uma das amigas havia escrito Recm-Casados com spray de espuma em todas as janelas. Outra pintara coraes e cupidos. E outra amarrara laos nas 
maanetas das portas e na antena, todos alegremente flutuando ao vento.
    Observou at que o veculo desaparecesse de sua viso, sentindo uma dor repentina. Acontecera rpido demais. Jimmy viera para casa temporariamente, depois de 
um ano e meio servindo numa base na Europa. Ele e Amber contaram a ela que iam se casar apenas na semana passada. E agora estava feito. Seu beb se casara e fora 
embora para comear uma nova vida com um marido que passaria apenas mais um ms nos Estados Unidos antes de voltar  Europa.
    O casamento havia sido simples, apenas a famlia e os amigos mais prximos da noiva e do noivo. Os rapazes e as moas que se reuniram para celebrar o evento 
brindaram quando os recm-casados partiram no carro. Agora estavam todos indo embora. Uma das amigas de Amber chegou para dar um abrao em Sara.
    - Foi um supercasamento, no foi? - perguntou ela.
    Sara assentiu, desejando que tivesse sido bem diferente.
    - Para mim parece que eles ainda so crianas - disse Virginia Woodworth vindo ficar ao lado de Sara. As duas mulheres observaram os jovens partirem. A me do 
noivo no parecia nem um pouco mais feliz com os acontecimentos do que Sara.
    - Eles ainda so crianas. Amber s tem 19 anos - disse Sara, tentando no se sentir na defensiva. Amber era um ano mais velha do que ela mesma quando se casara. 
Mas vejam s onde aquilo tinha ido parar.
    Estremeceu um pouco com o ar frio. O sol brilhava em um cu sem nuvens, mas as temperaturas de fevereiro em Lake Tahoe ainda eram congelantes. A neve cobria 
como um tapete as montanhas em torno - um paraso para os esquiadores. E uma locao perfeita para casamentos.
    - Jimmy tem 21, e dois anos de alistamento. Quando sair, o salrio de veterano vai ajudar na universidade - disse Virgnia. Ela tinha colocado o casaco e ainda 
estava de p parecendo um pouco perdida.
    Se ele se matriculasse na universidade. Sara preferiu no fazer nenhuma crtica ao nico filho de Virgnia. Ele era a menina dos seus olhos. Sara conhecia os 
Woodworths h anos, desde que Amber e Jimmy comearam a namorar ainda na escola secundria. Tiveram suas briguinhas ao longo dos anos, mas permaneceram fiis um 
ao outro acima de tudo. Jimmy, entretanto, nunca parecera particularmente ambicioso a Sara.
    Amber se queixava de que Jimmy estava um ano  sua frente na escola. Ela no gostara do fato de ele se alistar no exrcito americano em vez de ir para a universidade, 
mas permaneceu fiel e leal, mesmo quando ele foi enviado para o outro lado do oceano.
    Agora isso. Sara no sabia se eles estavam cometendo um erro. Havia muitos casais que se casavam jovens e acabavam comemorando 50 anos de uma feliz vida conjugal.
    Mas desejava que eles tivessem esperado. Amber cursava o segundo ano da faculdade e Jimmy estava lotado do outro lado do oceano. Esperava que Amber no desperdiasse 
a chance de terminar a universidade para morar com ele na base da Alemanha. Sabia que haviam falado sobre isso. A ltima coisa que ouviu foi que Amber planejava 
terminar o ano letivo. Eles queriam ver para onde Jimmy seria transferido em seguida antes de fazer outros planos.
    Desejava que tivessem esperado mais um ano em vez de apressar as coisas. Mas eram crescidos e nenhum de seus comentrios os fez nem mesmo reconsiderar a deciso 
impetuosa.
    A experincia pessoal de Sara atrapalhava tudo, ela sabia. Casara-se jovem, como Amber. Ela e o marido foram namorados de infncia, como Amber e Jimmy. Mas Bill 
a abandonara quando Amber tinha apenas trs meses de idade. No houvera universidade para Sara aos 19 anos. E nem um marido com um bom trabalho. Nada para ajudar.
    Seus pais viraram as costas quando ela se casara contra a vontade deles. Os pais de Bill tambm ficaram igualmente indisponveis. Sozinha e com um beb para 
criar, Sara amadurecera rpido. Aqueles primeiros anos foram muito duros.
    Mas cada momento valeu a pena, por causa de Amber. Sua filha era a menina dos seus olhos.
    Ela sorriu para Virginia.
    - Gostaria que eles ainda fossem criancinhas para nos obedecer sem questionar. Mas agora ambos so adultos e esto embarcando juntos na jornada da vida. Assim 
que terminarem a universidade, tero o mundo a seus ps. - Cruzou os braos sobre o peito, com frio. Precisava entrar, ou iria congelar ali.
    - Eles podiam ter esperado - gemeu Virginia.
    - Concordo, mas no esperaram. Eles so jovens, esto apaixonados e namoram h anos - disse Sara. Ela poderia dizer que a culpa era de Jimmy por ter apressado 
o casamento, mas se conteve. No havia sentido em comear uma discusso com a sogra de sua filha.
    - Deixe para l, Virginia - disse James Woodworth, juntando-se a elas. - O garoto sabe o que est fazendo. - Ele olhou para Sara. - Voc vai voltar para a cidade 
agora? - Ele era um homem pesado que governava sua famlia como um ditador. Sara nunca estivera completamente  vontade perto dele, embora sempre tivesse sido suficientemente 
amigvel. Esperava que Jimmy no tentasse mandar em sua famlia assim. Tinha a sensao de que Amber no conseguiria suportar.
    Sara saboreou a prpria independncia. Parecia que Virginia estava sempre reprimindo suas vontades para satisfazer as de seu marido.
    - Vou ficar aqui mais alguns dias. Tirei uma semana de folga. - Como chegara dois dias antes para ajudar nos retoques finais do casamento, ainda lhe restavam 
vrios dias de frias. E queria maximizar cada segundo. J era incio de fevereiro e a temporada de imposto de renda comeara. Em abril estaria gastando longas horas 
para conseguir completar as declaraes dos muitos clientes da empresa. A poca mais ocupada do ano para contadores estava para comear. Era melhor aproveitar a 
calmaria antes da tempestade.
    Sara despediu-se dos Woodworth e olhou em volta. O resto das amigas de Amber tinha ido embora. Estava sozinha.
    - Melhor me acostumar com isso - disse ela suavemente. Sndrome do ninho vazio, no era assim que chamavam? Comeou a sorrir vagarosamente, querendo danar a 
Dana da Alegria de Snoopy. Ninho vazio era exatamente como aquilo se chamava, e estava animada. Pela primeira vez em 19 anos estava livre. Podia ir aonde quisesse 
e fazer o que gostasse. Podia devorar chocolates sem se preocupar se estava dando um bom exemplo. Ou dormir at mais tarde e esquecer qualquer responsabilidade.
    Poderia viajar quando tivesse tempo. Explorar as runas de Yucatan. Cruzar os canais do Alasca e ver um iceberg se desprender da geleira. Fazer uma viagem pelo 
Mississipi ou at mesmo voar para Paris.
    - Viva os ninhos vazios! - disse ela baixinho, virando-se para entrar no grande cassino que compreendia boa parte do andar trreo do hotel onde o casamento acontecera 
e onde estava hospedada. Amber e Jimmy tinham escolhido passar a lua-de-mel numa viagem pela regio da corrida do ouro, mas Sara estava passando suas frias bem 
ali no Lake Tahoe, em Nevada, que tinha cassinos, espetculos extravagantes e todas as amenidades de um resort de classe internacional - incluindo o belo lago Tahoe.
    Pena que no soubesse esquiar. Parecia que metade dos ocupantes do hotel eram esquiadores, saudveis e vibrantes enquanto caminhavam por ali com suas roupas 
coloridas.
    Talvez aquilo fosse outra coisa que ela podia experimentar. Tinha 38 anos e se sentia to irresponsvel quanto uma colegial. Finalmente estenderia suas prprias 
asas e mal podia esperar.
    Mas no hoje. Ainda era o incio da tarde e planejava passar o resto do dia no spa do hotel. Primeiro uma massagem, depois uma limpeza de pele e um corte de 
cabelos. Iria aproveitar aquele luxo antes de retornar aos aspectos mundanos de sua prpria vida.
    Apressando-se pelo cassino a caminho dos elevadores, Sara olhou para as pessoas que estavam no local. Mquinas caa-nqueis soavam  sua esquerda. A direita 
havia grandes mesas de jogos de dados cercadas por jogadores animados, mesas de blackjack e, ao fundo, uma discreta rea cercada para os jogos de apostas realmente 
altas.
    Observou enquanto uma senhora apertava a mquina caa-nqueis com um olhar to vido que Sara quase conseguia sentir sua excitao. Sara no jogava. Dava duro 
para ganhar seu dinheiro. No ia gast-lo quando todo mundo sabia que...
    Esbarrou em algum. Para sua consternao, uma cesta de fichas voou das mos da pessoa e espalhou-se no tapete. Fichas rolaram por toda parte.
    - Oh, no, sinto muito - disse ela, abaixando-se para pegar todas as fichas que pudesse; Mal olhou para o homem, concentrada em recuperar as fichas dele antes 
que outras pessoas percebessem o que tinha acontecido e tentassem pegar algumas.
    - Tudo bem - uma voz sensual soou acima dela. Ele abaixou-se ao lado dela e segurou a cesta de fichas. Ela conseguiu pescar mais algumas.
    - Normalmente no sou to desajeitada - disse ela, jogando mais fichas no recipiente plstico. Ele tambm tinha pegado uma mo cheia do tapete. Muitos outros 
jogadores pararam para ajudar.
    - Acho que est certo - disse ele e ficou de p. Ela viu sua mo e a pegou para se levantar mais rpido.
    Depois olhou para ele e quase ficou sem ar. Uau, ela pensou, bom saber que seus hormnios no estavam permanentemente atrofiados por causa dos ltimos 19 anos. 
Ela podia definitivamente reconhecer um homem charmoso quando via um. E reagir. Seu corao bateu mais forte. Podia sentir o rubor correr pelo rosto e sabia que 
tinha de respirar. Mas prender a respirao parecia mais fcil.
    - Parece que voc est a caminho de algum lugar - disse ele, soltando vagarosamente sua mo. - Toda bem-vestida.
    A maioria das pessoas no cassino estava usando trajes de esqui ou roupas confortveis. A prpria camisa dele, aberta no colarinho, parecia maravilhosamente informal. 
Claro, Sara pensou selvagemente, tudo nele parecia maravilhoso. Oh, por onde ele andava quando ela estava disponvel?
    - Acabo de sair de um casamento - disse ela. 
    Ele olhou rapidamente para a mo esquerda dela, depois encontrou seus olhos e sorriu.
    - No o seu prprio, como posso ver.
    - No, o de minha filha.
    A surpresa brilhou nos olhos dele.
    - Voc no parece ter idade o suficiente para ter uma filha em idade de se casar.
    Ele estaria flertando com ela? Ficou abalada com a idia. Fazia dcadas que no paquerava algum. Ser que se lembrava de como fazer?
    - Me casei quando era criana - disse ela com um sorriso provocante.
    - Kentucky - ele assentiu.
    - Kentucky? - De onde aquilo tinha sado?
    - Obviamente voc se casou aos 12 anos, e ouvi dizer que pessoas do campo fazem isso s vezes - disse ele.
    Ela riu. Ele estava paquerando. E parecia maravilhoso.
    - Bem, no posso entregar minha idade agora, no  mesmo? Mas minha filha tambm  muito jovem para se casar.
    - Eu sabia, outra garota de 12 anos - ele provocou. 
    - No! Ela tem 19.
    Ele deu um passo para trs e procurou a mo dela, tirando-a do centro do corredor onde estavam bloqueando a passagem.
    Sara sentiu o abalo do toque em seus dedos. No esperava aquilo.
    O polegar dele roou seus dedos sem anis e ento ele vagarosamente a largou.
    - Algum outro filho?
    - No, s essa.
    - E nenhum marido - era uma afirmao. Obviamente, j que ela no usava aliana.
    - E nenhum marido.
    - Voc est livre para jantar?
    - O qu? - Ele a estava convidando para sair? Eles nem tinham se apresentado ainda.
    -  o mnimo que voc poderia fazer por espalhar todos os meus lucros.
    Ela olhou para a cesta. Estava cheia at a metade de fichas.
    - Voc  um dos que apostam alto, no? - perguntou ela.
    - Droga, voc me pegou. Mas prometo que posso gastar mais do que isso no jantar.
    Ela ficou tentada. Normalmente nem sonharia em se deixar cortejar assim. Mas no acabara de prometer a si mesma que iria celebrar a solido sem a respeitabilidade 
e as obrigaes de uma me?
    Mesmo assim, tinha algum senso de autopreservao.
    - No conheo voc - disse ela devagar.
    - Essa ser a graa do jantar, um pode descobrir quem  o outro. Tambm no a conheo, mas desejo ter uma chance.  s um jantar. Quer saber de uma coisa? Venha 
comigo enquanto troco isso e depois tento minha sorte nas mquinas de moedas. Podemos conversar, e na hora do jantar voc j vai saber tudo sobre mim.
    - Desculpe. Estou a caminho do spa - embora sua oferta fosse sedutora, a atrao pelo spa tambm era forte.
    - Ah, uma mulher que gosta de prazeres sensuais. Uma massagem de leo quente, certo?
    Aquilo pareceu muito ntimo vindo dele.
    Ela assentiu. Se ele sugerisse que faria melhor, ela se viraria e sairia num piscar de olhos.
    - Relaxante, o que provavelmente a me da noiva precisa. Encontro voc s sete. No se atrase.
    - Eu no disse que ia jantar com voc.
    - Tem outros planos?
    Sara sacudiu a cabea sem pensar.
    - Mas isso...
    Ele colocou um dedo nos lbios dela, pressionando levemente.
    - Sem desculpas. Me encontre aqui s sete.
    Sara ficou parada no mesmo lugar depois que ele saiu. Num instante o dedo dele tinha congelado o dela com as sensaes latejantes que fluam por seu corpo, no 
outro ele sumira entre as fileiras de mquinas na direo do caixa para trocar as fichas. Ela o observou por um instante. Era mais alto do que a mdia das pessoas 
no cassino. Mas quando virou uma esquina formada pelas mquinas caa-nqueis, ele sumiu de sua vista.
    Sacudindo a cabea como se para clarear as idias, continuou andando at os elevadores, observando cuidadosamente antes que esbarrasse em mais algum.
    Ainda no sabia o nome dele. Como poderia jantar com um homem totalmente estranho?
    Por que no poderia, dada a aparncia dele e a reao dela? Pela primeira vez em sculos, Sara sentiu-se jovem e cheia de expectativa. Ele parecia interessado.
    Talvez jantar fosse divertido. Pelo menos seria desafiador para ela. Viver um pouco.
    
    Matt Tucker afastou-se sem olhar para trs, por mais que estivesse tentado. Quem era ela? Bonita daquele jeito e confusa com as atividades do cassino, a menos 
que seu faro estivesse errado. Ela obviamente no estava acostumada com o mundo das apostas. O que apenas lhe falava melhor dela. Ele raramente cedia ao vcio. E 
quando o fazia era apenas para passar o tempo. Seu amigo, Dex, estava esquiando. Matt tinha tempo e no se importava de gastar alguns dlares ali.
    Entregou sua cesta para a moa do caixa e esperou at que a mquina calculasse quantas fichas ele tinha.
    No parecia velha o suficiente para ser me da noiva, pensou enquanto esperava. Aquilo importava? Viera para Tahoe a fim de relaxar depois da ltima viagem e 
esquiar bastante. Ontem ele e Dex haviam arrebentado nas descidas. Hoje ele ficara no hotel para trabalhar um pouco via internet. J estava fora do escritrio h 
mais de duas semanas e ainda faltavam alguns dias para retornar. No poderia deixar muito trabalho se acumular.
    Ela iria jantar com ele? Ela afirmou que no tinha compromisso, mas aquilo no significava que no estivesse saindo com algum.
    Ele se surpreendeu quando se virou, tentando ver por sobre as pessoas. Era uma mulher que acabara de conhecer. Nada especial. No importava que seus olhos azuis 
escuros o fizessem pensar no mar Egeu depois de uma tempestade, ou que sua pele macia cor de pssego o fizesse lembrar-se de uma colegial irlandesa. Seu vestido 
flutuava, envolvendo uma figura de sonhos. Ele gostava do riso dela, dos olhos brilhantes, gostava de tudo.
    Uma noite com uma mulher bonita certamente seria melhor do que escutar Dex falar sobre como as pistas de esqui estavam boas hoje. Ele no precisava dessas informaes, 
iria esquiar novamente amanh.
    Ser que ela esquiava?
    Ser que uma mulher que tinha uma filha se divertia fazendo esportes como aquele?
    Ele nunca tinha namorado uma me antes. No interagia bem com crianas e definitivamente no estava interessado em ficar amarrado em alguma mulher que quisesse 
uma cerca de madeira e um cachorro.
    No que ele a classificasse naquele tipo - especialmente agora que a filha estava crescida e fora embora. Aquilo tinha de torn-la mais velha do que parecia. 
Qualquer um podia fazer as contas e, brincadeira  parte, no acreditava que ela se casara aos 12 anos.
    No que a idade importasse. Era apenas um jantar.
    Ele foi para as mquinas caa-nqueis. Algumas outras horas de diverso e ele veria se sua dama misteriosa apareceria.
    
    Com o passar da tarde, Sara esqueceu a preocupao com Amber e Jimmy. Agora s tinha pensamentos para o estranho do cassino. Ele era to bonito, alto, com cabelos 
escuros um pouco mais compridos do que os dos contadores com quem ela trabalhava. Seu corpo era bonito e ajustado, com um toque de msculos que ela no estava acostumada. 
Parecia relaxado, ainda que houvesse nele um certo ar de autoridade.
    E ele certamente tinha mais do que sex appeal. E isso o colocava muito acima de seu patamar. Ela raramente namorara nos ltimos anos. Suas habilidades de paquera 
eram inexistentes. E ainda guardava a desconfiana em relao aos homens, uma conseqncia da marca que Bill deixara quando fora embora aps o nascimento de Amber. 
Foram namoradinhos da escola secundria e achavam que estavam destinados a ficar juntos para sempre, mesmo com a objeo de seus pais.
    Tinha sido um escndalo quando os pais dela souberam de tudo. Ficaram furiosos e disseram que, se ela tinha feito a cama, que se deitasse nela. Aquilo fora antes 
de Amber. Nem mesmo o nascimento da neta suavizara a postura deles.
    Cinco anos atrs, Sara soube que se mudaram para um retiro no Arizona. No tivera nenhum contato com eles em quase 20 anos. Amando sua filha como amava, nunca 
poderia entender a posio de seus pais. Ela faria qualquer coisa por Amber, mesmo se ela cometesse um erro. No era para isso que as famlias existiam - para apoiar 
uns aos outros quando os tempos difceis chegavam? Para compartilhar e amar uns aos outros no importava o que acontecesse?
    Sara entregou-se de forma gradual s sensaes prazerosas da massagem. O quarto escurecido e a msica etrea conspiravam para o relaxamento. O leo morno e a 
massagem suave eram o paraso. Ela gostava das delcias sensuais. Se pudesse pagar, teria feito aquilo sempre. O que seu homem misterioso diria daquilo?
    s seis e meia da tarde, Sara estava nervosa. No sabia se ia jantar com um estranho ou no. Aquilo era seguro? Por outro lado, se comessem no hotel, poderia 
ser perigoso? No entraria num carro com algum que no conhecia. No iria a nenhum lugar que no conhecesse. Eles jantariam, conversariam um pouco e pronto.
    Era melhor do que ficar vendo televiso e pedir servio de quarto.
    Ela ergueu da cama o sedutor vestido verde. Seria uma pena desperdi-lo. Pela primeira vez, em mais tempo do que conseguia lembrar, se sentia como outra pessoa. 
Algum cheia de vida e expectativa. Podia usar esse vestido, os saltos super altos que comprara e paquerar feito louca. Depois voltaria s e salva para seu quarto 
e sonharia com uma noite fabulosa.
    Ela faria isso.
    Pontualmente s sete, saiu do elevador, sentindo-se exposta como se estivesse usando um biquni. A vendedora da butique tinha garantido que ela ficava maravilhosa 
naquele vestido, mas ele colava como uma segunda pele e no alcanava nem seus joelhos. Os cabelos mais curtos davam a impresso de que fora escalpelada. Suspeitou 
que a aparncia ardente que estava tentando obter provavelmente parecia idiota.
    Mas antes que pudesse se enfiar novamente no elevador ele apareceu, to sexy quanto ela se lembrava. Agora usava um terno preto, camisa branca de algodo e gravata 
escura. Seus olhos capturaram os dela enquanto ele vagava pelo local, deixando-a saber, por seu rpido olhar que abrangia tudo, do novo estilo do cabelo aos saltos 
sensuais, que ele gostava do que via.
    - Matthew Tucker - disse ele, estendendo a mo.
    - Sara Simpson - respondeu ela, pegando a mo dele. Em vez de sacudi-la, ele a puxou para mais perto, enfiando a mo dela no brao dele quando se virou. Ele 
foi na direo dos elevadores que levavam ao restaurante na cobertura.
    - Fiz reservas no Starlight Room - disse ele. - Jantar e dana, parece bom?
    - Parece perfeito.
    Todas as suas preocupaes foram embora. Ele no estava tentando tir-la dali para nenhum lugar. Ficariam ali no hotel e, se as coisas ficassem estranhas, poderia 
voltar para o quarto. Mas se a noite corresse bem, seria um maravilhoso incio para sua nova vida.
    - Ento me conte sobre Sara Simpson - Matt convidou quando estavam sentados ao lado de uma das janelas inteirias com vista para o lago. Estava bastante escuro 
l fora, apenas as luzes da cidade e de algumas casas espalhadas pela costa. As nuvens haviam apagado as estrelas. As janelas refletiam as luzes suaves do restaurante.
    Um pequeno grupo de jazz executava excelente msica de fundo e proporcionava a oportunidade para danar.
    Sara olhou para ele, imaginando como sua vida chata pareceria para um homem to fascinante. Uma olhada em suas roupas caras convenceu-a de que ele no saberia 
nada sobre lutar para ganhar a vida, cursando a universidade enquanto criava uma criana. Um solteiro de trinta e poucos anos no saberia nada sobre o tumulto em 
casa quando a criana virara uma adolescente com raiva de nunca ter conhecido o pai. Ou as dificuldades que uma mulher enfrentava para compelir com os homens no 
trabalho. Sua vida agora lhe servia, mas para contar a outra pessoa parecia chata.
    Queria que Matt a considerasse excitante e ousada. Uma mulher do mundo, totalmente  vontade com o fato de sair para jantar com um estranho. Queria esquecer 
que era me e fazer com que ele a visse como uma mulher misteriosa. Algum que ele ficaria feliz de ter coagido a jantar com ele.
    - A verso reduzida? - perguntou ela, protelando enquanto tentava freneticamente inventar algo excitante. 
    - Temos a noite inteira, por que reduzida?
    Ela inclinou-se para mais perto.
    - Tudo bem, mas voc tem que ser discreto.
    Ele levantou a sobrancelha.
    - Discreto como?
    - No quero meu disfarce estragado. 
    A diverso danou em seus olhos.
    - Voc tem minha palavra. 
    - Sou um tipo de detetive, bisbilhotando fatos que as pessoas normalmente querem esconder nos mnimos detalhes. Dependendo da conseqncia, eu os exponho.
    Ele pareceu intrigado. Sara recostou-se, satisfeita. No era apenas uma contadora chata que faria seus olhos apagarem-se com uma conversa sobre dbitos e crditos. 
Ela poderia expandir sua misteriosa ocupao durante o jantar? Nunca tinha experimentado aquilo antes, mas o desafio estava provando ser engraado. A chave era contar 
apenas a verdade, mas dando uma impresso diferente.
    - Esta  a verso reduzida, suspeito - ele disse. 
    Ela assentiu.
    - Agora me conte sobre voc.
    - Talvez eu seja uma das pessoas que do assistncia queles que querem guardar suas informaes - disse ele, os olhos presos nos dela.
    - O qu?
    - Segurana. Chato, eu sei, mas  isso a. Minha empresa cria e implementa funes de segurana para empresas, desde alarmes bsicos contra arrombamentos a sofisticados 
firewalls em computadores centrais. Trabalho na parte de computadores.
    - Voc trabalha com computadores? - No conseguia acreditar. Ele parecia bronzeado, sarado, atltico.
    Como poderia estar enfiado atrs de um computador o dia inteiro?
    - Entre outros aspectos da empresa. Na verdade sou um dos scios. Computadores so a minha especialidade. Desapontada?
    Oh, no. Ele achava que ela era alguma super detetive com uma vida glamorosa e que a dele a desapontaria, era por isso que no se devia contar lorotas.
    Claro que no. Acho computadores fascinantes. E frustrantes, se no funcionavam da maneira que se esperava. Ela nunca era capaz de resolver problemas por si 
mesma, sempre tinha de ligar para o tcnico. Voc trabalha aqui no Lake Tahoe? - perguntou ela.
    - No. O escritrio central  em So Francisco. Mas viajo muito. Estou aqui para uma folga. Acabo de voltar de Moscou.
    - Moscou? - Os olhos dela se arregalaram.
    - J esteve l? 
    Ela sacudiu a cabea.
    - Seu trabalho  local, ento? - perguntou ele.
    - So Francisco. 
    - Ah.
    - O que foi fazer em Moscou? - Ela espantou a idia de que ele tambm era de So Francisco. Ser que se encontrariam quando voltassem para casa? Ele a chamaria 
para sair de novo?
    Ajudar uma empresa a instalar um sistema de segurana para Internet. E antes disso estive em Bruxelas trabalhando em alguns computadores da Unio Europia.
    - E antes disso? - ela estava fascinada. Imagine ter um trabalho que o levava ao mundo inteiro. Era o que ela queria. A chance de viajar e ver outras culturas, 
visitar locais histricos, aprender a comer comida italiana na Itlia ou ver uma tourada na Espanha.
    - Hong Kong. Uma cidade superlotada, mas excitante.
    Sara s conseguia ficar olhando para ele. Falava sobre viagens de um modo to casual quanto ela sobre ir ao supermercado.
    - Voc j viajou o mundo inteiro? 
    Ele assentiu.
    O garom interrompeu a conversa enquanto servia o jantar, perguntando se precisavam de mais alguma coisa. Quando ele saiu, Sara olhou para Matt.
    - Eu adoraria viajar. Na verdade, estava justamente pensando mais cedo que, com Amber casada, estou livre pela primeira vez em anos. Sem nenhum lao para me 
prender em casa. Posso viajar quando quiser, gastar dinheiro e satisfazer meus desejos.
    -  esse o nico desejo que voc quer satisfazer? - perguntou ele suavemente.
    Ela sentiu o calor subindo enquanto olhava nos olhos dele. Desviou o olhar para a comida e no respondeu. Mas a imagem de Matt e ela apertados num abrao caloroso 
veio de imediato  sua mente. Graas a Deus ele no podia ler seus pensamentos.
    - Ei, cara. Fiquei imaginando onde  que voc tinha se metido. Um homem alto com cabelos louros despenteados parou perto da mesa, obviamente dirigindo-se a Matt, 
mas com os olhos em Sara. - Eu estava livre para jantar, mas voc no me convidou - disse ele.
    Como voc pode ver, eu tinha outros planos - replicou Matt.
    - E no vai dividi-los comigo?
    - No. 
    Sara olhou para Matt, que estava olhando para ela, divertindo-se. Ele inclinou a cabea de leve.
    - Posso apresent-la se voc sair imediatamente -disse ele a seu amigo.
    - Ou ento eu poderia ficar com vocs - o recm-chegado sugeriu, sem fazer qualquer movimento para puxar uma das cadeiras vazias na mesa.
    - Sara, esse cara insolente  um amigo da Aste Technologies. Dexter Braddox. Dex, Sara Simpson. E no, voc no pode se juntar a ns.
    - Ns viemos esquiar, voc me larga por causa do trabalho e agora encontro voc com a mulher mais bonita do lugar. Isso  justo?
    Sara sorriu com o elogio, sabendo que estavam brincando um com o outro, mas sentindo-se o centro das atenes dos dois bonites bem-sucedidos. Nunca estivera 
em tal situao antes.
    Dex conversou por mais um minuto e depois saiu. Sara olhou para Matt.
    - Voc no deveria ter convidado seu amigo para ficar conosco?
    - No. Definitivamente no o queria em nossa companhia esta noite. Deixe-o encontrar sua prpria mulher.
    Ento Matt a considerava a mulher dele - pelo menos por esta noite. Ela sorriu, totalmente feliz, e recomeou a comer.
    Eles comentaram a comida, o ambiente do restaurante e as atividades da regio. Depois Matt disse:
    - J que ns dois moramos na cidade, talvez eu saiba onde voc trabalha. Ou isso  top secret! Voc mora perto do escritrio? Tem algum escritrio?
    - Moro perto de Fort Mason e  uma viagem curta de nibus para trabalhar na Montgomery Street, onde fica o escritrio. s vezes, vou caminhando no vero.  um 
bom exerccio.
    - Somos praticamente vizinhos, ento. Tenho um apartamento na Marina.
    Ela assentiu, sabendo que poderiam no estar fisicamente distantes, mas os pequenos apartamentos perto de Fort Mason no eram nada comparados com as casas ricas 
no bairro luxuoso de Marina.
    - Quem cuida de sua casa quando voc est fora? - perguntou ela. Estava terminando de comer. Ele iria querer estender a noite ou sugeriria que sassem?
    - Mando a correspondncia para o escritrio, ou os amigos cuidam disso para mim. Mas minha secretria cuida da maior parte. Nada de plantas, nem bichos de estimao, 
nada que exija muita ateno - disse ele. Olhando para a pista de dana, ele notou que muitos casais estavam danando.
    - Quer danar? - perguntou Matt, olhando para o prato vazio dela.
    Sara estava esperando uma sobremesa, tinha visto uma bandeja de belos doces de chocolate quando entraram no restaurante. Mas danar parecia quase irreal. Ela 
no era boa danarina. No tinha muita prtica, mas como poderia ser difcil se balanar naquele ritmo lento? E estava tentada a ser tomada em seus braos. Ela notara 
os olhares de outras mulheres enquanto comiam. Matt era o homem mais bonito do lugar e Sara sentiu uma onda de gratido por ele parecer desej-la.
    Ele a escoltou at a pequena pista de dana e tomou-a nos braos. A msica era sedutora. Ou ento ficar nos braos de um homem sexy daquele jeito  que era sedutor. 
Fosse o que fosse, Sara sentia-se como uma princesa. Eles se moveram juntos como se fossem parceiros de dana h anos. Ela encostou a testa no queixo dele, saboreando 
o toque de pele contra pele. O brao de Matt a enlaou, a mo foi para a nuca dela. A mais leve presso a guiava. A outra mo, larga e forte, segurava a dela. Aquilo 
a fazia se sentir segura.
    Sempre havia sido a mais forte da famlia de duas pessoas. Parecia estranho se sentir protegida. Estranho, mas bom.
    - Quando voc volta para So Francisco? - perguntou ele.
    - Ainda vou demorar. Estou de frias.
    - Passe as frias comigo.
    
    
   Captulo 2
   
    Sara afastou-se um pouco para poder ver o rosto dele.
    - Passar minhas frias com voc? Aqui no hotel?
    - Vou ficar aqui, voc tambm. Podemos passar o tempo juntos. Voc pode me contar mais sobre seu trabalho. Ou para onde voc gostaria de viajar. Voc aceita? 
Podemos esquiar. Ou, se voc achar melhor jogar...
    - No jogo e tambm no esquio. Planejava andar pela beira do lago, ler um pouco, talvez me mimar no spa novamente.
    - Mude seus planos - ele sugeriu. 
    Sara no hesitou nem um segundo. No estava louca por uma aventura? No queria algo diferente das duas ltimas dcadas? O que seria melhor do que compartilhar 
frias excitantes com um homem interessante? Ningum a conhecia no Lake Tahoe. Ningum tinha expectativas sobre como devia se comportar. Ningum podia censur-la 
por aproveitar a chance.
    Jogando a cautela ao vento e sentindo-se muito aventureira, ela assentiu.
    - Eu adoraria isso. Voc pode me contar onde esteve, para me ajudar a decidir aonde eu iria. E eu contarei o que puder sobre meu trabalho. - Ela precisava descobrir 
um jeito de faz-lo soar glamoroso, assim poderia mant-lo intrigado. Uma mulher misteriosa para compartilhar suas frias. Era divertido ser responsvel apenas por 
si mesma.
    Um ninho vazio era uma coisa maravilhosa.
    Matt apertou-a contra si, saboreando a sensao de seu corpo feminino encostado ao dele. Ela o fascinava. No estava insistindo para ele revelar seus segredos 
mais ntimos. No estava tentando impression-lo com todas as suas fantsticas realizaes ou todos os cumprimentos que recebeu de outros homens. Conseqentemente 
ele no sentia necessidade de tentar impression-la. Ele a queria, isso era certo. Era bonita e divertida - ao contrrio das mulheres com quem ele andava saindo 
ultimamente, sempre querendo mais tempo, ateno, dinheiro.
    Ela parecia contente com a idia de passarem as frias juntos. Ele iria relaxar e aproveitar aquele tempo longe do trabalho. E de manh bem cedo poderia acertar 
as coisas via Internet.
    Por um instante o cinismo tomou conta dele. Seria ela boa demais para ser verdade? Ela parecia vida para adotar a exata vida que ele gostava. Seria aquilo uma 
ttica de conquista ou ela estava genuinamente atrada com a idia de viajar?
    Se fosse assim, talvez ela pudesse ir com ele em uma ou duas viagens. Visitar alguns de seus lugares favoritos ganhava um novo significado quando ele pensou 
em mostr-los a Sara. Ela ficaria encantada com Paris. Fascinada por Roma ou Atenas. Provavelmente impressionada com a baguna e energia de Hong Kong. Ele podia 
ver os olhos dela brilhando de delcia, a curva dos lbios quando sorria.
    Subitamente imaginou como ela seria na cama, uma combinao de tudo isso?
    - O grupo de jazz fez uma pausa. Est ficando tarde - disse Sara enquanto voltavam para a mesa. - Se vamos acordar cedo amanh, profiro dormir um pouco.
    - Vamos acordar cedo? - Por um instante ele quase sugeriu que terminassem a noite em seu quarto. Mas algo o impediu. Sara no era como as mulheres que ele normalmente 
saa. Era especial. Ele no ia arriscar arruinar tudo apressando as coisas. Havia muitos dias pela frente. A conquista seria mais doce com a espera. 
    - No quero perder um minuto das frias - disse ela. - Alm do mais, quem sabe at quando o tempo vai ficar bom. Pode nevar de novo a qualquer momento.
    Ele pagou a conta e levou-a at o elevador. Desceram at o lobby e pegaram outro elevador que levava aos quartos. Ela disse em que andar estava. Quando a levou 
at a porta, ele quase se convidou para entrar. Mas resistiu ao impulso. Podia esperar. Com dificuldade, mas no era um adolescente vulgar. Ele tinha adquirido alguma 
educao durante a ltima dcada.
    - Encontro voc para o caf s oito - ele sugeriu.
    - timo. Perto do elevador?
    Ele assentiu. Levantando a mo, brincou com um cacho de seu suave cabelo cor de mel. Ela o cortara entre a primeira vez que se viram e o jantar. O novo estilo 
combinava com ela. Tinha feito luzes? Ou os fios de ouro se misturavam naturalmente? De qualquer forma, o estilo a fazia parecer mais sofisticada do que ele suspeitava 
que realmente fosse. Examinando-a, ele foi novamente tomado pelo desejo.
    Ele se inclinou e beijou-a gentilmente. Seus lbios eram suaves e quentes. Ela respondeu com um entusiasmo que o surpreendeu. Talvez estivesse errado sobre esperar.
    Depois ela deu um passo para trs e abriu a porta, lutando com o carto magntico.
    - Obrigada novamente pela noite. - Ela bateu a porta na cara dele.
    Matt deu meia-volta e olhou para o teto, soltando um profundo suspiro. Talvez tivesse calculado mal. Talvez ela fosse mais receptiva do que ele tinha pensado.
    No era nem meia-noite, mas podia ir para a cama tambm. No queria se atrasar para o caf da manh.
    - Uau! - disse Sara suavemente, recostando-se contra a porta. Ele a beijara! Ela no era beijada desde aquela tentativa medocre de Jack Renner sete anos atrs. 
No podia chamar aquilo de beijo, era mais a saudao molhada de um cachorrinho.
    Com Matt Tucker, ao contrrio, ela se sentia pulsar inteira, e o sorriso no parava. Saindo de perto da porta, ela danou pelo quarto, imaginando os braos de 
Matt em torno dela. Havia adorado a noite que passaram juntos.
    Uma semana na companhia dele. No conseguia acreditar. Ficariam entediados? Ou descobririam que queriam mais que uma semana? Os dois moravam em So Francisco. 
Talvez ele a chamasse para sair quando voltassem.
    Ela se preparou para dormir, pensando em todas as possibilidades, sentindo-se quase tonta de felicidade. A preocupao com Amber e Jimmy j estava esquecida 
h muito tempo.
    
    O dia seguinte foi um dos melhores da vida de Sara. No caf da manh Matt tentou convenc-la a esquiar. Mas ela recusou, preferindo andar pela beira da gua. 
Sugeriu que ele fosse com seu amigo e a encontrasse mais tarde. Ela ficaria desapontada, mas podia lidar com aquilo.. No ficaria se fazendo de tola no primeiro 
dia, tentando aprender a esquiar com um especialista olhando.
    Para sua alegria, Matt tinha dispensado suas sugestes e insistido em que preferia passar o dia com ela.
    - Esquio h anos. E j passei dois bons dias aqui. As montanhas estaro sempre aqui. Vamos tomar um caf para nos manter aquecidos e nos equipar para esta caminhada.
    A neve tinha derretido o suficiente para revelar a praia arenosa. Eles lutaram contra o vento que batia no lago, mas com o brilho do sol e as jaquetas quentes, 
o dia pareceu revigorante.
    Matt comprou caf para eles levarem e, quando encontraram um local protegido e com bancos, sentaram-se para saborear a bebida quente. As ondinhas quebrando na 
costa, trazidas pelo vento, tocavam uma suave melodia ao fundo. A gua cintilava com o brilho do sol. A neve nos picos em volta reluzia como milhares de diamantes 
e o profundo cu azul era impressionante.
    Sara mergulhou naquela beleza enquanto tentava imprimir em sua memria todos os aspectos daquele dia. Especialmente do homem ao seu lado.
    - Me conte sobre Moscou - Sara pediu, olhando para ele por sobre a xcara enquanto tomava outro gole bem-vindo.
    - S se ns nos revezarmos.
    - Mas voc sabe tudo sobre So Francisco - disse ela.
    - Mas no sobre voc. Quero todas as informaes que puder conseguir - Matt rebateu.
    Lisonjeada, ela assentiu, guardando o elogio para si mesma. No se deixe levar, lembrou. Ele est de frias e querendo aproveitar ao mximo.
    - Certo, mas comece voc com Moscou - disse ela, desejosa de ouvir sobre suas viagens, seu trabalho, todas as informaes que conseguisse. Ele realmente sentia 
o mesmo sobre ela?
    - Teimosa - ele reclamou e depois comeou a descrever os eventos de sua ltima viagem.
    Quando terminou, ela franziu a testa.
    - Se eu tivesse ido at l, teria visitado os museus, andado na Praa Vermelha e at feito algumas compras. Voc foi para trabalhar e ficar no hotel. Chato.
    -  a quarta vez que vou. Alm do mais, o inverno em Moscou no  muito adequado para passeios na cidade.  frio, l. E tenho um trabalho a fazer.
    Ela viu a maneira com que seus olhos pareciam aprofundar-se dentro dela. Ele olhava muito para ela, como se gostasse do que via. E ela se sentia aturdida.
    Sobre o que estavam falando? Ah, o tempo. De alguma maneira, em suas fantasias de viagem, sempre era vero.
    - Como voc faz com a barreira do idioma. Ou voc fala russo? - perguntou ela, desejando que ele falasse o dia inteiro. Gostava da voz dele, das expresses em 
seu rosto, da maneira que seus olhos olhavam dentro dela. Ela jamais sentira a ateno de algum to completamente.
    - No falo russo, mas falo algumas outras lnguas que so teis na Europa. Quando estou na Rssia, contrato um intrprete. Nesta viagem contatei um sujeito que 
adorava fazer poesias sobre os gloriosos dias do imprio, que terminou cerca de 40 anos antes dele nascer.
    Ele continuou contando algumas das coisas engraadas que seu guia tinha dito. A descrio dos invernos glidos de Moscou lhe deram calafrios.
    Matt tinha jeito com as palavras. Com suas descries, Sara tinha a sensao de que fora a Moscou. Ser que ele gostaria de fazer mais coisas em suas horas livres 
se tivesse algum com quem compartilhar a aventura?
    Quando terminaram o caf, estavam prontos para andar novamente. Estava frio demais para ficarem muito tempo sentados.
    - Agora quero ouvir sobre voc e seu trabalho excitante - disse Matt, pegando sua mo. Sara olhou para as mos entrelaadas e depois riu de alegria absoluta.
    - Sinto muito desapont-lo, Matt, mas no  to excitante. - Ela se arrependia de suas tentativas de se fazer parecer mais do que era. Ele ficaria chateado com 
o engano?
    - Bisbilhotar coisas escondidas? Trabalho de detetive, certo?
    - Algo assim. Na verdade sou contadora. Fao auditoria de livros fiscais para empresas e trabalho com impostos. Nada muito excitante, acho. Mas eu gosto.
    - Voc parece estar na defensiva. Presumo que voc gosta do seu trabalho, ou ento faria outra coisa - disse ele com facilidade.
    Pelo menos no estava aborrecido por ela tentar fazer aquilo soar mais glamoroso do que era. Ela assentiu, sem nunca ter pensado sobre aquilo daquela maneira. 
Gostava de lidar com nmeros. Eles eram lgicos e previsveis. Jamais iriam mago-la como as pessoas faziam. Eram seguros.
    O dia voou enquanto eles exploravam a margem do lago. Barcos de passeio estavam amarrados na marina, cobertos e sem uso no inverno. Muitas das grandes casas 
que davam de frente para o lago tambm estavam fechadas, embora aqui e ali a fumaa sasse de algumas chamins. Eles se aventuraram na Main Street, vagando pelas 
lojas que vendiam arte e lembranas.
    O almoo foi num caf ao ar livre, com aquecedores para manter os fregueses quentes. Na melhor tradio germnica, comeram brockworst e sauerkraut. Cercando-os, 
havia esquiadores almoando e uma ou outra famlia com crianas correndo e brincando na neve prxima ao deque.
    - Encontro voc aqui s sete - disse Matt, quando alcanaram os elevadores no final da tarde. - Voc quer comer no Starligh Room novamente ou experimentar outro 
lugar? - perguntou.
    - Surpreenda-me - disse ela, pegando as bolsas de compras dos dedos dele, os seus prprios esbarrando nos dele durante a transferncia.
    Ele a tocara vrias vezes durante o dia, segurando a mo dela enquanto andavam ao longo da praia, colocando as mos nos ombros de Sara quando tinham de andar 
um atrs do outro em algumas lojas lotadas. Ela deveria estar acostumada com o toque dele, mas sempre se sentia perturbada.
    - At as sete, ento - disse ele, inclinando-se para roar seus lbios nos dela.
    Ele no se importava de que estivessem no saguo movimentado de um grande hotel, com dezenas de pessoas passando e mquinas caa-nqueis soando. Foi apenas um 
breve toque, mas Sara o sentiu at os dedos dos ps. Estupefata, entrou no elevador e observou as portas se fecharem entre eles. Ela precisava tomar cuidado, ele 
estava muito alm de seu nvel. Aquilo eram apenas frias, uma poca fora da normalidade.
    Mas enquanto ela se lembrava de cada momento do dia, fantasiava sobre compartilhar mais do que frias com ele. A vida de casada devia ser assim. Ela sentira 
tanta falta quando Bill fora embora. Devia ter tomado alguma providncia em relao a isso anos atrs, mas colocara os relacionamentos de lado por causa de Amber.
    Ou ser que aquilo se tratava de encontrar um homem especial que a fazia fantasiar sobre essas coisas?
    Ela rapidamente soltou os pacotes na cama do quarto e depois voltou para as lojas do lobby para tentar encontrar outro vestido. Os nicos vestidos que tinha 
eram o de me da noiva e aquele novo que comprara ontem. O resto de seu guarda-roupa consistia em calas quentes e blusas grossas, que eram tudo o que ela achara 
que precisaria para a viagem.
    Matt tinha visto a compra de ontem, e ela queria algo novo para hoje.
    Ela escolheu um vestido verde escuro e um colar de correntes douradas. Os dois combinavam perfeitamente.
    Lanando-se de volta para o quarto, tomou um banho, vestiu-se e ficou pronta para a noite. A excitao crescia enquanto impacientemente esperava que o relgio 
marcasse sete horas. Ela sentia falta de Matt - e haviam se passado apenas duas horas desde que se separaram.
    Ela no conseguia acreditar em como os dois tinham combinado. A conversa nunca parava, mesmo que ainda houvesse palavras para compartilhar. Danar, segurar a 
mo, beijar... Ela mal poderia esperar.
    
    Sara acordou na quarta-feira pela manh com uma sensao de perda. Aquele era o seu ltimo dia de frias. Tinha de ir para casa ainda naquela tarde, para voltar 
a trabalhar no escritrio novamente no dia seguinte.
    Ela no queria terminar aqueles dias idlicos.
    Deitando-se novamente, aninhou-se entre as cobertas, lembrando cada momento que ela e Matt haviam passado durante os ltimos dias. Cada um daqueles dias tinha 
sido especial. Sentia um certo medo de estar se apaixonando. Que loucura. Ele era mais jovem do que ela vrios anos, embora nenhum deles tivesse mencionado o fato. 
Ele viajava pelo mundo enquanto ela nunca tinha ido mais longe de So Francisco do que ali em Nevada.
    E ele era to sexy que seus dentes chegavam a doer de desejo. O toque casual dele fazia seu corao disparar. Os beijos, a cada noite, tinham ficado cada vez 
mais ardentes. Na noite passada, pensou que com certeza ele iria forar para conseguir ter mais do que alguns beijos mais quentes. Mas ele permaneceu um cavalheiro 
o tempo todo.
    Ou talvez no se sentisse como Sara. Talvez no fosse difcil deix-la  porta e se afastar com aquele andar sexy e msculo. Poderia ser que ela fosse apenas 
algum para passar as frias, alm de Dexter. De alguma maneira ser um motivo de diviso na amizade dele com seu amigo despenteado no era a melhor comparao.
    A especulao no adiantava. Ela saberia logo. Ele no pedira o nmero de seu telefone. Talvez esta fosse apenas uma diverso de frias, um momento especial 
que se apagaria numa lembrana agradvel assim que ela voltasse para casa.
    Mas esperava que no!
    Depois de se vestir, ela comeou a fazer as malas. Tinha feito o check out s 11 horas, mas poderia ficar at o fim da tarde e ainda chegar em casa antes que 
fosse muito tarde. Como estavam no meio da semana, o trfego na rodovia interestadual no seria to pesado.
    Talvez Matt pedisse para voltar com ela de carro. Ser que ele veio de carro ou com Dex? Era estranho - ela sabia tudo sobre sua mais recente viagem para Moscou, 
mas no sabia aquilo.
    
    Matt estava esperando perto do elevador quando ela parou no lobby. Ele nunca havia ficado ali, nem mesmo ontem quando ela descera cinco minutos antes. Aquele 
tinha de ser um bom sinal, ou no?
    O sorriso dele fez seus pulsos latejarem novamente. Respirou fundo, esperando que ele pedisse para v-la novamente. E se aquela fosse a ltima vez que ficavam 
juntos?
    - Achei que poderamos caminhar at a creperia e gastar muito dinheiro num grande caf da manh, j que depois precisaremos passar o dia inteiro andando para 
poder digerir - disse ele, procurando a mo dela.
    - Parece timo - ela enlaou os dedos nos dele, uma prtica que havia se tornado normal. Tudo o que tinham feito juntos fora especial, porque ele tinha sido 
parte daquilo.
    - Tem certeza de que no quer tentar esquiar? - perguntou ele.
    Aquela poderia ser sua ltima chance. Eles tinham feito tudo o mais que a rea oferecia. Por que no esquiar? Ela ainda seria desajeitada e ele provavelmente 
era um especialista. Mas aquilo era algo de que ele gostava. E ela poderia acabar adorando esquiar.
    - Tudo bem, vou experimentar.
    Ele apertou sua mo em sinal de aprovao enquanto iam para a creperia.
    - Voc vai adorar. E eu sou um professor especialista.
    Mal o desjejum tinha sido servido, o telefone celular dele tocou.
    Sara no pde evitar de ouvir o lado dele da conversa e seu corao afundou. No haveria esqui hoje. Ele fora chamado para alguma emergncia.
    - Desculpe, Sara, tenho de ir - disse Matt, fechando o telefone alguns minutos mais tarde.
    - Uma emergncia, percebi isso pela sua conversa - disse ela naturalmente, embora quisesse lutar contra o destino. - Voc tem que partir imediatamente?
    - Posso terminar o desjejum. Vou ligar para o hotel e ver se consigo pegar Dex antes que ele chegue s pistas. Preciso dele para me levar a Reno. Eles j me 
reservaram um vo daqui.
    Sara mal pde comer suas panquecas de noz peca, normalmente suas favoritas. Mas a comida parava em sua garganta cada vez que ela tentava engolir. Faltavam apenas 
alguns minutos a mais antes de ele ir. O refro ecoava em sua mente.
    Assim que ela terminou, correram para o hotel. Ela j podia sentir a distncia crescendo entre eles. Ele estava concentrado nas tarefas que teria de cumprir 
em seguida. Mesmo que no a tivesse esquecido, pois ainda estava segurando sua mo, sua ateno no estava mais concentrada nela.
    Ela sabia que diriam adeus hoje. S havia esperado que fosse mais tarde. Depois que ele tivesse pedido o telefone de sua casa.
    Dex encontrou-os no lobby.
    - Eles confirmaram seu lugar no vo das 12:15h para Denver. Voc faz escala l para Boston e depois pega um noturno para Amsterdam. Voc est com o seu passaporte, 
no est?
    - E o laptop tambm. Vou precisar de mais algumas outras roupas, mas posso comprar alguma coisa em Amsterdam. Vou subir e fazer as malas. Voc pode pegar minha 
maleta e trazer com voc?
    - Claro - Dex olhou para o relgio. - Precisamos ir logo para pegar o vo de Reno.
    - Nos d um minuto, certo? - pediu Matt. Ele puxou Sara para os elevadores e apertou o boto.
    - Voc no precisa me levar para o quarto, Matt. Eu sei que o seu tempo  curto. Voc tem que fazer suas malas. Podemos dizer adeus aqui mesmo. Obrigada por 
essas frias to especiais.
    Ela manteve o nvel de sua voz firme. No explodiria em lgrimas como queria. Eles nunca tinham falado sobre o futuro, nem feito nenhuma promessa. Ele era livre 
para ir aonde tivesse que ir, assim como ela.
    Ele virou-a na sua direo, com as mos em seus ombros.
    - Voc  uma mulher especial, Sara. Da prxima vez que tirar frias, quero que esteja comigo. - Ele a beijou novamente como se fossem as nicas pessoas no mundo 
e no um casal no meio de um saguo agitado.
    O elevador chegou. 
    - V fazer as malas e pegue seu vo. E faa algum turismo em Amsterdam por mim - disse ela quando ele olhou para a porta aberta. Ela gentilmente o empurrou e 
observou as portas se fecharem  sua frente. Suas frias haviam terminado.
    Droga! Matt pensou enquanto ia para o quarto. Ele no conseguia acreditar naquilo. Por que o programa de computador tinha de falhar exatamente nesse momento? 
Agora dependia de Matt reparar os danos, no apenas para o computador, mas tambm para a boa vontade da empresa. Ele se divertia muito, mas tambm trabalhava muito. 
Ele, Dex e Tony tinham criado a empresa sete anos atrs. E desde ento ela havia se expandido para alm de seus maiores sonhos. Todos eles, e tambm os outros funcionrios 
que foram contratados ao longo dos anos, queriam mant-la no topo. E ele era um especialista em mant-los  frente do mercado. Mas hoje ele desejava que outra pessoa 
pudesse ser mandada para Amsterdam.
    Ele queria ficar com Sara.
    Franzindo a testa, entrou no quarto e comeou a fazer a mala. De onde tinha vindo aquela idia? Ele adorava viajar. Tinha decidido h muito tempo, quando ainda 
morava com tio Frank, que, se tivesse chance, viajaria pelo mundo inteiro e nunca olharia para trs. Ele tinha feito exatamente isso. E saboreava cada uma de suas 
tarefas. Sair em busca do desconhecido certamente era melhor do que viver numa rotina de trabalho de nove da manh s cinco da tarde, que o teria rapidamente entediado. 
Ele nunca quis terminar a vida amargo e reclamo como tio Frank. Amarrado, infeliz no trabalho e em sua vida, o velho nunca escondera seu ressentimento com a injustia 
de sua vida.
    Matt deixara a casa de Frank aos 18 anos para entrar na faculdade. Sabia que uma boa educao era a chave para sair daquela correria da qual seu tio reclamava. 
E sara. Visitara as maiores cidades do mundo. Havia tirado frias em alguns dos lugares mais exticos e excitantes que o ser humano conhecia.
    Mas desta vez a adrenalina da corrida estava perdida. Ele preferia ficar com Sara.
    Ela fora a companhia perfeita. Cada dia tinha sido especial. Seu nico arrependimento era no ter forado um pouco para que passassem tambm as noites juntos. 
Espirituosa, engraada e encantada pelas coisas mundanas, ela conseguia dar uma nova viso a tudo. Os dias tinham voado. Agora tinha de partir antes de estar pronto. 
Pela primeira vez. Normalmente ficava entusiasmado para ir a uma nova cidade e encarar novos desafios.
    Mas eles no tinham feito nenhuma promessa.
    Droga! Ele lembrou-se de que no tinha nem mesmo pegado o telefone dela em So Francisco. E se o nmero dela no estivesse na lista? Ele correu para o telefone 
e ligou para o quarto dela. O telefone tocou vrias vezes, finalmente caindo na caixa-postal de voz. No faria bem algum deixar um recado, pois ele no estaria ali 
para ela ligar de volta.
    Talvez ela tivesse ficado l embaixo para conversar com Dex. Se tivesse, podia pedir a ela quando descesse novamente.
    Se no, ele obrigaria Dex a descobrir quando retornasse do aeroporto. Era o melhor que podia fazer.
    Ele jogou mais algumas coisas no carrinho, incluindo seu laptop. O resto iria na mala de Dex. Ele teria de comprar algumas roupas em Amsterdam. Pelo menos no 
se esperava que especialistas em computadores andassem bem-vestidos.
    Quarenta e cinco minutos mais tarde, Dex o deixou no aeroporto de Reno.
    - No se esquea, pegue o nmero do telefone dela. Diga a ela que vou ligar assim que voltar a So Francisco - disse Matt.
    - Ei, meu velho, voc j repetiu isso uma dzia de vezes no caminho. Eu no poderia esquecer. Vou conseguir o nmero da moa para voc ainda hoje. Olhe seu email 
quando chegar a Amsterdam. Se eu no conhecesse voc muito bem, acharia que se apaixonou pela bonitona - disse Dex. 
    Ele acenou e saiu com o carro.
    Matt ficou olhando para ele. Apaixonado por Sara?
    
    Sara no via razo para ficar, j que Matt tinha ido embora. Terminou de fazer as malas, fez o check out mais cedo e foi para casa. Havia presentes de casamento 
no porta-malas de seu carro, que Amber tinha pedido que ela levasse de volta. As crianas voltariam para casa no fim daquela semana. Ela gostaria de saber tudo sobre 
a lua-de-mel de sua filha.
    Ser que Amber perguntaria como havia sido sua estada em Tahoe? E se ela perguntasse, o que Sara diria? Conheci o homem mais maravilhoso do mundo? Passamos quatro 
dias fabulosos, depois ele partiu para Amsterdam? Por Sara, aqueles seriam os primeiros de muitos dias juntos. Mas Matt no tinha dito uma palavra sobre o futuro.
    Melhor no dizer nada a Amber. Guardaria a lembrana daqueles dias especiais em seu corao. Mas a praticidade voltava quanto mais perto ela chegava de So Francisco. 
Havia sido uma diverso de frias. Ele nem pedira seu telefone. Nem mesmo disse o clssico Eu te ligo. Dizer que ele queria passar as prximas frias com ela foi 
algo ainda mais vago.
    No importa, amara cada segundo que passara com Matt. E passaria feliz da vida todas as frias com ele. E ele nem tinha pedido o telefone dela.
    Na sexta-feira seguinte Sara havia feito algumas mudanas em sua vida. Queria mergulhar em mudanas radicais, mas encontrou o trabalho muito agitado. Passara 
duas vezes na agncia de viagens perto do escritrio, para pegar informaes e folhetos sobre locais exticos. Estava planejando gastar dinheiro em suas prximas 
frias e fazer uma das viagens que desejava.
    A frentica temporada de impostos chegara como uma tempestade. Algumas empresas ainda no tinham fechado o livro-caixa do ano inteiro. Outras tinham auditorias 
que exigiam reajustes para despesas declaradas ou ganhos de capital. Outras estavam buscando maneiras criativas de adiar a declarao de parte do dinheiro at que 
seu fluxo de caixa melhorasse. Qualquer viagem teria de esperar at depois de abril, mas ela podia comear a planejar tudo agora. Quando um dos novos contadores 
da firma a chamou para sair, ela disse que sim - logo que a temporada de impostos tivesse terminado. Ele nunca tinha parecido not-la antes, ser que a mudana de 
visual no Lake Tahoe o fez olhar para ela de maneira diferente?
    Amber passou em sua casa no sbado  noite, sozinha. Jimmy estava de planto. Apesar de feliz vivendo sua nova vida de casada, estava um pouco chateada por as 
coisas no estarem indo bem como esperava.
    - Ele ainda est morando na base militar. Planeja vir quando puder, mas  como se ainda estivssemos namorando. Odeio este limbo. Ns nem sabemos onde vamos 
morar depois que tudo isso passar. E ele vai voltar para a Alemanha dentro de mais algumas semanas. Se for enviado a uma base americana em seguida, vou ver se posso 
pedir transferncia para uma universidade que fique perto de l. Mas preciso me inscrever logo se quiser entrar no outono - ela reclamou.
    - Voc sempre poder se inscrever logo que souber para onde ele vai, e apresentar  universidade essas circunstncias extraordinrias. No pior das hipteses, 
pode esperar um semestre antes de entrar. - Sara no gostava da idia, mas era o melhor que ela podia oferecer para alegrar sua filha. Pelo menos ela estava na universidade 
este perodo e no ia voar para a Alemanha.
    - O que voc fez depois que fomos embora? Voc foi para o spa, como disse que iria? - perguntou Amber enquanto comeava a fazer uma salada para acompanhar o 
espaguete que Sara estava preparando.
    - Fui - e no caminho conheci o homem mais fantstico do mundo.
    - Foi bom?
    - Foi. - Para os dois.
    - Gosto do que voc fez no cabelo. Sabe, mame, voc poderia voltar a namorar. Sei que se prendeu esse tempo todo, por minha causa. Voc devia se casar de novo 
e ter sua prpria vida agora.
    - Nunca me prendi. Minha vida  maravilhosa e gosto dela exatamente como  - disse Sara rapidamente, tentando no pensar em suas idias iniciais logo depois 
do casamento, de que ela estava novamente livre para fazer o que quisesse. Ela amava sua filha.
    Mas era mulher e queria a ateno de um homem especial. Matt. Como seria estar casada com ele?
    Fantstico, disso ela no tinha dvidas. Eles iriam viajar e visitar cidades maravilhosas com as quais ela s era capaz de sonhar. Talvez pudesse aprender algumas 
das lnguas que ele falava, para se adaptar melhor quando ficassem hospedados em Madri ou Roma.
    - Mas agora  diferente. Eu sa de casa. Tenho meu prprio apartamento, estou casada. Quando Jimmy souber para onde vai, vou me mudar daqui. Voc vai ficar sozinha 
- Amber insistiu.
    - Tenho muitos amigos - e muitos planos. Mas ela no queria compartilh-los com ningum ainda. Gostava de sonhar acordada sobre como ia mudar sua vida.
    - Eu sei, mas no  a mesma coisa - disse Amber. 
    Ela estava certa. Durante quatro gloriosos dias, Sara tinha sido parte de um casal. Ela e Matt ficaram praticamente inseparveis. Adorava ser parte de um casal. 
J fazia tanto tempo desde que tinha feito isso, que parecia completamente novo e diferente. Claro, Matt tornou tudo inesquecvel. Ela definitivamente planejava 
comear a namorar, ver se havia algum l fora com quem pudesse partilhar sua vida. Fazer as coisas com outras pessoas certamente era melhor do que fazer tudo sozinha.
    Mas no ainda. Ela suspeitava de que ningum pudesse se comparar a Matt.
    - Vamos ver. Agora no  uma boa poca. Estao de impostos, lembra? - Ela deveria contar a Amber sobre Matt? Ou sobre o convite do homem do escritrio?
    - Eu sei. Mas pense sobre isso, mame.
    O problema era que Sara no conseguia parar de pensar nela e em Matt. Os dias no Lake Tahoe pareciam ter sado de algum tipo de conto de fadas. Ela se lembrou 
das caminhadas  beira do lago da diverso que sentiam apenas por conversarem. E se lembrava especialmente dos beijos.
    Mas enquanto uma semana se transformava em duas e ela no tinha notcias dele, soube que tinha de deixar aquele sonho ir embora. Ele j deveria ter voltado a 
So Francisco. Ser que sequer se lembrou do tempo que passaram juntos? Ou ela era mais uma numa longa fila de mulheres que ele namorava?
    Ela procurou a Aste Technologies na lista telefnica. Ficava na Montgomery Street, no muito longe de seu prprio escritrio. Mas no tentou procur-lo. Ele 
no dera indicao a ela de que queria v-la novamente. No que saber daquilo a fizesse parar de olhar detidamente todos os homens de cabelos escuros que passavam 
por ela na Montgomery Street. Mas vivia andando deliberadamente perto da empresa dele, na esperana de esbarrar com ele por ali.
    No final da tarde de quarta-feira, Sara pediu a sua secretria para pedir um sanduche para ela antes de sair. Acumulara muito trabalho e no havia ningum esperando 
em casa. Se tivesse algo para comer, ficaria bem e poderia trabalhar mais algumas horas. Reclinou-se na cadeira, relaxando os ombros tensos e olhando para o pster 
colorido da Grcia que ela tinha pendurado ali. Preferia muito mais estar passeando pelas runas do Parthenon do que fazendo declaraes de impostos para a Herberty 
Construction. Neste fim de semana planejou comprar algumas coisas para usar quando fosse  Grcia. Ou para quando fizesse aquele cruzeiro ao Alasca, ela pensou, 
enquanto olhava para outro pster - este com o azul profundo do mar e gloriosos icebergs.
    O telefone tocou. Ela o pegou, suspirando enquanto voltava  realidade.
    - Voc tem alguma idia de quantos Simpsons existem em So Francisco? - uma voz familiar perguntou em seu ouvido.
    - Matt? - Seu corao disparou.
    - Esqueci de pegar seu telefone. Voc j tinha sado quando Dex voltou ao hotel. Ento estou telefonando desde a hora em que cheguei. Consegui falar com sua 
filha pouco tempo atrs e disse a ela que era seu amigo. Ela me deu este telefone. Meu Deus, senti sua falta.
    Sara no conseguia falar nada. Era Matt! Ela j havia desistido de toda a esperana de ouvir falar nele de novo.
    - No acredito - disse ela suavemente. - Voc voltou agora? Achei que tinha voltado dias atrs.
    - No. O problema acabou sendo maior do que havamos pensado. Ento, j que eu estava na Holanda, peguei outro trabalho em Anturpia. Mas agora estou de volta 
e quero v-la. Jante comigo. Passo a em dez minutos.
    - So apenas cinco e meia,  um pouco cedo para o jantar - ela recusou. A pilha de trabalho em sua mesa no tinha encolhido magicamente enquanto ela falava. 
Mas pela primeira vez desde que tinha sido contratada, ela no ligou. Jantar com Matt era algo que no podia recusar!
    - No falei a Amber sobre voc - disse ela, imaginando o que sua filha havia pensado quando um estranho ligou e perguntou por sua me.
    - Eu notei. Ela est um pouco preocupada. Aposto que vai ligar para voc dentro de um minuto para se certificar de que realmente podia ter me dado o telefone 
de seu trabalho. Mas eu a convenci de que era mais seguro dar o do trabalho. Melhor do que tentar conseguir o telefone de sua casa. O que eu quero, por sinal.
    Sara deu o telefone a ele e depois passou os dedos pelos cabelos.
    - No estou vestida para jantar.
    - No me importa como voc est vestida, no me importa nem se voc est vestida. Passo a em dez minutos. - Ele desligou.
    Sara deu um risinho de excitao. Matt estava de volta e queria v-la! Quase danou de alegria no escritrio. No tinha outros compromissos. Adorava essa vida 
de ninho vazio!
    Disse a Stacey para cancelar o pedido do sanduche, depois correu para o banheiro para se arrumar. Desejava que estivesse usando algo alm das calas pretas 
e a blusa de seda amarela. Talvez um de seus novos vestidos, ou algo sexy. Matt disse que ele no ligava. E ela no ousaria perder tempo indo at em casa para se 
trocar. Mal podia esperar para v-lo.
    Exatamente nove minutos mais tarde ela pisou na calada em frente ao prdio. O trnsito se movia devagar, como acontecia todos os dias na hora do rush. Ela ouviu 
uma buzina tocar e viu o carro esporte rebaixado parar na beira da calada. Matt desceu, seus olhos encontrando os dela num instante.
     - Sara.
    - Matt. - Por um instante, no conseguiu falar. Ele parecia to bonito quanto no Lake Tahoe. Ela desejava toc-lo. Desejava que ele a beijasse. Tonta de felicidade, 
ela sorriu. - Estou to feliz de v-lo.
    Nada muito sofisticado, mas era de corao. Ela s queria ficar ali e absorv-lo totalmente. No tinha percebido exatamente o quanto sentira a falta dele, exatamente 
quanto medo sentira de nunca mais v-lo. Os dias perturbadores que passara desde que haviam se despedido desapareceram. Era como se tivessem acabado de se ver ontem.
    - Trouxe uma coisa para voc da Anturpia - disse ele, dando a volta no carro. Ele inclinou-se e beijou-a suavemente nos lbios. - Entre no carro antes que algum 
guarda me d uma multa por estacionamento ilegal.
    Ela entrou e sentou-se nos macios bancos de couro, sentindo-se tmida como uma adolescente.
    - Voc acabou de parar, no est estacionado.
    - Pensar assim vai nos defender do guarda? - perguntou ele, dando a volta para sentar-se ao volante.
    - Onde voc gostaria de ir jantar? - disse ele quando o carro partiu.
    - Qualquer lugar.
    - Londres? - Ele sugeriu. 
    Ela riu.
    - Isso! S que no acho que vamos chegar l antes que eu morra de fome. - Somente ele poderia sugerir um jantar em Londres. Oh, como gostaria que pudessem fazer 
aquilo.
    - Conheo um timo italiano na Columbus Square - disse ele.
    - Adoro italianos - disse ela, observando-o enquanto ele dirigia com competncia no trfego. Jantar com Matt certamente era melhor do que comer um sanduche 
frio em sua mesa. Qualquer refeio com Matt era melhor do que aquilo. Por um instante passageiro pensou em todo o trabalho que a esperava, depois prontamente empurrou 
o pensamento para longe. Estava com Matt, no o via h tanto tempo! Havia um limite em relao  quantidade de trabalho que desejava fazer.
    - Me conte sobre a viagem - ela pediu, querendo ouvir como ele passara cada momento. Ser que tinha sentido sua falta?
    - A primeira emergncia foi resolvida com sucesso, sob o ponto de vista dos negcios - respondeu ele.
    - H outro ponto de vista? 
    Ele lanou um olhar para ela.
    - Eu no costumava pensar assim, mas desta vez me descobri desejando que voc estivesse em Amsterdam comigo. Voc teria adorado. Podamos ter escolhido um restaurante 
diferente todas as noites, entrado numa excurso num barco no rio. As lojas so maravilhosas. Aposto que voc gostaria ainda mais de Anturpia,  uma cidade muito 
charmosa. Tem prdios muito antigos, monumentos, fontes. Se voc sair para passear, no volta mais para o hotel.
    Ela suspirou suavemente.
    - Talvez um dia. 
    Ele assentiu.
    Logo estavam sentados num pequeno canto do restaurante, a pesada fragrncia de organo e alho preenchendo o ar.
    - O que voc fez enquanto eu estava fora? - perguntou Matt depois de fazerem seus pedidos.
    - Trabalhei. Jantei uma noite com Amber e Jimmy. Estamos entrando na temporada dos impostos e a quantidade de trabalho cresce. Nada excitante como visitar a 
Holanda. - Ela no tinha certeza se deveria contar a ele sobre seus planos para as prximas frias. Ser que ele iria com ela?
    - No estava exatamente visitando, estava trabalhando - ele protestou, seus olhos divertidos fazendo-a saber que o tipo de trabalho que ele fazia num lugar estrangeiro 
no se comparava com o dela.
    - Ento voc est de volta por quanto tempo? - perguntou ela.
    - Tenho de reconfirmar minha prxima tarefa com o escritrio para ter certeza de que ainda est de p. Mas estarei em casa por alguns dias.
    - Quando voltou? - Ele nem tinha ido ao escritrio ainda?
    Ele olhou para o relgio.
    - H mais ou menos uma hora e meia. Liguei para voc vindo do aeroporto. Eu sabia o nmero do meu vo, ento um dos caras no escritrio deixou meu carro no aeroporto. 
Isso me fez economizar tempo.
    Ela no conseguia acreditar em seus ouvidos. Ele estaria mesmo to ansioso para v-la quanto ela para v-lo? Depois pensou em outra coisa.
    - Voc deve estar exausto.
    - Consigo durar at depois do jantar pelo menos. Queria ver voc.
    - Podemos comer rpido - ela sugeriu, tocada mais do que queria admitir com suas palavras.
    Ele pareceu desconfortvel, olhou em torno e depois olhou novamente para ela.
    - Trouxe uma coisa para voc da Anturpia - disse ele.
    Ela lembrou que ele tinha dito aquilo antes. Como se animado com a possibilidade de que ela fosse gostar do presente, como se para faz-la saber que ele estava 
pensando nela mesmo quando estava longe. No ganhara um presente de ningum, a no ser de Amber, durante anos.
    - Um presente? - perguntou ela.
    - Mais ou menos - ele mexeu no bolso e puxou uma caixinha de jias.
    Sara olhou para aquilo, a respirao presa na garganta. Parecia uma caixa de anel, mas certamente ele no tinha comprado um anel para ela!
    Quando ele abriu a tampa, ela piscou com o diamante reluzente que estava delicadamente deitado no veludo.
    - Quer se casar comigo, Sara?
     
    
   Captulo 3
   
    Sara olhou para o anel, depois vagarosamente levantou os olhos para os dele.
    - Casar com voc? - Ela sussurrou.
    - Eu estava esperando que voc tivesse sentido tanto a minha falta quanto eu senti a sua. Ns passamos uns dias maravilhosos no Lake Tahoe. Pense na vida que 
teramos juntos. Ns somos simplesmente perfeitos um para o outro. Nossos estilos de vida combinam. Largue seu emprego, venha comigo para onde quer que eu v. Posso 
conseguir tirar algum tempo de folga na maioria dos compromissos que normalmente tenho, ento no sero viagens apenas de trabalho. Vou para Londres na semana que 
vem, se a misso ainda estiver de p. Ainda preciso conferir. Se for, vamos passar nossa lua-de-mel l.
    Ele nunca tinha pedido uma mulher em casamento antes. Mas Sara era diferente. Era fcil de se lidar e bem-humorada ao mesmo tempo - sem mencionar o fato de ser 
muito sensual. Ele no tinha de se preocupar com o fato de ela querer comear uma famlia ou comprar alguma casa no subrbio, pois sua filha j estava crescida. 
Poderia sustentar as duas. Eles poderiam viajar, talvez fazer de Londres seu lar durante alguns anos enquanto ele se concentrava nos clientes europeus. Isso o faria 
economizar tempo em vez de voar a cada duas semanas.
    Sara estava em estado de choque. Conhecera-o h menos de uma semana. Ele era virtualmente um estranho. Como poderia se casar com um estranho?
    Ainda assim ela havia amado cada momento que passaram juntos. Lembraria para sempre os dias fabulosos no Lake Tahoe. E tambm se lembraria da indeciso e preocupao 
com a possibilidade de ele no telefonar. Adorava estar com ele. Suas fantasias todas se centravam em Matt. Sabia que se apaixonaria por ele. Mas casamento? Para 
sempre? Seria possvel?
    Por um instante ela se deixou sonhar...
    O que ela queria? Passar a vida fazendo as contas pura homens de negcios que discutiam cada ponto com ela, ou pass-la voando para os cantos mais longnquos 
do mundo com o homem mais excitante que ela jamais conhecera? Ela ousaria correr esse risco? Era livre feito um passarinho. Amber tinha sua prpria vida agora, com 
Jimmy. Por que no agarrar a felicidade que pairava tentadora  sua frente?
    Enquanto os minutos se passavam, a expresso de Matt tornou-se impassvel.
    - Esquea - disse ele, fechando a caixa. - Idia boba.
    - No tem nada de boba. Voc me pegou de surpresa, mas eu digo sim! - Ela se sentia jovem, viva e ousada. No se sentia assim desde... Sempre!
    Ele se levantou e a fez ficar de p, beijando-a como ela jamais fora beijada antes. Muitos dos outros clientes do restaurante bateram palmas, obviamente sabendo 
que algo especial estava acontecendo ali.
    Quando o garom correu para perto, Matt deu um passo para trs e fez Sara sentar-se novamente.
    - Champanhe, por favor. Ela aceitou se casar comigo!
    Assim que ele se sentou, procurou a mo dela, deslizando o anel para seu dedo. Ele se encaixou perfeitamente.
    - Eu no tinha certeza nem se voc ligaria - disse Sara, examinando a pedra cintilante, ainda descrente. Ela realmente tinha acabado de concordar em se casar 
com Matt?
    - Voc devia saber que eu a encontraria de novo. Voc  especial demais - disse ele, pegando os dedos dela nas mos, acariciando-os com seu polegar. - Isso provavelmente 
 apressar as coisas, mas eu quero voc, Sara, e no quero nenhum outro cara paquerando minha mulher.
    - Isso parece um ultimato - ela provocou, sem ter certeza de como lidar com as emoes que ameaavam sobrepuj-la. Oh, ela teria de cancelar seu encontro com 
Tim, pensou brevemente, olhando nos olhos de Matt. Como foi pensar que poderia se divertir com outra pessoa?
    - Nunca falei com nenhuma mulher assim. Nem jamais pedi a outra mulher para se casar comigo. Na verdade, nunca pensei em me casar. Mas voc e eu seremos perfeitos 
juntos. Vamos fazer o mundo inteiro ser nosso! Vamos viajar. s vezes a trabalho, mas a maior parte das vezes por nossa conta. Voc pode fazer uma lista de todos 
os lugares que quer visitar. O mundo ser nosso jardim. No h nada para nos amarrar.
    - Isso parece fabuloso. Quero Londres em primeiro lugar. No, espere, talvez Paris. No, que tal Sydney?
    - Vamos chegar l um dia - ele beijou seus dedos, apertando-os gentilmente com afeto.
    - Voc nunca pensou em se casar por qu? Voc  maravilhoso. Qualquer mulher ficaria deliciada em compartilhar a vida com voc! - Ela olhou para ele, ainda um 
tanto chocada por ter concordado em se casar. Sua breve experincia na bem-aventurana do casamento no tinha sido boa o suficiente para recomendar que tentasse 
de novo. Com Matt seria tudo diferente.
    - Ah, um homem nunca se cansa de fazer a futura esposa pensar que ele  maravilhoso - champanhe chegou e o garom serviu uma taa a cada um, colocando-as  frente 
deles com um floreio.
    -  minha futura esposa - disse Matt, levantando a taa para ela.
    Esposa. Ai meu Deus, Sara pensou, enquanto o pnico subitamente tomava conta dela. Ela seria esposa novamente! Iria confiar seu futuro a este homem que conhecera 
h apenas algumas semanas atrs. Teria ela perdido o juzo?
    - A ns - disse ela, tocando sua taa na dele.
    No tinha notcias dele h algum tempo, mas acreditava em Matt de uma maneira bem bsica. E conhecer algum h dcadas no garantia nada, era s olhar para ela 
e Bill. Eles se conheciam h anos e ele tinha ido embora sem olhar para trs. Alguns homens eram leais, outros no.
    - Prxima semana em Londres, e quem sabe o que vir depois disso? - disse Matt.
    - Voc est falando srio sobre a prxima semana? - perguntou ela. - E Londres?
    - Claro que estou, voc no? Voc tem passaporte, no tem?
    Ela sacudiu a cabea. Por que ela teria precisado de um passaporte se nunca viajara?
    - No se preocupe, vamos providenciar um atravs do escritrio. Tenho certeza de que eles conseguem um a tempo. Voc quer se casar numa igreja ou num cartrio?
    - Na minha igreja, por favor. E terei de conseguir algum tempo de folga no trabalho.  bom porque tenho muitas folgas acumuladas. A enormidade do que ela tinha 
concordado em fazer comeou a entrar em sua cabea. E tendo direito ou no a folgas, seu chefe teria que se ajeitar com o fato de ela sair durante a estao dos 
impostos. E o que todo mundo diria? Ningum nem sabia que ela namorava algum.
    - Pea demisso, corte suas amarras, vamos voar para onde o vento nos levar. Depois de Londres, vamos nos sentar e decidir o que voc gostaria de ver primeiro 
e depois verei que tarefas posso conseguir para esses lugares. Com a ameaa de terrorismo ou vrus globais, h mais e mais misses de trabalho a cada ms na empresa.
    - Eu adoraria ver toda a Europa, depois ir  Austrlia e  Nova Zelndia - disse ela, tonta como uma criana no Natal. Seus sonhos estavam se tornando realidade. 
E ela veria tudo aquilo com Matt. Como tudo era to bom!
    Seu corao disparou, quase doendo de tanta felicidade. Quem jamais pensaria que Sara Simpson um dia se casaria novamente e viajaria para conhecer o mundo?
    - Oh, aonde vamos morar? Meu apartamento no  muito espaoso - disse ela, a realidade se inserindo novamente em sua cabea. O apartamento era realmente pequeno. 
E Amber ainda tinha um monte de coisas l. Amber - ela teria de contar a sua filha logo. O que Amber acharia de ganhar um padrasto a essa altura?
    - Vamos conseguir um lugar para ns. Meu apartamento tambm  pequeno. Vamos encontrar um lugar de que ns dois gostemos e onde possamos combinar os nossos utenslios 
domsticos - disse Matt.
    - Preciso ligar para Amber. Ela vai querer conhec-lo. - Amber ficaria chocada. Nada disso parecia com a velha Sara.
    Ele sacudiu a cabea.
    - Nunca me imaginei como um pai.  bom que ela j esteja crescida e casada. Talvez possamos todos jantar amanh  noite.
    - Vou ligar para ela assim que chegarmos em casa. - Ela esperava que Amber gostasse de Matt. E se no gostasse? Mas como poderia no gostar?
    O jantar chegou e Sara passou o resto do tempo fazendo perguntas a Matt sobre os lugares aonde eles iriam em Londres e quanto tempo ficariam. Ela descobriu que 
tinha um monte de coisas a fazer para conseguir aprontar um casamento em uma semana.
    - No acredito que estamos fazendo isso - disse ela enquanto saam do restaurante.
    - Est arrependida? - perguntou ele.
    - Nem um pouco!
    Quando chegaram a seu apartamento, ela o convidou a entrar.
    - Eu adoraria, minha querida, mas estou exausto. J estou acordado h mais de 24 horas agora e preciso dormir um pouco. Ligo para voc amanh  tarde e decidimos 
aonde vamos levar Amber e Jimmy para jantar - disse ele.
    O beijo camuflou o cansao, apesar dos contorcionismos que precisavam fazer no pequeno carro. O corpo inteiro de Sara estava pulsando de desejo e delcia na 
hora em que terminou o beijo. Ela desejou que ele entrasse, mais do que nunca. Mas ela podia esperar. Quando ficassem juntos a espera tornaria tudo mais doce ainda.
    Assim que Matt saiu, ela ligou para Amber.
    - Oi, me, estava tentando falar com voc. Um cara ligou para voc no trabalho? Eu dei a ele o seu nmero, mas depois no tive certeza se deveria ter dado.
    - Definitivamente deveria. O nome dele  Matt Tucker.
    - No me lembro de ouvir falar nele antes. Ele trabalha com voc? Claro que no, seno no precisaria do nmero. Quem  ele?
    - Desde esta noite,  meu noivo - disse Sara. 
    O silncio do outro lado era ensurdecedor.
    - Amber? - Talvez ela devesse ter explicado melhor antes de soltar a novidade. Mas ela queria gritar aquilo dos telhados. Matt Tucker queria se casar com ela, 
Sara Simpson!
    - Mame, voc disse noivo?
    - Disse.
    - Eu nem sabia que voc estava namorando. Quando isso tudo aconteceu?
    - A proposta foi hoje. Estamos querendo nos casar semana que vem. Vamos passar a lua-de-mel em Londres. - Lua-de-mel! Londres! Sara ainda no conseguia acreditar 
nas palavras que brotavam de sua boca to facilmente. Ela desejava que j estivessem casados. J sentia a falta dele.
    - Semana que vem? Mame, eu nem conheci o cara. Como voc pode se casar to cedo? E por qu? Voc no est sendo obrigada, est? Quer dizer, voc no est grvida 
nem nada, no ? - Amber parecia preocupada.
    - No estou grvida. J tive minha famlia, voc sabe disso. Matt e eu nos conhecemos no Lake Tahoe logo depois do seu casamento. Passamos alguns dias gloriosos 
juntos e percebemos quando ele voltou hoje o quanto sentimos a falta um do outro.
    - Ento voc vai se casar semana que vem? Vocs no podiam, bem, ficar noivos por um tempo?
    - Voc e Jimmy se casaram num prazo curto. - timo, agora ela estava se comparando com sua filha. Ela no precisava justificar sua deciso para ningum, nem 
mesmo para Amber.
    Talvez houvesse um toque de incerteza espreitando, mas no admitiria isso. Queria se casar com Matt, explorar o mundo, viver um pouco. Tinha apenas 38 anos, 
no era muito velha para ainda se divertir.
    - Eu nem conheci o cara - Amber gemeu.
    - Eu sei. Matt e eu queremos convidar voc e Jimmy para jantar amanh  noite. Voc poder conhec-lo ento.
    - No sei se Jimmy poder ir. Ele est na base e tem trabalhado muito  noite. Vou ver. Mas eu certamente vou. Na verdade, talvez eu passe a agora. Ele est 
a?
    - No, ele acaba de chegar de Amsterdam. Est acordado h 24 horas e precisa descansar. Voc pode conhec-lo amanh.
    - timo. Meu Deus, me, isso no parece nada com voc.
    Sara sorriu enquanto desligava o telefone. No parecia com a velha Sara. Mas definitivamente parecia com a nova!
    A semana voou. Ela e Matt passaram tanto tempo juntos quanto podiam, por conta de suas atarefadas agendas de trabalho. Seus beijos a deixavam sem ar. Seu toque 
mandava seus sentidos s alturas. Mas ele se continha todas as noites, deixando-a na porta do apartamento como se temendo que a tentao de fazer mais do que dar 
beijos fosse muito forte se ele entrasse na casa dela. Ela ficava honrada - e frustrada - pelo respeito que ele demonstrava. Eles estariam casados para sempre, ele 
dizia. Portanto, podia esperar mais alguns dias antes de consumar seu amor.
    Sara no tinha certeza se teria sido to nobre se tivesse tido a escolha.
    A manh de quinta-feira nasceu fria e clara. O cu estava de um azul profundo, sem nenhuma nuvem. A brisa da baa soprava leve, embora fria. O tempo estava perfeito 
para um casamento.
    Sara encontrou um vestido cor de creme para usar, completando-o com um chapeuzinho para dar um toque de noiva a ele. Conseguira uma folga no trabalho, embora 
seu chefe, o sr. Pepovich, estivesse preocupado com o fato de ela ser capaz de dar conta de todos os seus clientes no tempo restante at o dia da entrega dos impostos. 
No tinha contado a ele sobre sua inteno de sair. No o deixaria a ver navios, mas os planos que ela e Matt tinham feito eram importantes, tambm. Mal podia esperar 
para explorar o mundo.
    A cerimnia correu tranqila. Dex foi o padrinho de Matt, e Amber foi a madrinha de sua me. Ela no tinha aceitado totalmente a idia, mas foi cordial com Matt. 
No fez objees ao casamento, mas questionara Sara constantemente, at a noite passada, sobre a certeza de que aquele era o movimento certo. Vendo que sua me estava 
inflexvel, desistiu de boa vontade.
    Logo que as formalidades foram concludas, houve uma pequena recepo. Sara e Matt convidaram cerca de 12 amigos cada um. O hall da igreja foi suficiente para 
todos. Uma msica suave tocava ao fundo. O buf havia preparado um leve almoo, que foi completado com um bolo de casamento.
    A certo ponto, durante a recepo, ela e Matt ficaram separados. Sara falou com velhos amigos, riu da provocao de seus companheiros de trabalho e manteve um 
olho nas coisas para ter certeza de que todo mundo estava gostando do evento.
    J sentindo a falta de Matt, ela o viu conversando com Dex e foi na direo deles. Estavam de costas para ela, mas ela no ligou. Iria simplesmente deslizar 
para o lado dele e ver quanto tempo demoraria a not-la.
    - ...acreditar que o playboy do mundo ocidental  agora um homem casado - Dex estava dizendo enquanto ela se aproximava. Sara sorriu. Ento Matt tinha fama de 
playboy'? Interessante. Veja como ele rapidamente a tinha conquistado no cassino em Reno.
    - Por que no? Sara  perfeita para mim. Ela j teve sua famlia, no anda gemendo por a para ter uma casa com cerca de madeira branca. Ela quer viajar e ns 
todos sabemos que meu trabalho me coloca na estrada trs semanas por ms. Estou dizendo, Dex, ela  a melhor coisa que j me aconteceu. Ns podemos explorar cada 
cidade para onde eu for designado, e viajar para outras quando pudermos. E ainda temos uma base aqui em So Francisco. O que h para no se gostar na vida de casados?
    - Nada de crianas?
    Sara hesitou um instante. Eles no tinham falado sobre filhos. A nica referncia que Matt fizera fora um comentrio qualquer sobre como ele no poderia se imaginar 
sendo pai. Ser que ele iria querer filhos?
    - Esta  a beleza disso tudo. Ela j tem sua famlia, Amber est crescida e no precisa de uma me que fique em casa. E vamos encarar, voc consegue me imaginar 
pai? - perguntou Matt.
    - No deixe seu passado colorir seu futuro, amigo disse Dex. - Voc tambm nunca se imaginou como marido, e a est voc.
    Passado? O comentrio mexeu com Sara. Matt dissera que tinha sido criado por um tio. Haveria acontecido algo com ele para faz-lo no querer ter filhos?
    Ele se virou e a viu, seu sorriso leve tornando seus pensamentos sentimentais.
    - Venha c, senhora Tucker, Dex estava acabando de me dizer como ele est com inveja de ns.
    Dex levantou a taa num brinde silencioso.
    - Desejo a vocs dois uma vida longa e feliz juntos.
    - Obrigada, Dex. Suspeito que verei muito voc ao longo dos anos, j que voc e Matt so bons amigos. Voc sempre ser bem-vindo em nossa casa - disse Sara, 
aproximando-se de Matt enquanto ele colocava o brao sobre o ombro dela.
    - Me? - Amber juntou-se a eles. Ela sorriu para Matt e Dex. -  hora de cortar o bolo e depois vocs dois tm que ir embora. Seu avio parte em menos de quatro 
horas.
    Enquanto ela e seu novo marido iam cortar o bolo de casamento, Sara fez uma anotao mental para perguntar a Matt mais tarde sobre o comentrio de Dex. Mas havia 
muita coisa acontecendo agora para ter uma conversa que provavelmente eles deveriam ter tido antes.
    Quando chegou a hora de jogar o buqu da noiva, Sara o jogou sobre a cabea, direto nos braos de sua melhor amiga do trabalho. Ela riu quando Mary Ellen olhou 
diretamente para Dex. Talvez o amigo de Matt fosse o prximo a subir ao altar.
    Meia hora mais tarde, Matt disse a ela que era hora de irem. Sara encontrou Amber e Jimmy perto da beira do grupo. Ela deu um grande abrao em sua filha, depois 
em Jimmy.
    - Seja feliz, me - disse ela.
    - Cuide dela, senhor - disse Jimmy a Matt.
    Sara teve de sorrir, tocada por Jimmy sentir a necessidade de ser protetor.
    - Tenho certeza de que serei to feliz quanto voc - replicou Sara.
    - Pelo menos voc e seu marido vo construir um lar juntos. Jimmy ainda pensa nas barracas do exrcito como casa, e  como se ele estivesse me visitando quando 
vem para casa - Amber falou de cara feia.
    - Ei, Amber, eu j expliquei isso a voc. No  para sempre - Jimmy protestou.
    - Benzinho, assim que essa misso tiver terminado, ele ser transferido para os Estados Unidos e vocs podero conseguir um lugar para morarem juntos. Voc volta 
para a Alemanha em breve, no? - perguntou Sara a Jimmy.
    - Em duas semanas. Enfim, estou com voc neste fim de semana, Amber - disse ele, jogando o brao por cima de seus ombros.
    - A est - disse ela, sorrindo para ele. Olhando para Sara, ela disse:
    - Estamos bem. E quanto a voc, divirta-se em Londres. Sei que sempre quis ver o Big Ben, a Abadia de Westminster e as jias da Coroa.
    Em meio a cumprimentos e agitao, Matt e Sara seguiram para o carro. As malas foram feitas antes da cerimnia. Eles estavam prontos para ir para o aeroporto 
- e para sua nova vida juntos.
    O sentimento vago de incerteza tinha ido embora. Com o compromisso de fazer seu casamento ser a melhor coisa do mundo, Sara olhou para a frente, para o incio 
de sua vida com Matt. Seu anel brilhava  luz do dia, com o diamante e o crculo de ouro. Eles estavam unidos para sempre. Ela esperava que fossem to felizes para 
sempre como estavam sendo naquele dia.
    Era de manh quando aterrissaram em Londres, mas Matt no perdeu tempo em lev-la ao hotel e para a cama. Sua experincia em fazer amor encantava Sara. Ela tinha 
apenas vagas lembranas de seu primeiro marido, mas no se lembrava de nada parecido com a paixo e a delcia que encontrou com Matt. Os longos e solitrios anos 
tinham merecido a espera, ela pensou na manh seguinte, saboreando todos os momentos d noite que passaram juntos. Rolar na cama enorme e encontr-lo ali era um 
prazer que ela queria repetir para o resto de suas vidas.
    Ele abriu os olhos, puxou-a para perto e comeou a beij-la como se tivessem todo o tempo do mundo. Entregando-se  alegria de seu toque, Sara percebeu que encontrara 
sua alma gmea.
    Os dias em Londres voavam. A principio, Sara tinha algumas reservas sobre passar uma lua-de-mel misturada com trabalho, mas Matt certificou-se de que teria um 
bom tempo para ficar com ela. Quando estava preso a um cliente, a empresa local tinha uma secretria que podia acompanhar Sara onde ela quisesse ir. Sendo nascida 
e criada em Londres, Talia Cummings era a guia perfeita.
    Embora gostasse de passear com Talia, Sara adorava os momentos que compartilhava com Matt. Eles foram a um show no West End, deram uma volta a cavalo no Hyde 
Park, visitaram as jias da coroa na Torre de Londres e tomaram ch com creme todos os dias.
    - Eu poderia muito bem morar aqui - disse Sara uma tarde, quando estavam passeando pela Harrods. Adoro Londres.
    - Ainda h muito mais para se ver. Em nossa prxima viagem, podemos sair da cidade - disse ele. - Pensei em me transferir para c, poderamos fazer daqui nossa 
base durante alguns anos.
    - Eu adoraria ver Stonehenge, os Cotswolds e Hadrian's Wall. Poderamos mesmo morar aqui? Eu iria visitar isso tudo.
    - Sem falar na Esccia e no Pas de Gales.
    - Ah, no me espanta voc ser o homem perfeito. Voc sabe muito bem como satisfazer uma mulher.
    - No apenas viajando, espero - disse ele, passando suavemente os dedos no rosto dela. Seu toque a fez esquecer o tabuleiro de xadrez que estava examinando e 
virar-se para ele. Ser que ele pensaria que ela era boba se sugerisse que voltassem ao quarto do hotel no meio da tarde?
    - No, no apenas viajando - respondeu ela, lembrando de suas noites juntos. Poderia a vida ser mais perfeita? Haviam ficado para trs as preocupaes que ela 
tivera a respeito de criar uma criana sozinha, de onde morar, de como suprir as necessidades bsicas. A sua luta fora recompensada e ela estava pronta para receber 
o prmio. E que prmio. Matt e Londres.
    - Quer tirar um cochilo? - perguntou ela, provocante.
    Ele sorriu aquele sorrisinho que fazia seu corao disparar.
    - Est com sono?
    - No exatamente - ela disse, os olhos fixos nos dele, vendo o brilho da chama do desejo.
    - Eu tambm no, mas acho que voltar para o quarto pode ser uma coisa muito boa.
    E foi mesmo.
    Sara nunca havia esperado que a vida fosse perfeita, mas a semana que passaram em Londres parecia ser to perfeita quanto possvel.
    Ela desejou que pudessem ter ficado mais tempo enquanto embarcavam novamente para So Francisco.
    - Como lua-de-mel, no poderia ter sido melhor - disse ela, aninhando-se nos braos de Matt enquanto o avio taxiava na pista. - Voc fala srio a respeito de 
encontrar uma casa aqui?
    -  algo para se pensar.
    O que ela faria com Amber?
    - Realmente, se eu no tivesse que trabalhar, teria sido melhor - disse ele.
    - Ah, foram s algumas horas aqui e ali. Fiz compras, coisa de que voc no gosta, ento foi perfeito mesmo.
     - Ento eu devo planejar sumir em outras viagens para voc poder ajudar a economia local fazendo compras? - perguntou ele, passando os lbios na testa dela. 
Sua mo apertou-a. - Gostaria que estivssemos sozinhos no avio - disse ele, o olhar fixo no dela. -  um longo vo at So Francisco.
     
    
   Captulo 4
   
    Quando aterrissaram em So Francisco estava chovendo. Passaram pela alfndega sem problemas e logo estavam no carro de Matt indo em direo  cidade.
    Sara estava quase dormindo. No dormira nada no longo vo e agora estava acordada h mais de 20 horas. Como Matt tinha conseguido ficar de p quando voltara 
de Amsterdam duas semanas atrs? Ela teria preferido ir direto para a cama.
    - Onde estamos indo? - perguntou ela. 
    Ele lanou um olhar para ela.
    - Para casa, onde mais?
    - E essa seria a sua casa ou a minha? - apesar de todo o tempo que haviam passado juntos desde que ele a pedira em casamento, no haviam feito nenhum plano slido 
sobre onde morariam. Primeiro, ela tinha se apressado por causa do casamento, depois conseguido seu passaporte e, por fim, trabalhado o mximo que pudera no escritrio.
    Matt tambm estivera igualmente ocupado e depois tinham ido para Londres. Como podiam ter deixado um assunto to bsico ficar tanto tempo sem ser mencionado? 
Agora a pergunta deveria ser respondida.
    - Na minha casa hoje. A menos que voc prefira ir para a sua.
    - Minha cama  pequena - disse ela, sentindo-se um pouco surrealista. Estavam casados h uma semana e nenhum dos dois tinha visto o quarto do outro, ele tinha 
uma cama enorme ou uma pequena de solteiro, como a dela?
    - Tenho uma king size. Vamos ter de nos apertar no meu apartamento at encontrarmos um lugar para ns dois. A menos que voc prefira que nos apertemos no seu.
    Sara considerou as possibilidades, mas nenhuma era uma boa escolha. Seu apartamento era mnimo. Pelo menos havia dois quartos, ento oferecia um pouco mais de 
espao do que o quarto-e-sala de Matt. Mas ela optou pela casa de Matt. A cama foi o que bateu o martelo. Eles no poderiam dormir na dela.
    Meia hora mais tarde ele entrou na garagem. Sara estava quase dormindo e teve de se forar a sair do carro. Quanto tempo ela poderia esperar at ir para a cama?
    Subiram em silncio pelo elevador. Na porta, Matt largou as malas. Ele destrancou a porta e a abriu, surpreendendo Sara ao levant-la do cho e carreg-la para 
dentro.
    - Uau - disse ela, rindo para ele.
    - Bem vinda  nossa casa, sra. Tucker - disse ele, colocando-a de p e beijando-a.
    O cansao de Sara sumiu imediatamente. O toque de Matt era mgico para ela. Passando os braos pelo pescoo dele, ela o beijou de volta.
    Quando terminaram o beijo, ele rapidamente pegou as malas e fechou a porta para o mundo.
    
    Na manh seguinte Sara foi quem levantou primeiro. Ela ficou deitada, aninhada nos braos de seu marido, maravilhada com as mudanas que haviam acontecido em 
sua vida no ltimo ms. Ainda no acreditava que estava casada. Nem que estivera em Londres. Infelizmente, as luas-de-mel no duram para sempre. Tinha de voltar 
ao trabalho hoje. E sabia que haveria uma pilha de trabalho esperando. Sua assistente no tinha experincia para lidar com os livros-caixa de clientes mais complexos. 
E at o material daqueles com quem ela podia lidar, Sara teria de revisar tudo e dar sua aprovao.
    Vagarosamente ela olhou o quarto. Era espartano e austero. Uma cama, um guarda-roupa e uma mesa-de-cabeceira com uma lmpada. Ser que Matt se importaria se, 
quando tivessem a casa deles, ela a tornasse um pouco mais aconchegante? Ela no gostava de uma aparncia desarrumada, mas queria colocar algumas fotos na parede.
    A vista do apartamento era espetacular. Talvez fosse por isso que ele no tivesse fotos. No tinha cortinas nas janelas. A vista panormica da baa de So Francisco 
e da ponte Golden Gate Bridge era sempre uma viso da qual ela nunca se cansava. Esperava que pudessem conseguir uma vista parecida em seu novo apartamento.
    - Vamos fingir que no voltamos na noite passada, - disse Matt suavemente.
    Ela olhou para ele, excitada com o desejo que viu cm seus olhos. 
    - E?
    - E ficar bem aqui o dia inteiro - ele a puxou para perto de si e a beijou, as mos movendo-se nela, tocando-a como fizera tantas vezes durante a ltima semana. 
Cada clula sua ficava em alerta enquanto as carcias aumentavam.
    Ela riu suavemente.
    - Eu adoraria no fazer nada alm disso, mas h muito trabalho a ser feito.
    - Sabia que voc diria isso - ele no fez meno de parar.
    - Mas no preciso chegar antes das nove - disse ela sugestivamente e comeou a acariciar o peito musculoso de Matt.
    - Ainda  cedo demais - disse ele antes que sua mo a cobrisse a dela.
    - Precisamos encontrar um lugar maior - disse Matt mais tarde enquanto preparavam o caf. Sara estava tentando encontrar comida suficiente para os dois no armrio 
da cozinha. Nada de ovos, cereais ou leite fresco. Ela encontrou alguns bagels no freezer e teve de se virar com eles e um pouco de queijo.
    Matt fez o caf, esbarrando nela mais de uma vez. Ela no conseguia saber se era deliberado ou no, mas no se importava.
    - Onde voc quer morar? - perguntou ela.
    - Aqui em So Francisco, mas num lugar maior at que decidamos sobre ir ou no para Londres. Vou conferir com o administrador e ver se h algum outro apartamento 
disponvel em outro andar.
    - E se no houver? - mesmo que gostasse da idia de mudar-se para Londres, tinha pedido a ele para levar as coisas mais devagar. Ela ainda tinha que pensar em 
Amber.
    - Ento teremos de alugar em outro lugar. E voc? Alguma sugesto?
    - Ser que conseguimos algo na rea da marina? - Ela sempre gostara de caminhar de seu apartamento at a baa para ver a vista. Devia ser maravilhoso poder morar 
onde pudesse ver a vista de sua prpria casa. Mas os apartamentos e casa ali eram extremamente caros.
    Ele olhou para ela pensativo.
    - Sara, eu tenho dinheiro suficiente para assegurar que podemos morar onde voc quiser.
    - Ah - eles no tinham falado sobre finanas. Na verdade no tinham falado sobre muitas coisas bsicas. Haveria muito tempo para isso, ela pensou.
    - Vou conferir com a administrao e, se no houver nada neste prdio, vamos sair daqui. Gostaria de encontrar um lugar logo, de modo que a gente possa reunir 
a famlia.  pouco eficiente ter dois lugares separados - ele resolveu.
    
    Uma semana longe era muito, Sara pensou enquanto entrava no escritrio s nove horas. Ela tinha mais trabalho do que pensara esperando por ela e talvez no devesse 
ter sado antes do fim da estao de impostos. Um tempo longe do escritrio a essa altura no havia sido uma grande idia. Agora ela teria de pagar o pato.
    - Ah, Sara - o sr. Pepovich parou na soleira da porta. 
    Sara sorriu para seu chefe.
    - Ol, senhor. Pelo visto, o senhor se saiu muito bem sem mim - disse ela, colocando a bolsa na prateleira do alto, como sempre fazia.
    - Nem um pouco, minha cara. Provavelmente h mais trabalho do que voc espera, mas para dizer a verdade h poucos contadores nos quais eu confio tanto quanto 
em voc - disse ele. - Espero que perceba que empregada valorosa voc  - ele continuou com um pequeno sorriso. - Na verdade, talvez seja at melhor do que eu pensei 
que era. Fico feliz por ter voltado!
    - Obrigada,  bom estar de volta.
    Sara chamou sua assistente e comearam a revisar o que acontecera em sua ausncia. Ocasionalmente durante o dia ela pensava na semana que passara em Londres, 
mas aquilo j parecia um sonho. S a pilha de trabalho  sua frente parecia real.
    Sara ainda estava trabalhando s seis da tarde quando o telefone tocou.
    - Me? Eu no sabia que voc tinha voltado. Deixei vrias mensagens, voc no recebeu? - era Amber.
    - Oi, querida. Ainda no cheguei em casa. A nossa casa, quer dizer. Chegamos na noite passada e ficamos na casa de Matt. - Sara reclinou-se na cadeira.
    - Era muito tarde para ligar? - reclamou Amber. - Seu vo atrasou?
    Oops. No, eles no tinham chegado muito tarde para telefonar, mas qualquer idia de entrar em contato com sua filha tinha sumido quando Matt a beijara. Como 
uma me poderia explicar aquilo?
    - Desculpe. Mas no se preocupe, chegamos bem em casa. E voc, como vai?
    - Bem. Voc se divertiu? - perguntou Amber.
    - Sim. Londres  uma cidade mgica. - Ela gostara de cada momento passado com seu novo marido.
    Pensar em Matt a fez esquentar. Ela empurrou a pasta na qual estivera trabalhando. Aquilo podia esperar. Assim que terminasse de falar com Amber, iria para casa.
    - Quer me encontrar para jantar ou almoar ou algo assim? - Amber pediu.
    - H algo errado? - Sara imediatamente mudou para o modo de funcionamento Me.
    Amber riu. 
    - No, mame, nada errado. S estou querendo saber de tudo sobre a vida de casada e a lua-de-mel em Londres. Claro, se voc no tiver tempo eu entendo.
    - Vamos almoar amanh - disse Sara firmemente, marcando em sua agenda. Ela se lembrou de que sexta-feira era o dia em que Amber no tinha aula. - Me encontre 
no Pelican Room, na Montgomery Street s 1 l:30h, assim fugimos do rush.
     - timo. D um al ao meu novo pai por mim. 
    Sara sorriu com a idia estapafrdia. Ela mal podia imaginar a cara que Matt faria se Amber realmente comeasse a cham-lo de pai. Diria que no conseguia se 
imaginar como pai. Ela tambm no. Ele era muito excitante e livre para ser um pai que jogava bola com os filhos, ou comparecia a compromissos escolares.
    Matt ficou de p  janela olhando para a baa. Estava escuro, j passava das seis, e onde diabos estava Sara? Tinha tentado ligar para o escritrio dela mais 
cedo, mas ningum atendeu. Obviamente a recepo havia fechado para a noite. Mas se ela estava trabalhando at tarde, precisava de um telefone celular para que pudesse 
encontr-la.
    E ela precisava se lembrar de que agora era casada e tinha algum se preocupando com ela quando no estava onde ele pensava que ela deveria estar.
    Haveria um perodo de ajustes entre eles. Sara trabalhava muitas horas na temporada de impostos, ela tinha dito. Mas ouvir e experimentar eram coisas diferentes.
    Ele a queria em casa com ele.
    Ele a teria levado para trabalhar com ele se pudesse.
    A primeira coisa que faria esta noite seria conversar sobre a idia de ela deixar o trabalho para que pudessem ficar juntos quando ele estivesse livre. Havia 
muito a fazer para encontrarem um novo apartamento, se instalarem. Ele ainda queria morar em Londres, mas ela tinha pedido tempo - ainda estava cuidando da filha. 
Mas Amber estava casada e ele suspeitava de que no precisaria mais da me tomando conta dela. No passaria muito tempo at que Sara quisesse se mudar. Ele podia 
ser paciente quanto a isso.
    Ele ouviu a chave na fechadura. Sua sensao de ansiedade sumiu. Virando-se, cruzou o aposento e abriu a porta, olhando para ela.
    Sara era bonita demais. Abriu um sorriso largo e jogou-se nos braos dele, ansiando por beij-lo selvagemente. Matt imaginou se ela gostaria de adiar o jantar 
enquanto se voltavam em direo ao quarto.
    - Achei que voc no chegaria nunca - disse ele alguns momentos mais tarde quando Sara tirou o casaco e jogou uma pesada maleta na cadeira.
    - Ainda tenho quilos de trabalho a fazer. Mas queria vir para casa ficar com voc - disse ela, acariciando seu rosto com os dedos.
    Ele pegou a mo dela e beijou a palma, precisando de contato fsico com ela. Nunca esperara sentir essa falta quando ela estivesse ausente. Nem se sentir to 
conectado quando ela estivesse com ele.
    - No tenho mais nenhuma comida na casa. Vamos ter que sair para jantar - disse ele, esperando que ela preferisse pedir alguma coisa por telefone.
    -  sempre assim, voc come fora o tempo todo? - perguntou ela, chutando os sapatos.
    - Sim, para mim funciona bem.
    - Bem, agora voc tem uma esposa que gosta de cozinhar, ento no precisamos sair o tempo todo. Quero mudar de roupa antes de fazer qualquer coisa - disse ela, 
indo para o quarto.
    J que ela tinha mesmo de tirar as roupas... Ele a seguiu at o quarto.
    Algum tempo depois Matt dirigiu at um pequeno restaurante chins na Lombard Street. Enquanto comiam, Sara disse:
    - Tenho de passar no apartamento e pegar mais algumas roupas. Amber ligou hoje. Ela tinha deixado algumas mensagens na secretria eletrnica, preciso ir at 
l e ver se mais algum telefonou.
    - timo - contanto que ela no ficasse no apartamento, eles poderiam passar l quantas vezes ela quisesse. Ele gostava de t-la em sua casa. E em sua cama.
    - Tambm precisamos parar no supermercado para comprar comida - ela acrescentou.
    - Hoje  noite?
    - Sim. O que voc est pensando em tomar no caf da manh se no comprarmos algo?
    - Podamos comer fora.
    - Voc  feito de dinheiro? - perguntou ela. 
    Matt ficou quieto. Eles nunca haviam conversado sobre dinheiro com detalhes. Ele suspeitava de que Sara no fizesse idia de quanto dinheiro ele tinha. A Aste 
era uma empresa muito bem-sucedida. Ele, Dex e Tony faturaram milhes nos primeiros cinco anos na empresa. E ele no tinha gastado muito. Mesmo se largasse o trabalho 
hoje, teria dinheiro suficiente investido para viver confortavelmente para o resto da vida.
    Ele procurou a mo dela.
    - Sara, tenho dinheiro suficiente para qualquer despesa que surgir. Se quisermos comer fora todos os dias, podemos. Se quisermos contratar uma cozinheira, tambm 
podemos. Se voc quiser cozinhar, para mim tudo bem, mas s se voc quiser.
    - No tenho certeza de que posso compreender isso - disse ela, - Durante tanto tempo catei as moedas para conseguir comprar as refeies. Foi to difcil quando 
Amber era pequena. Ns no morvamos num bairro bom nem tnhamos dinheiro suficiente para os brinquedos que gostaria de ter dado a ela. s vezes, eu tinha de andar 
at a escola e depois at o trabalho porque no podia pagar a passagem de nibus.
    - Agora voc no tem mais problemas de dinheiro - disse Matt.
    - No, ganho bem agora, mas ainda presto ateno onde gasto o dinheiro.
    - Eu quis dizer comigo - disse ele. 
    Ela parecia ter dificuldade para se lembrar de que eram casados, que eram uma dupla que dividia tudo. Ele no precisava que sua mulher trabalhasse. E ela nunca 
mais precisava se preocupar novamente com dinheiro.
    - Ah. .
    - Eu queria que voc soubesse disso para no se preocupar quando for sair do emprego.
    - Sair do emprego? 
    Ele assentiu.
    - Ns falamos sobre isso, lembra? Assim voc pode viajar comigo.
    - Eu me lembro.
    - Mas? - Matt no gostou do olhar teimoso que apareceu em seu rosto. E nem de ela ter retirado a mo.
    - Mas no ainda - disse ela, comeando a comer novamente.
    - Por que no? Vou pegar outro trabalho em breve. Deus sabe onde, mas voc vai querer ir, no vai?
    Ela assentiu.
    - Se eu conseguir uma folga.
    - Se conseguir uma folga? Sara, vamos l. Saia desse maldito emprego e venha comigo.
    - Voc no sabe se vai mesmo pegar outro trabalho em breve. Alm do mais, no posso deixar a empresa na mo nessa poca do ano. Voc sabe que  a poca mais 
ocupada. - O tom dela era razovel, mas ele no gostava do que ela dizia.
    - Eles encontraro outro contador.
    - Meu chefe me disse hoje que tenho muito valor para ele.
    - Ele tem toda a razo. E j deveria ter dito isso h muito tempo. - E tambm deveria ter aumentado o salrio dela. Diabos, torn-la scia. No, no isso. Uma 
sociedade seria difcil de ser rompida.
    - Talvez o fato de eu estar fora por uns dias o tenha ajudado a perceber isso - disse ela sorrindo. - Coma, Matt. Podemos conversar sobre isso depois. Ainda 
temos de ir ao supermercado, esqueceu?
    Matt comeu o resto da refeio em silncio, examinando sua nova mulher. Aquela conversa no tinha corrido do jeito que ele queria. Pensara que ela ficaria emocionada 
ao compreender que dinheiro no era problema. Ficaria feliz por deixar o trabalho e planejar a prxima viagem juntos.
    Em vez disso, ela agia como se ele estivesse sendo pouco razovel esperando que ela largasse o trabalho para viajar. Que sempre foi o que ela queria.
    Mulheres. Ele sabia que jamais as entenderia; Onde estava a lgica daquele pensamento?
    Sara comeu, forando a comida a descer. Tinha o gosto de papelo. Tentou manter um sorriso brilhante no rosto, mas foi um esforo. Ficava em pnico com a idia 
de sair do emprego. Dedicou muito empenho para entrar na faculdade, conseguir o diploma e depois o emprego na firma. Como ela poderia simplesmente ir embora?
    O que aconteceria com ela se Matt a abandonasse?
    Aquele pensamento a impressionou. Olhou para o prato, sem ver os rolinhos primavera e a carne de porco, mas sim enxergando Bill abandonando-a, a ela e a Amber. 
Vendo os anos de esforo que tivera de fazer sem ningum para ajudar. Vendo o medo que vivia com ela h tanto tempo.
    Como poderia temer que Matt fosse embora? As circunstncias eram totalmente diferentes. Ele no era nenhum garoto que tinha acabado de sair da escola, mas um 
homem que sabia o que queria. E ela no era a me adolescente de uma criana lutando para sobreviver.
    Ainda assim, precisava que a segurana provasse ser mais forte do que esperava. Uma coisa era ele dizer que tinha dinheiro, e outra bem diferente ela ser dependente 
do dinheiro dele. E se ele fosse embora?
     - Terminei - disse ela, empurrando o prato. Seu apetite tinha sumido. A felicidade que borbulhara em torno dela durante semanas evaporara. Pela primeira vez 
ela olhou bem para onde estava e o que havia feito.
    Casara-se com um homem que mal conhecia. At agora a vida de casada havia sido perfeita. O que aconteceria se no fosse como eles queriam? Como encarariam os 
tempos difceis - unidos ou divididos?
    Ousaria arriscar a segurana dela com um homem que mal conhecia?
    Amava Matt, mas enquanto o observava chamar o garom e pedir a conta, percebeu que ele nunca havia dito que a amava. 
    No seja boba, censurou-se enquanto saam do restaurante. Claro que ele a amava. No provara aquilo de vrias maneiras? Os homens no eram to livres com as 
revelaes emocionais como as mulheres. O fato de ele no ter dito as palavras no significava nada. Obviamente no, j que hoje era a primeira vez que ela sentia 
falta daquilo.
    - Aonde vamos primeiro,  sua casa ou ao supermercado? - perguntou ele enquanto abria a porta do carro.
    - Minha casa. Vamos ver o que posso levar para seu apartamento e assim fico sabendo o que vamos precisar comprar no supermercado.
    - Nosso apartamento - ele murmurou.
    - Ops, desculpe. - Ela levaria um tempo para se acostumar a estar casada. E quanto antes encontrassem um lugar que fosse dos dois, mais fcil seria. No importava 
o que ele dissesse, o apartamento parecia dele. Assim como o dela era dela. Nem ficar na casa dela ele queria; ela pelo menos tinha se comprometido o suficiente 
para concordar em se mudar para o dele at que encontrassem um lugar maior.
    
    Na manh seguinte Sara estava ocupadssima. Seu trabalho parecia ter se multiplicado durante a noite e ela ficava imaginando que, se dormisse no escritrio, 
iria encontrar gremlins produzindo novas contas a cada noite.
    Apesar do aumento no volume de trabalho, saiu com tempo suficiente para almoar com Amber. Uma semana e um dia desde o casamento era um dos perodos maiores 
em que ficara afastada da filha. Sentia a falta dela. Pensava que seria bom morar em Londres, mas agora no tinha certeza. Amber estaria longe demais. Eles no precisavam 
decidir imediatamente.
    Hoje ela queria saber de todas as novidades, como as aulas estavam indo, se ela e Jimmy sabiam algo mais sobre onde seria sua prxima locao. Para ver se ela 
tinha alguma pergunta, agora que era uma mulher casada, que no teria antes.
    Sara chegou antes de Amber e pegou uma mesa tranqila no fundo. Acenando quando viu a filha, levantou-se e abraou-a.
    -  to bom ver voc, querida - disse ela, fazendo um carinho nos cabelos louros de Amber.
    - Que bom ver voc, mame. Uau, parece dez anos mais nova. Estar casada combina com voc.
    - Com Matt, sim - Sara confirmou, sentando-se. Quando Amber sentou-se, Sara examinou-a. Voc parece cansada, querida. 
    - Um pouco. O semestre vai terminar logo e estou estudando muito para as provas.
    Assim que pediram, Sara sorriu para sua filha.
    - Como est a vida de casada? - perguntou Sara, esperando um relato brilhante, como o que ela daria se perguntassem a ela.
    - Bem. Mas no  o que pensei que seria - disse Amber, examinando o menu.
    - S bem? - Nunca em seus sonhos mais malucos Sara poderia qualificar seu casamento como bem. Ela sentia falta de Matt. At a diferena de opinies da noite 
passada fora uma pequena mancha no grande quadro de felicidade que viviam. Como se ele estivesse querendo fazer as pazes, fizeram um amor fantstico depois daquilo.
    - Na verdade, no me sinto muito casada. Jimmy fica na base o tempo todo. Ele passa os finais de semana comigo, mas diz que  muito problemtico enfrentar o 
trnsito para chegar  minha casa durante a semana, quando ele tem de estar de planto to cedo na manh seguinte - Amber bebeu sua gua e olhou em torno no restaurante. 
Voltando os olhos para a me, deu de ombros. - Acho que pensei que tudo seriam fogos de artifcio. Em vez disso, ainda estou estudando e ele ainda est no exrcito. 
Ele volta  Alemanha dentro de uma semana.
    - Vai ser diferente quando vocs dois morarem juntos - disse Sara, imaginando por que Jimmy no estava se esforando para passar mais tempo com Amber o quanto 
fosse possvel antes de voltar para a Alemanha. Ficariam separados seis meses quando ele partisse.
    - Eu sei. Quando ele for transferido, espero que sejamos colocados em algum lugar longe da Califrnia - disse Amber.
    - O qu? - Sara sabia que havia uma grande possibilidade de que fossem colocados fora da Califrnia. Ela no queria pensar em no estar prxima a Amber. Mas 
ouvir sua filha falar aquilo a surpreendeu.
    - Virgnia est me deixando louca. Ela est sempre passando na minha casa, trazendo coisas para comer como se eu no soubesse cozinhar ou algo assim. "Jimmy 
adora meus brownies", ou "Jimmy no se cansa de comer minha torta de limo". Deus do cu, ele mal come na minha casa. Ns samos no fim de semana e ele fica na base 
o resto do tempo.
    - Ele  o nico filho de Virgnia, ela provavelmente fica feliz por ele estar de volta por um tempo e s quer fazer as coisas para agrad-lo - disse Sara com 
gentileza, lembrando o quanto Virgnia Woodworth podia ser super protetora.
    A comida foi servida e elas comearam a comer. Amber olhou para a me e sorriu.
    - Ento me conte sobre ser casada com aquele pedao de mau caminho e como foi sua lua-de-mel.
    -  maravilhoso estar casada com ele. E a lua-de-mel foi tima. Ns vimos e ouvimos o Big Ben tocar. Passeamos pela Abadia de Westminster e fomos at as casas 
do Parlamento. Voc sabia que queimavam as pessoas bem na entrada da igreja? Eu andei naquele nibus de dois andares e...
    - Me - disse Amber, rindo. - No quero a descrio de um passeio turstico, quero saber detalhes sobre voc e Matt.
    - Proibido para menores - disse Sara com satisfao.
    - Uau - a expresso de Amber se animou. - Me conte tudo.
    - No acho muito apropriado - Sara disse, depois riu. - Minha nossa, se eu tivesse alguma idia do que estava perdendo todos esses anos, teria comeado a namorar 
quando voc tinha um ano!
    - Duvido que voc tivesse encontrado muitos homens como Matt Tucker - disse Amber secamente. - Ele parece nico para mim.
    - Acho que voc est certa - disse Sara, sabendo que estava com um sorriso cheio de vida no rosto. Mas s pensar naquele homem fazia seu corao disparar. Ela 
olhou para o relgio. Ainda faltavam seis horas para v-lo novamente.
    
    J passava das oito horas quando Matt chegou em casa. Sara havia chegado mais de uma hora antes. Ela tinha se trocado e preparado o jantar. Quando ele no chegou 
s sete, comeou a se preocupar. Quando seu marido abriu a porta, sentiu uma onda de alvio.
    - Achei que voc tinha se perdido - disse ela, correndo para ele.
    - Dia difcil - disse ele, puxando-a e beijando-a. Depois levantou a cabea e cheirou o ar.
    - Algo cheira maravilhosamente bem, e no  s voc.
    - Nada demais, s fiz um espaguete com almndegas, po de alho e salada. Este fim de semana precisamos fazer um estoque em sua despensa. Nossa despensa - ela 
rapidamente se corrigiu. Aquela era a casa deles, at que encontrassem outra. Ela precisava se lembrar daquilo.
    Ele tirou a jaqueta e a jogou no sof.
    - No estaremos aqui no fim de semana. Faa suas malas, meu bem, vamos para Paris!
    - Matt, Paris! - Seu sonho favorito, visitar aquela cidade antiga, andar  beira do Sena, subir a Torre Eiffel e ver toda a Cidade Luz espalhada  sua frente.
    - No posso - o desapontamento era visvel.
    - Como assim, no pode? Voc disse que queria conhecer Paris.
    - Eu quero, mas no posso pedir mais uma folga. J tive duas semanas no ms passado. Esta  a poca mais atribulada para ns. No posso esperar que os outros 
faam meu trabalho.
    - Saia dessa droga desse emprego.
    Ela oscilou como se tivesse levado um tapa.
    -  minha carreira - disse ela com dignidade. - No estou pedindo a voc para deixar a sua.
    - A minha paga muito mais e oferece benefcios com os quais voc nunca poderia sonhar. Achei que voc queria ser livre como um pssaro, ir para onde e quando 
pudssemos.
    - Eu quero. Mas largar meu emprego...
    - Independncia  algo bom, Sara. Admiro voc por tudo o que fez da sua vida. Mas viva um pouco. Venha comigo - ele insistiu.
    Ela estava to tentada. Mas as dvidas cresceram. Sabia que tinham conversado sobre sua sada do emprego para poder ir com ele quando tivesse trabalho a fazer, 
mas de alguma forma ela pensara naquilo como um sonho. Ou como longas frias do trabalho. No tinha realmente pensado a srio em sair do emprego. E se alguma coisa 
acontecesse? Precisaria de uma forma de se sustentar. Tinha um bom emprego, o respeito de seu chefe e bons companheiros de trabalho. No podia simplesmente chutar 
aquilo tudo por uma ida a Paris.
    - No posso, Matt.
    - No pode? Ou no vai? - perguntou ele.
    - Seja razovel, trabalhei duro para chegar onde estou, no posso simplesmente deixar isso tudo para trs.
    - Planejamos viajar e ver o mundo juntos. Foi o que voc me disse que queria. - Ele tinha um tom duro na voz.
    - Eu quero isso. Posso conseguir mais uma folga depois de abril, de verdade.
    - Ento voc vai trocar Paris por uma pilha de formulrios de impostos?
    - Tenho certeza de que voc ir de novo antes de morrermos - disse ela, lutando para no se jogar em seus braos e concordar em fazer qualquer coisa que ele 
quisesse. - Voc no consegue enxergar o meu lado?
    - No - disse ele. - Eu tenho dinheiro, esse no  um problema. Voc disse que queria viajar, ento qual  o problema? Voc no precisa de uma carreira, a menos 
que seja a de viajante profissional. Com a qual voc nunca estar em casa o tempo todo para fazer os impostos de outras pessoas.
    O bip soou na cozinha. Sara girou, feliz com a distrao. Como poderia explicar inteiramente a necessidade de manter a carreira sem que precisasse discutir por 
causa de seu grande medo - o de que ele a deixasse um dia como o primeiro marido fizera?
   
   
   Captulo 5
   
    Sara tinha de dar crdito a Matt por no ficar voltando ao ponto. Ele tentou mais uma vez no jantar convenc-la a ir com ele a Paris. Quando ela recusou, ele 
deixou o assunto de lado, dizendo apenas que partiria na tarde seguinte.
    - Desculpe - ela repetiu.
    - Esquea. Voc est certa. Paris sempre vai estar l. Pedi a uma das secretrias da empresa para fazer uma lista de apartamentos para alugar aqui por perto, 
em nossa vizinhana. Quer ver isso hoje  noite?
    - Sim. - Qualquer coisa serviria para encobrir o desapontamento que sentia. Estava bastante dividida entre ficar e manter a carreira como garantia contra tudo 
o que pudesse acontecer, ou jogar tudo para o alto e ir embora com Matt.O que havia acontecido com a nova mulher, ousada e aventureira? Ela estava cautelosa demais.
    Assim que seus poucos pratos do jantar estavam lavados e guardados, Sara juntou-se a Matt no sof, olhando para as listas. Conversaram sobre a localizao de 
vrios apartamentos. Sara no conseguia deixar de notar os aluguis exorbitantes. Ela mordeu a lngua, mas no disse uma palavra. Matt havia deixado claro que ele 
podia pagar por aquilo, ento no seria ela a tornar isso um problema, mas estava espantada com a quantidade de dinheiro que gastariam todos os meses. Ela faria 
melhor mantendo seu emprego e talvez lutando por uma promoo.
    - Podemos dar uma olhada nesses aqui de manh - disse ele um pouco depois, indicando os que haviam circulado como sendo os mais cabveis, pelo menos no papel.
    Ela queria v-los pessoalmente antes de decidir qualquer coisa.
    - Vamos acordar cedo ento - ela sugeriu.
    - Boa idia - disse ele, puxando-a para seus braos. - O que significa que devemos ir para a cama mais cedo, certo? - Ele acariciou seu pescoo, causando tremores 
de excitao.
    Na manh seguinte, tomaram o caf-da-manh numa confeitaria perto do apartamento. Os croissants quentes eram enormes, leves e deliciosos. Sara poderia ter ficado 
ali a manh inteira, mas tinham uma agenda a cumprir. Matt ia partir naquela tarde para Paris.
    Assim que terminaram de comer, foram em direo ao primeiro item da lista. O lugar era timo, mas sem vista. A certa altura, Sara sacudiu a cabea para Matt 
e ele compreendeu rapidamente. Ele agradeceu ao administrador por mostrar-lhes o lugar e ento partiram em direo ao nmero dois.
    No incio da tarde, Matt comeou a olhar para o relgio.
    - O tempo est ficando apertado? - perguntou Sara, notando sua preocupao. Ela sentiu um aperto de pnico. No queria que ele partisse. Desejava estar indo 
com ele.
    - Este  o ltimo apartamento que temos tempo de ver hoje. Tenho de ir para casa e fazer as malas. Meu avio sai s seis.
    Sara parou no saguo do prdio.
    - Ento vamos para casa logo. No quero ver mais nada hoje. No sabia que seria to difcil encontrar algo de que ns dois gostssemos. Fiquei to feliz quando 
consegui meu apartamento que nunca imaginei que era uma sorte conseguir ao mesmo tempo tanto o que eu poderia pagar quanto o que eu gostava. Pena que no podemos 
alugar o apartamento ao lado do seu e derrubar uma parede.
    - Vamos encontrar algo. Hoje  s o primeiro dia. Voc pode olhar os outros enquanto eu estiver fora. Se gostar de algum, vamos ver juntos assim que eu voltar.
    Ela assentiu, ainda sentindo a dor de desapontamento de que ele estivesse viajando to cedo depois de terem voltado de Londres. Devia ter esperado aquilo, Matt 
havia dito que s vezes mal tinha tempo de mudar de roupa antes de viajar novamente.
    Ela imaginou se conseguiria se adaptar a tais incertezas. Percebeu que gostava da rotina de seu trabalho, de seus hbitos dirios. Talvez estivesse se enganando 
dizendo a si mesma que era o tipo de pessoa livre e feliz.
    Logo ele j tinha partido. Sara sentou-se na sala vazia e imaginou o que faria com o resto de seu fim de semana. Fazer compras no tinha a menor graa. E nem 
ver apartamentos sem a presena dele. Se estivesse em sua prpria casa, haveria muito o que fazer.
    Talvez ela devesse voltar para seu apartamento. Poderia comear a embalar tudo para a mudana.
    A batida na porta surpreendeu-a. No estava esperando ningum.
    Abrindo a porta, Sara ficou cara a cara com uma jovem loura, de seios fartos, que estava usando uma blusa azul escura apertada e calas jeans.
    - Oi, o Matt est? - perguntou a mulher.
    - No, ele est a caminho de Paris.
    - Esse  um cara sortudo. Est sempre indo a algum lugar fabuloso, no  verdade? Voc  a ltima dele?
    - A ltima?
    - Namorada. Sou Leslie White. Ele e eu ficamos juntos h alguns meses. Acho que deixei meu batom favorito por aqui. No consigo encontr-lo em lugar nenhum e 
me lembro de t-lo usado uma vez quando estive aqui.
    Sara encarou-a.
    - No vi o seu batom - disse ela.
    Leslie levantou levemente a cabea.
    - Deve estar no banheiro, ou na mesa-de-cabeceira. Eu poderia dar uma olhada rpida?
    - Entre. - Sara deu um passo para o lado e fechou a porta atrs de sua convidada inesperada. Observou enquanto Leslie andava diretamente para o banheiro e, um 
instante mais tarde, ia na direo do quarto. Sara seguiu-a. Era claro que Leslie conhecia o apartamento. O que teria acontecido entre ela e Matt?
    Sara sentiu uma pontada de cimes. Essa mulher era jovem, bem-arrumada e bonita. Movia-se com segurana. Por um instante Sara pde visualizar Matt e Leslie juntos. 
Ela franziu a testa. Aquilo fazia parte do passado. Matt estava casado com ela agora.
    - Nada, no est em nenhum dos dois lugares - disse Leslie franzindo a testa. Ela olhou para Sara novamente. - Voc est ficando aqui? Vi umas coisas de mulher 
no banheiro. Matt normalmente no usa batom rosa.  
    - Matt e eu nos casamos. - Sara devia ter contado a ela desde o incio.
    - Casado? Matt? Sem chance! No acredito. - A surpresa no rosto de Leslie era quase cmica.
    - Uma semana atrs - disse Sara, resistindo  vontade de acenar com seu anel de noivado bem na frente do nariz de Leslie. A mulher mais jovem estava impressionada, 
com seus olhos grandes e expressivos e seus longos cabelos louros, bem diferentes dos seus prprios cabelos castanhos.
    - Nunca pensei que veria esse dia chegar. Se eu jamais tivesse acreditado que ele se amarraria em algum, teria me esforado mais. Que bom para voc ter pescado 
Matt.
    - Eu no o pesquei - Sara protestou.
    Leslie cruzou os braos sobre seu peito enorme e olhou em torno.
    - Nunca pensei que ele ficaria quieto tempo suficiente para se casar. Est sempre indo a algum lugar. Mas nos divertimos muito quando ele estava aqui. Droga, 
gostaria de saber onde est meu batom. Eles no fabricam mais aquela cor e eu a adorava.
    - Se eu achar, pode deixar que mando avisar - disse Sara, tentando no imaginar Matt com essa mulher mais jovem. Ele havia se casado com ela, no com Leslie 
ou com outra qualquer.
    Mas era difcil no se comparar a essa mulher bela, jovem e bem-vestida.
    - Claro. Ei, d os parabns a Matt por mim. - Leslie foi na direo da porta. - Ele saber onde me encontrar se voc realmente achar o meu batom.
    Ela saiu e Sara ficou de p onde estava. Tinha ouvido Dex cham-lo de playboy e, por um momento, sentiu-se estimulada pelo fato de algum como ele t-la escolhido. 
Mas no tinha certeza de como se sentia ficando cara a cara com algum que fazia parte do passado de Matt.
    O que ser que Matt tinha visto nela que o fizera propor casamento? Uma parte havia sido a atrao, ela sabia disso. E ele disse que sempre havia gostado da 
idia de ter algum para viajar com ele.
    Ela o tinha abandonado nesse front, recusando-se a ir para Paris. Era muito difcil para ela deixar de lado o que lhe era familiar e confortvel.
    Sem gostar do caminho que seus pensamentos estavam seguindo, agarrou a jaqueta e foi para o apartamento que tinha sido sua casa nos ltimos nove anos.
    Sara passou a noite em seu antigo apartamento cercada de coisas familiares. Enquanto adormecia, quase podia imaginar que o ltimo ms fora um sonho e que acordaria 
na manh seguinte de volta a sua velha rotina.
    Mas, na manh seguinte, comeou a embalar as coisas. Ao meio-dia, o quarto e a sala estavam despidos de fotos, objetos e livros, tudo empacotado em algumas caixas 
que encontrara.
    Encheu seu carro de roupas e voltou ao apartamento de Matt. Ela e Amber teriam de arranjar tempo para ver o resto do apartamento juntas. Amber tinha deixado 
a maioria de suas coisas em seu quarto quando alugou o apartamento tipo estdio perto da universidade.
    Sara queria conseguir um apartamento com quarto de hspedes para que Amber e Jimmy pudessem visit-los, se Jimmy fosse alocado em outro lugar. Matt tinha parecido 
concordar de maneira agradvel o suficiente quando ela propusera isso. Apenas sacudira a cabea novamente enquanto olhava para ela, dizendo de modo provocante que 
ainda estava surpreso por ela poder ser me de uma mulher.
    Ela o provocara de volta, chamando-o de papai, e rira alto quando ele parecera quase assustado.
    - Nunca me imaginei como pai - ele havia dito roucamente.
    - O que voc imaginava ser quando era criana? -perguntara ela.
    - Um pirata, na maior parte do tempo, ou um xerife numa cidade do velho oeste. At eu descobrir os computadores. Ento vi o que queria fazer na vida.
    Quando Sara chegou ao apartamento, a secretria eletrnica estava piscando. A voz forte de Matt surgiu quando apertou o boto.
    - Sara? - ele esperara alguns segundos. - Voc est a? Estou no hotel. - Ele forneceu uma srie de nmeros. Sara rapidamente encontrou um bloco e uma caneta 
em sua bolsa e escreveu-os, enquanto ele falava por mais alguns minutos, obviamente esperando que ela atendesse.
    Droga! No tinha pensado que ele iria telefonar quando chegasse a Paris. Ele provavelmente ficara imaginando onde ela estava. Calculando a diferena de fuso 
horrio, percebeu que j passava de meia-noite em Paris, muito tarde para ligar.
    Fez a mensagem tocar novamente, deliciando-se em ouvir a voz de Matt. Desejou que ele estivesse em ousa para falar pessoalmente com ela.
    Sara tentou encontrar Matt na manh seguinte, mas ele j tinha sado do hotel.
    - Provavelmente est trabalhando - disse ela a si mesma enquanto tomava seu caf-da-manh. A essa altura j era de tarde em Paris. Tentaria ligar do trabalho 
um pouco mais tarde.
    Apesar de ligar quase de hora em hora e correndo o risco de aumentar o gasto da conta telefnica na empresa, Sara no encontrou Matt. Na hora em que ela chegou 
em casa, estava frustrada. Onde ele estava? Ser que havia ficado aborrecido assim com ela por no estar em casa ontem? Ela ligou mais uma vez. No importava o fuso 
horrio, queria falar com ele!
    - Al - falou uma voz sonolenta.
    - Desculpe no estar em casa ontem para atender seu telefonema - ela disse, sentindo-se completa agora que o ouvia novamente. Mergulhou na cadeira e fechou os 
olhos, imaginando-o perto dela.
    - Sara, oi. Recebi seus recados. Tentei ligar mais cedo, mas algum disse que voc estava numa reunio.
    - No recebi esse recado. Como voc est? Desculpe t-lo acordado. - Estou com saudades, pensou.
    - Fico feliz por voc ter feito isso. Voc devia ter vindo, o tempo est incrvel para maro. As flores esto brotando por toda parte e nada est cheio demais, 
j que muitos turistas no se aventuram a vir aqui nessa poca do ano.
    - Tambm gostaria de ter ido - ela disse, imaginando o quanto poderia suportar ficar longe dele. - O tempo aqui est bom tambm. Parece at que j passamos da 
poca do incio da primavera.
    - Devo resolver as coisas at quinta-feira e ir para casa. Quero ver se podemos pegar emprestado o barco de Tony. Vamos velejar no sbado se o tempo ficar firme.
    - Parece divertido.
    - Onde voc estava quando liguei ontem? - perguntou ele.
    - Estava na minha casa, embalando as coisas. Preciso levar Amber para me ajudar a ver tudo, mas podemos fazer isso s quando voc e eu encontrarmos um apartamento.
    - Voc viu mais algum apartamento?
    - No, no tem graa sem voc.
    - Se formos velejar no sbado podemos passar o domingo olhando.
    - Certo. Estou com saudades, Matt. - Mais do que ela desejava. Contudo, sentia quase uma dor fsica com a falta que a deixava gelada. Ele se tornara rapidamente 
uma parte integrante de sua vida. No estava acostumada a ficar envolvida assim com ningum.
    - Sinto sua falta tambm, corao. Da prxima vez planeje vir comigo. H tantas coisas que queria te mostrar. Voc vai amar Paris.
    - Quero ver tudo.
    - Mas no at o fim do perodo de impostos - disse ele.
    Ela sorriu. Talvez ele finalmente estivesse entendendo.
    - Isso. Ah, uma amiga sua passou aqui - disse ela, lembrando de Leslie. - Estava procurando por um batom que achou que podia ter deixado aqui.
    Ele no disse nada. Sara desejou ter mantido a boca fechada. Mas tinha comeado e agora precisava terminar.
    - O nome dela  Leslie White.
    - Desculpe por ela ter incomodado voc. No acredito que tenha deixado nada a. - Seu tom agora era distante, no mais quente e ntimo.
    - No achamos o batom, mas eu disse a ela que entraria em contato se ele aparecesse. Ela disse que voc sabia como encontr-la.
    - Ela trabalha numa empresa com a qual fazemos negcios. Ns namoramos por um tempo. Mas no  algum para voc se preocupar - disse ele.
    - Humm... - ela desejou no sentir cimes, mas no conseguiu evitar. Pelo menos ele no deveria saber. - Faa uma boa viagem e corra para casa - disse ela, querendo 
mudar de assunto.
    - Ligo amanh  noite a esta mesma hora.
    - No,  tarde para voc.
    - Mas no podemos falar enquanto voc est no trabalho. E no vou esperar at quinta-feira para ouvir sua voz de novo. Ligo amanh.
    Ela desligou. Droga, devia ter ido com ele. Matt no era nada parecido com seu primeiro marido. As circunstncias eram totalmente diferentes. Ele no ia abandon-la. 
Tinha de acreditar naquilo.
    Tambm desejava no ter visto a garota bonita que havia sido namorada dele. No conseguia espantar a preocupao de que um dia ele acordaria horrorizado com 
o que havia feito e iria embora.
    Na quinta-feira Sara estava em suspenso esperando Matt chegar em casa. Mal podia se concentrar no trabalho. Olhava para o relgio a cada minuto tentando calcular 
quando o avio aterrissaria. Mal podia esperar!
    Subitamente houve uma comoo do lado de fora do escritrio. Levantou os olhos para ver seu marido passando pela porta.
    - Matt! - ela levantou-se da mesa.
    - Eu disse a Stacey que voc ficaria feliz com a interrupo - disse ele enquanto se abraavam. Ele a puxou para seus braos e a beijou longa e profundamente. 
O escritrio escureceu, o trabalho sumiu, havia apenas Matt e a sensao dele em seus braos, seu corpo rijo pressionado contra o dela, sua boca fazendo coisas maravilhosas 
com a dela. Suas mos segurando-a como se ele jamais a fosse deixar ir embora.
    - No sei quantas viagens vou suportar fazer com voc aqui e eu do outro lado do mundo - disse ele alguns minutos mais tarde quando, relutantemente, terminou 
o beijo. Ele encostou a testa na dela.
    Sara agarrou-se aos ombros dele, com medo de seus joelhos no agentarem. Ainda no poderia dizer nada a ele, mas tinha pensado bastante na situao durante 
os dias em que ele estivera fora. Decidira que iria avisar de sua sada assim que terminasse a estao dos impostos. Sentindo-se grata  empresa por dar a ela o 
primeiro emprego e as promoes que a levaram a essa posio que ocupava hoje, no queria deix-la numa hora crtica. Mas queria compartilhar a vida de Matt, e se 
aquilo significasse viajar pelo mundo, ento ela faria isso.
    - Estou to feliz por v-lo.
    - Voc pode sair agora? - perguntou ele.
    - Sim. Deixe-me pegar minha bolsa. - Ela nem arrumou a mesa, mas agarrou a bolsa e foi na direo da porta.
    - Volto amanh de manh - disse ela a Stacey.
    - Divirtam-se - disse a assistente com um sorriso largo.
    - Quer comer fora hoje? - disse Matt no elevador, enlaando seus dedos com os dela. - Estou louco por uma refeio rpida e depois quero ir direto para a cama.
    - Parece timo - ela apertou os dedos dele, imaginando o que ele diria se ela sugerisse que pulassem o jantar.
    Matt conseguiu pegar o barco de seu scio Tony no sbado e pela manh Sara acordou com uma sensao de antecipao excitada. Estava esperando velejar pela baa 
desde que ele sugerira a idia. Vestiu-se com roupas quentes. Apesar do sol brilhando e das temperaturas clidas de maro, estaria frio na gua.
    Quando alcanaram a Marina, Sara ficou surpresa com o barco polido e elegante. O mastro crescia sobre eles. Era espaoso e mesmo assim pequeno o suficiente para 
apenas duas pessoas lidarem com tudo. Quando Matt fez um tour com ela, achou que tinha todos os confortos de uma casa.
    Depois de explorar o interior da embarcao, foi para o deck onde Matt estava estudando mapas. O gentil balano do barco a fez sentir um pouco enjoada, mas ignorou 
aquilo. Era outra nova aventura. Teria muitas ainda a viver com Matt. Queria explorar tudo o que aparecesse em seu caminho.
    - No vamos apenas velejar? A baa no  profunda o suficiente para o barco ou h correntes em que devemos permanecer? - perguntou ela, olhando por cima do ombro 
dele para os mapas cheios de linhas.
    Ele virou-se e puxou-a, colocando um brao sobre os ombros dela.
    - A baa  surpreendentemente rasa em muitos lugares. Nada que faa o fundo de areia surgir da gua, mas suficiente para que possamos encalhar num banco de areia 
se no soubermos aonde estamos indo. Pensei em navegarmos at Sausalito e almoar l. Talvez possamos passar pela Golden Gate Bridge mais tarde.
    Ela olhou para a imensido de gua. Eles passariam bem perto da Angel Island, um paraso de preservao da natureza.
    - Parece bom. O que devo fazer?
    Matt deu a ela as instrues bsicas e logo eles partiram.
    Sara teve pouco a fazer quando chegaram  baa e sentou-se perto de Matt, gostando da sensao do vento soprando em seus cabelos. Ainda se sentia um pouco enjoada 
e tentou ignorar o fato, mas quando saram do abrigo da marina, o mar ficou mais forte. Pequenas espumas surgiram no topo das ondas enquanto velejavam, movendo-se 
para cima e para baixo no trajeto para a ilha.
    Logo Sara foi incapaz de fazer qualquer coisa alm de tentar se concentrar em no vomitar.
    - Voc est bem? - perguntou Matt, olhando para ela.
    - Ficarei bem- disse ela, respirando fundo novamente o ar puro. No podia ser uma marinheira ruim. Velejar era algo que Matt adorava. Queria fazer tudo o que 
pudessem juntos. Ela se acostumaria logo com o mar!
    - Voc parece enjoada.
    - Oh - com isso ela correu para o pequeno banheiro no barco e jogou fora seu caf da manh. Lavando a boca, foi na direo da pequena pia, olhando-se no espelho. 
Ela parecia horrvel.
    - Sara?
    Ela virou-se. Matt olhou para ela do lado de fora.
    - Voc est com enjo?
    - Acho que sim. O que voc est fazendo aqui?, Devia estar dirigindo o barco. - Vises dele batendo em algo cresceram em sua mente.
    - Eu soltei as velas. Vamos ser levados um pouco pela corrente, mas no h nada por perto. No achei que voc fosse enjoar - disse ele. - Vou ver se Tony tem 
algum remdio por a.
    -  a primeira vez que velejo, no sabia que ia reagir assim. J estou me sentindo melhor - disse ela, envergonhada por ser um problema num dia que tinha comeado 
to bem.
    - Quer voltar?
    Ela sacudiu a cabea, sentindo-se horrvel.
    - No. Vou superar isso, vamos para Sausalito, posso tomar algo l para a viagem de volta.
    Em pouco tempo Matt fazia o barco voar na direo de Sausalito. Sara ficou perto do parapeito, olhando para o horizonte distante. Lera em algum lugar que olhar 
o horizonte ajudava a combater o enjo. S que no parecia estar funcionando. Ela ainda se sentia horrvel.
    Festejou a chegada a terra firme com alvio. Pisando no cais, respirou fundo novamente, esperando que a sensao de enjo fosse diminuir agora que estava em 
terra firme. Em apenas alguns momentos ela se sentiu um pouco melhor.
    - Achei que poderamos comer num sushi bar por aqui - disse Matt depois de ancorar e amarrar o barco.
    A idia de comer peixe quase fez o estmago de Sara se revirar novamente.
    - No. Ainda no, Acho que preciso me acostumar com o mar antes que possa comer peixe. O que acho que gostaria  de um lugar onde pudesse tomar sopa.
    H muitos restaurantes a pouca distncia a p daqui. Vamos encontrar algo que a satisfaa.
    Caminharam pela cidadezinha, olhando menus nos bares ao ar livre. De vez em quando Sara olhava por rima do ombro para a silhueta de So Francisco. O ar que soprava 
da baa parecia frio, mas o sol mantinha as temperaturas confortveis.  medida que andava, comeou a se sentir melhor. Entretanto, temia a viagem de volta.
    Outro desapontamento. Talvez no estivesse to pronta para uma vida de aventuras quanto esperava. Tomara que Matt no estivesse aborrecido. Ela sentia como se 
seus planos estivessem se extinguindo um a um.
    Matt pegou a mo de Sara e subiu a Bridgeway Street. Ele estava desapontado por ela no se adaptar a velejar como ele. Tony raramente usava o barco desde que 
se casara. A irm de sua mulher usava cadeira de rodas, por isso eles no iam muito. Tony disponibilizou-o para Matt e Dex sempre que quisessem. Matt tinha pensado 
em levar Sara para velejar por um tempo maior, talvez numa viagem descendo at Monterey ou subindo para Fort Bragg.
    Mas se estava incomodada com o leve balano da baa, ela nunca sobreviveria s grandes ondas do Pacfico.
    Eles passaram por uma delicatessen e pararam.
    - Aqui tem sopa e sanduches, vamos experimentar. 
    Ela sorriu e assentiu.
    - Quero comer do lado de fora - disse ela, apontando para as mesas e as cadeiras no ptio lateral.
    Ele no conseguiu ter certeza se ela estava se sentindo melhor ou apenas tentando fazer uma cara boa. Ele a fez parar antes de entrarem, mantendo as mos em 
seus ombros.
    - Se voc no estiver se sentindo bem, posso ligar para Dex ou Tony ou outra pessoa para vir buscar o barco. No precisamos lev-lo de volta.
    - Na verdade estou me sentindo bem melhor. Desculpe ser um estorvo. Nunca pensei que enjoaria no mar.
    - Talvez voc s precise se acostumar.
    - Acho que sim.
    Ele novamente ficou maravilhado com a beleza dela e, quando ela levantou os olhos, eles estavam escuros de preocupao.
    - Eu realmente quero fazer isso.
    - D tempo ao tempo. Se velejar no combina com voc, vamos tentar outra coisa. - Ele no tinha certeza do qu. Amava a liberdade que o barco proporcionava. 
Se estivesse na cidade mais tempo do que ficava normalmente, pensaria seriamente em ter o seu prprio barco.
    - Vamos comer e veremos como me sinto. 
    Depois do almoo, Sara declarou que estava bem.
    Andaram pelas lojas na pequena mas charmosa comunidade. Matt comprou sorvete para eles e se sentaram em um dos muitos pequenos parques, aproveitando a vista 
da baa de So Francisco. Ele no insistiu sobre a viagem de volta, mas, se precisasse de algum para levar de volta o barco, queria ligar logo.
    Ela gostou de tudo o que fizeram desde que aportaram. Ele olhou em torno. Normalmente no teria passado tanto tempo num lugar turstico como aquele. Mas com 
Sara ele o via com olhos diferentes.
    A cidade estava limpa, fresca e bonita com todas as flores e parques. Com o sol brilhante e a brisa fresca, o dia era ideal. Aos poucos, ele comeou a relaxar. 
Jamais teria suspeitado um ms ou dois atrs de que estaria casado e contente em passar um dia sem fazer nada.
    - Pronto para ir? - perguntou ela.
    - Quer que eu ligue para algum vir buscar o barco?
    - No, j estou pronta para singrar os mares novamente! - ela sorriu e ficou de p. - Vamos, capito, nosso barco nos espera!
    Matt estava aliviado por v-la se divertindo na viagem de volta. O mar estava menos agitado e Sara at pediu um turno no leme. Ele ficou bem perto, no apenas 
para ajudar, mas por uma necessidade de estar perto dela. Ele a conhecia h apenas algumas semanas, mas, de alguma forma parecia que se conheciam desde sempre. Normalmente 
ele era do tipo ame-as e deixe-as, mas Sara era diferente. Ficar perto dela era diferente.
    Ele observou enquanto So Francisco chegava mais perto. No dia seguinte, continuariam a procurar um apartamento. Ele esperava que encontrassem algo de que os 
dois gostassem. Com muitas de suas coisas ainda no apartamento dela, parecia que ela estava apenas de visita em sua casa.
    - Isso  fantstico - ela falou, rindo. Ela olhava para o cais, vindo mais rpido do que se esperava. - Ai, meu Deus! O que fazemos agora? Vamos bater?
    - Ns dobramos as velas e controlamos isso - disse Matt, movendo-se. Ficaria tudo bem. Ela agora estava acostumada ao mar e eles poderiam fazer isso muito mais 
vezes durante o vero.
    Quando aportaram, ela lanou os braos em torno de seu pescoo.
    - Foi muito divertido. Acho que me acostumei com o mar na viagem de volta. Podemos sair novamente em breve?
    Ele olhou para ela por um instante longo. Os olhos estavam brilhantes, o sorriso aberto e as faces rosadas locadas pelo vento e pelo sol. Ele gostaria de v-la 
sempre assim, to excitada e feliz.
    Encontraram o apartamento perfeito na tarde seguinte, com dois quartos, uma grande sala de estar e uma cozinha grande o suficiente para os dois poderem se movimentar 
sem esbarrar um no outro. Ficava a apenas dois quarteires do apartamento de Matt e tinha uma vista parecida. Como estava vago, combinaram de se mudar logo, at 
o fim do ms.
    - O que nos d menos de quatro semanas - disse Sara enquanto voltavam para casa. - Terei de passar o prximo fim de semana arrumando as coisas e devo me certificar 
de que Amber pode estar l tambm.
    - Vamos pensar em dois meses. Assim vai dar tempo. S porque podemos nos mudar logo no significa que voc tenha de retirar tudo correndo de seu antigo apartamento 
at l.
    Boa idia. Ela danou pelo apartamento.
    - Estou to animada. Vamos ter nossa prpria casa. 
    Ele reclinou-se contra a parede e observou-a.
    - J temos nossa casa aqui. 
    Ela parou e olhou para ele.
    - Mais ou menos.
    - Como assim?
    - Na nova casa no haver a lembrana de outras namoradas - disse ela devagar.
    Ele ficou surpreso.
    - Voc faz parecer como se eu fizesse orgias aqui ou algo assim.
    - Voc fazia?
    Ele sacudiu a cabea.
    - Estou sendo boba - disse ela, indo ficar perto da janela para olhar para fora. - Mas depois da visita de Leslie senti como se eu fosse apenas uma entre muitas. 
Mal posso esperar para me mudar.
    Ele foi at ela, inseguro sobre o que dizer. No podia negar que Leslie havia estado ali. Como algumas outras mulheres ao longo dos anos.
    - Tudo isso faz parte do passado, corao. Se isso a faz infeliz, podemos ficar em sua casa at nos mudarmos.
    Ela o abraou.
    - No, vou ficar bem. S estou feliz por nos mudarmos. Voc no ter de ir a lugar nenhum antes disso, no ? No quero fazer tudo sozinha.
    - Vou me certificar de que estarei aqui para a mudana.
    
    
   Captulo 6
   
    Na tera-feira de manh Sara quase adormeceu no trabalho. Estava muito cansada. Estavam embalando a mudana desde domingo  tarde, ficando acordados at mais 
tarde para organizar as coisas, depois fazendo amor antes de irem dormir. Tinha mais trabalho do que conseguia fazer, mas depois do elogio de seu chefe no queria 
desapont-lo pedindo para passar algumas tarefas aos outros contadores.
    Levantou-se e caminhou, esperando acordar. Talvez um drinque suave com cafena ajudasse. No conseguia nem focalizar os nmeros.
    O telefone tocou. Ela o atendeu, ainda de p. Se no conseguisse fazer nada para se manter acordada, teria de fechar a porta e ver se um pequeno cochilo adiantaria.
    - Sara Tucker - disse ela.
    - Gosto do som desse nome - disse Matt.
    - Eu tambm. O que foi? Algo errado? - Ele raramente ligava para seu trabalho.
    - Nada errado, s uma inconvenincia - disse ele. Ela entendeu logo.
    - Outra viagem?
    - Estocolmo, mas apenas dois dias.
    - Voc disse que estaria aqui para a mudana.
    - Estarei, prometo. Vou levar um dos novos representantes comigo. Assim que tiver certeza de que ele conseguir lidar com tudo, volto para casa. Provavelmente 
no ficarei fora mais de dois ou trs dias.
    Ela no disse nada. O que havia a dizer? Era o trabalho dele. Sabia desde o incio que seria assim.
    Estocolmo.
    Olhou para a pilha de pastas, papis e livros de: impostos em sua mesa. Talvez ela devesse apenas dizer adeus agora e ir para a Europa com seu marido.
    Queria tanto ir que mal conseguia se controlar.
    - Sara? Desculpe.
    - Tudo bem, Matt. Eu estava s querendo poder ir.
    - Pea uma folga. 
    Era muito tentador.
    - No agora, no posso. Mas vou escrever minha carta de demisso mais cedo do que pensei.
    - Bom. Pea mesmo essa demisso. Vamos nos instalar em nossa nova casa e depois estaremos prontos para ir aonde for necessrio.
    - Espero que voc consiga logo outro trabalho em Paris.
    - Vou ver o que posso fazer.
    - Voc no vai sair antes do jantar, vai? - perguntou ela, imaginando de repente que ele estava ligando por causa daquilo.
    - No, vamos viajar amanh de manh. Mas achei que seria bom contar a voc logo. Assim voc gasta logo a sua raiva e ser uma mulher amorosa hoje  noite.
    Ela riu.
    - Voc ter sorte se eu estiver acordada o suficiente para ver voc fazer as malas. Estou com tanto sono esta tarde.
    - Vamos para a cama mais cedo hoje, prometo. 
    A conversa continuou mais um pouco para acordar
    Sara, e ela mergulhou novamente no trabalho com entusiasmo renovado. Quanto mais cedo terminasse, mais cedo iria para casa.
    Amber ligou assim que Sara e Matt terminaram de jantar.
    - Oi, querida - Sara saudou sua filha.
    - Mame, Jimmy vai partir amanh de manh.
    - Ah, cedo assim? Achei que ele tinha um pouco mais de tempo.
    - Eu tambm, mas eles o querem em outro lugar n gora. Espero que ele tenha mais sorte desta vez ficando num lugar s.
    - Ele est com voc agora?
    - No, est na base. Ns nos despedimos mais cedo. Estou chateada, mas no h nada que eu possa fazer. Acho que s queria chorar no ombro de algum.
    - Pode chorar. Isso realmente parece injusto. Mas ele vai estar em casa daqui a alguns meses e vocs dois vo conseguir sua prpria casa para morar, como Matt 
e eu.
    - Vocs encontraram um lugar? Oh, me conte - disse Amber entusiasmada.
    Sara passou os minutos seguintes contando tudo a ela sobre o novo apartamento, os planos para se mudarem e o trabalho de Matt.
    - Achei que voc estava planejando viajar com ele, me. At agora voc s foi a Londres. Diga a ele que pode me levar no seu lugar, se quiser.
    - E a escola? - perguntou Sara.
    - Estou brincando. As provas finais so daqui a duas semanas. Mas eu adoraria visitar Estocolmo, Paris ou qualquer lugar.
    - Vou dizer isso a ele. Quer jantar uma noite dessas enquanto nossos homens esto fora?
    - Claro. Vamos devorar uma pizza.
    - Eu ligo quando vir como esto as coisas no trabalho.
    Quando Sara desligou, Matt perguntou por Amber.
    - Ela est se sentindo solitria, acho. Jimmy vai partir amanh.
    - Ela pode ter sua companhia enquanto eu estiver fora - disse ele.
    - Ns marcamos mesmo uma pizza. E ela disse para voc pensar nela para uma excurso  Europa, quando as provas finais terminarem.
    - A nica que quero levar comigo  voc - disse ele, abraando-a.
    
    Na quinta-feira, Sara convenceu-se de que estava ficando doente. No se sentia nada bem. E estava cansada demais, apesar de dormir bastante todas as noites. 
Quando Stacey apareceu no escritrio a certa altura, ela olhou para Sara preocupada.
    - Tudo bem? Voc parece ter sado de um saco de ratos - disse ela com seu jeito direto.
    - Que maneira de me fazer um agrado. Estou me sentindo horrvel na verdade. Talvez eu devesse ir para casa. - disse Sara, reclinando-se na cadeira. Estava com 
medo de fechar os olhos e no conseguir mais acordar durante um ms.
    -  melhor passar na farmcia no caminho - disse Stacy.
    - Remdios para gripe, voc acha?
    - Teste de gravidez, acho.
    Sara encarou-a, o corao disparado.
    - Ns usamos proteo.
    - A nica proteo cem por cento garantida  no fazer nada. E suspeito, pelo marido sensual que voc tem, que este no  o caso. Voc pode estar doente com 
uma gripe ou resfriado, mas confira de qualquer forma - disse Stacey, pegando uma pilha de formulrios preenchidos e saindo.
    Sara estava pregada  cadeira. Ela no podia estar grvida. Ela j tinha sua famlia, que era Amber.
    Matt no queria filhos, nem ficar amarrado. Ele gostava da vida em alta velocidade, gostava de viajar para um pas diferente a cada semana. Gostava de velejar, 
esquiar e fazer sabe Deus mais o qu.
    Ah, Deus, no podia estar grvida. No podia passar por isso novamente, no na sua idade, no quando queria viajar e ver o mundo. Eles haviam falado em se mudar 
para Londres, e no sobre os cuidados e responsabilidades da maternidade. Queria uma chance de viver por si mesma, no era a hora de ter outra criana.
    Sentindo-se chocada, agarrou a bolsa e foi para casa, via farmcia. Tinha de saber. Se desse negativo, estava se preocupando por nada.
    Mas e se o teste desse positivo?
    Tentando no entrar em pnico at saber com certeza, Sara correu pela loja e quase voou para casa. Quando chegou l, fez o teste, prendendo a respirao enquanto 
esperava o resultado.
    Positivo.
    Ela teve vontade de vomitar.
    A ltima coisa que queria no mundo era comear outra famlia.
    O que Matt diria?
    Bill havia sido apropriadamente receptivo  novidade de que ela estava grvida. Em seguida a abandonara depois de apenas alguns meses com um novo beb em casa.
    O que Matt iria fazer? Ele no queria filhos. J haviam planejado seu futuro. Estava aborrecido com ela por ter adiado a sada definitiva do emprego.
    Ah, no. Outro problema. Ela ousaria desistir agora? E se terminasse sendo me solteira novamente? Precisaria do salrio que seu trabalho lhe dava. E do seguro 
de sade e da estabilidade.
    Andando pelo pequeno banheiro, Sara tentou pensar. Mas sua mente era uma confuso de pensamentos e no conseguia se concentrar em nenhum.
    Tinha de contar a Matt. Mas como?
    Tinha de decidir o que fazer. Ficar no trabalho? Viajar o quanto pudesse antes de o beb nascer? Ou o qu?
    Ser que o novo apartamento permitia crianas?
    Sara explodiu em lgrimas. Seus adorveis planos para o futuro tinham terminado e no sabia o que fazer.
    Pela primeira vez desde que conhecera Matt, Sara no queria v-lo. Esperava que sua viagem se complicasse e ele ficasse um ms em Estocolmo. No que a situao 
mudasse, mas talvez pudesse descobrir como explicar que tudo o que planejaram havia mudado.
    Ele a deixaria? Pediria que ela fosse embora e ficaria com seu apartamento de solteiro? Haveria outra mulher jovem e adorvel pairando por ali como Leslie?
    Molhando uma toalha em gua fria, deitou-se com ela sobre seus olhos inchados. Um beb poderia ser um evento cheio de alegria. Mas, ao contrrio, ela estava 
aflita sobre o futuro.
    Lembrou-se de como sentira medo quando descobriu que estava esperando Amber. Era to jovem, aos 18 anos, e gostaria de ter feito tanta coisa.
    Sua segunda chance tinha chegado e ela estava grvida de novo.
    Houve uma batida na porta.
    Sara pensou em ignor-la. Mas ela soou novamente.
    - Me?
    Amber.
    No havia pensado no que Amber poderia dizer. Sara levantou-se vagarosamente e atravessou o apartamento de ps descalos. Deviam comer uma pizza hoje. Ela devia 
ter ligado e adiado.
    Ela abriu a porta.
    - Oi, me - disse Amber alegremente, parando ao ver a me. - O que aconteceu?
    - Entre - Sara sentiu as lgrimas brotarem novamente. Esta era uma ocasio feliz, tinha de se lembrar disso. No queria que essa nova pessoa sentisse que no 
foi desejada. Mesmo que a hora no pudesse ter sido mais errada.
    - Me, voc teve alguma notcia ruim? Est tudo bem com Matt? - Amber tocou o ombro de Sara.
    Sara bateu a porta, recostando-se nela, procurando fora.
    - Matt est bem, eu estou bem. No tive ms notcias, apenas boas. Boas notcias - ela se forou a dizer e tentou sorrir.
    - Se  uma boa notcia, no quero receber as ms - disse Amber. - O que foi?
    - Estou grvida - Sara soltou. Amber encarou-a.
    - No pode ser - disse ela. 
    Sara deu um riso trmulo.
    - Obrigada, mas o teste de gravidez diz que sim.
    - Me, voc  velha demais para estar grvida!
    - No sou - disse Sara indignada.
    - Obviamente no, mas quer dizer, achei que voc e Matt planejavam viajar e curtir coisas por esse mundo afora, no comear uma famlia.
    - Ns planejamos. Planejvamos - Sara afastou-se da porta. - Quer um ch?
    - No acho que ch v resolver isso. Voc pode beber cafena?
    - Uma xcara de ch no vai fazer diferena. E preciso de alguma coisa.
    - Quando voc descobriu? Como Matt se sente com isso?
    - Descobri meia hora atrs e Matt no sabe.
    E ela estava apavorada de contar. Aquilo mudaria ludo. Imaginava quanto tempo se passaria at ele perceber. Aquela seria a maneira covarde, mas ela queria os 
braos dele em torno dela, queria sua alegria e seu jeito sexy de abra-la e faz-la sentir-se desejvel e selvagemente excitante.
    No conseguia imaginar aquilo quando ele soubesse que estava grvida.
    - Uau - disse Amber.
    - No quero sair - disse Sara. - Quer pedir algo aqui?
    - Podemos pedir a pizza. Isso  to estranho, minha me grvida. Vou ter um irmo ou irm beb. Eu sempre quis um, mas no a essa altura.
    - Bem, voc vai t-lo agora - disse Sara. Nunca soubera que Amber desejava um irmo. Nem que seria possvel com a atitude cautelosa de Sara em relao aos homens. 
A primeira vez que se libertava e se deixava viver e olhe o que acontecera.
    - Ei, me, acho que ser maravilhoso - disse Amber, dando um abrao na me.
    Sara agarrou-se nela. Ela queria ser confortada. Queria algo a que se apegar. O que Matt diria? As lgrimas comearam novamente.
    - Ei, me, quero voc feliz. Algum desejo j? Podemos pedir pizza com picles e sorvete se voc quiser.
    Sara riu, abraou Amber e depois se afastou dela.
    - Nada de desejos estranhos ainda. Vamos pedir a pizza de sempre.
    
    Matt pegou a bolsa da esteira de bagagens e foi na direo da alfndega e depois do estacionamento. Estava cansado feito um co, mas ansioso para chegar em casa. 
A misso de trs dias esticara-se por uma semana. Sentira falta de Sara. Ligara para ela quando pde, mas com os fusos horrios diferentes e o excesso de trabalho 
de ambos, as ligaes tinham sido poucas. E insatisfatrias.
    No queria ouvir a voz dela, queria abra-la, ouvir a risada dela, olh-la. Compartilhar com ela os lugares que amava.
    Quando colocou o laptop e a bolsa no carro, tomou uma deciso. Iria forar o assunto de ela pedir demisso, seja no o tivesse feito. Haviam falado sobre viajarem 
juntos. Se ela estivesse falando srio, ele a queria em sua companhia j na prxima viagem.
    Entendia a lealdade dela e a admirava por querer ajudar a empresa, mas no havia razo para ela no planejar dar o dia 16 de abril como o seu ltimo dia de trabalho. 
Faltavam apenas algumas semanas.
    Queria alguma demonstrao de confiana de sua mulher. Ela teria medo de que ele no conseguisse sustentar os dois? Talvez precisassem ter uma conversa franca 
sobre dinheiro. Tinha investido dinheiro suficiente para ficarem seguros para o resto da vida. Talvez se ela compreendesse isso, e sendo contadora, fosse capaz de 
reconhecer de uma vez e se sentiria melhor quanto a deixar o emprego.
    Enquanto isso, veria se poderia ficar mais perto de casa, talvez no escritrio um tempo e conhecer melhor os novos representantes que contrataram. Queria conferir 
seu programa de treinamento. O jovem representante que fora com ele para Estocolmo era rpido e eficiente e animado por estar em seu primeiro trabalho do outro lado 
do mar. Mas inseguro em alguns dos protocolos da empresa.
    Depois de um tempo, viajar tornava-se uma rotina, como o novo representante descobriria. Como a maior parte de seus clientes estavam agrupados em alguns lugares, 
ele veria tudo aquilo muitas vezes.
    Estar com Sara tornaria tudo novo outra vez para Matt. Novo e diferente e o faria ficar bem mais animado do que lembrava estar h muito tempo. Queria mostrar 
o mundo a ela.
    Quando Matt abriu a porta do apartamento um pouco mais tarde, fez uma pausa, ouvindo a msica suave, sentindo os aromas tentadores vindo da cozinha e captando 
um toque do cheiro especial de Sara. O cansao sumiu. Ele queria sua mulher.
    - Sara?                                                      I
    - Matt? - ela veio at a porta da cozinha, um sorriso radiante no rosto.                                                 - Voc est em casa! Estou to feliz!
    Seu beijo era de boas-vindas e cheio de promessas. 
    Ele a abraou bem de perto, deliciando-se com a sensao de seu corpo esguio, o perfume que sempre usava. Passou a mo nos cabelos sedosos e suaves.      
    - Achei que voc ligaria do aeroporto - disse ela, sem ar, alguns momentos mais tarde. A cor rosa em suas faces o fez estender a mo e acarici-las. 
    - Telefonemas no substituem a realidade - disse ele, beijando-a suavemente nos lbios. 
    - O jantar estar pronto em 20 minutos. Eu no tinha certeza se seu voc chegaria na hora.  
    - O que quer que seja, cheira bem. 
    - Costeletas de vitela. Voc gosta?
    - Adoro todas as carnes.
    Ela riu e pegou seu brao como se assegurando-se de que ele estava ali em pessoa.                                 
    - E aposto que voc experimentou algumas de que eu nem ouvi falar.
    - Nem tanto.
    - Voc est cansado? - perguntou ela enquanto iam para a cozinha.
    - No muito. Uma noite de descanso vai me recuperar.
    Ela remexeu em tudo preparando o jantar. Matt sentou-se ao balco e observou-a, deliciando-se com sua feminilidade. Sempre gostara de mulheres, mais de algumas 
do que de outras. Mas nenhuma antes lhe dera aquela sensao de delcia profunda que Sara dava.
    - Em casa por um tempo? - perguntou ela.
    Ele tinha perdido a primeira parte da frase, mas arriscou.
    - Em casa por um tempo. Eu disse que estaria aqui para a mudana.
    Com esse comentrio, ela hesitou um instante e desviou os olhos.
    - Isso  bom. - Ela se concentrou em conferir as batatas no forno, apertando-as para ver se j estavam cozidas.
    - Voc terminou de embalar tudo? - perguntou ele, sabendo que ela e Amber tinham voltado ao apartamento antigo algumas vezes de acordo com suas conversas noturnas.
    - No terminei, mas adiantei bastante. H muita coisa que temos de jogar fora. No quero fazer a mudana de coisas que no precisamos mais. E os tesouros que 
Amber achou que sempre iria querer agora parecem bobos. Foi bom para ela deix-los em seu quarto antigo, mas ela tambm no quer fazer a mudana sem encontrar espao 
em seu apartamento.
    Tomou um gole do caf que ela havia preparado, tentando se manter acordado. E tentando decifrar se havia uma mudana em Sara. No conseguia apontar nada especfico, 
mas ela parecia estar evitando seus olhos.
    Ela estava ocupada fazendo o jantar deles. No podia ficar olhando para ele o tempo todo.
    - Voc pediu demisso? - perguntou ele. 
    Ela estava de costas para ele. Ele teria de insistir.
    Queria aquilo resolvido de uma vez por todas.
    - Eu j disse que no posso deix-los no meio da temporada de impostos.
    - Estamos no fim de maro, isso tudo acaba em algumas semanas. No h motivo para voc no pedir demisso a partir de 16 de abril, no ?
    Ele jamais poderia imaginar a hesitao que ela sentia agora.
    -  complicado - disse ela.
    - No, no . Apenas escreva uma carta dizendo que sair no dia 16 de abril e entregue.
    Ela no disse nada.
    Matt sentiu um fluxo de raiva.
    - A menos que voc no planeje fazer isso.
    - Eu quero - disse ela. 
    A dvida pinicou.
    - Voc quer? O que isso significa? Achei que tnhamos planejado isso. Tenho sido paciente, eu acho, com isso. Voc disse que pediria demisso, que viajaramos. 
At agora estou viajando e voc no pediu demisso.
    Ela queria algo mais? Ele nunca tinha tido um relacionamento firme com algum antes. Sara era to diferente das mulheres que ele conhecia, que ele ficara apaixonado 
por ela antes de ele mesmo saber. Mas no tinham uma longa histria juntos. Esta era alguma forma estranha de conseguir algo mais?
    - Vamos jantar - disse ela, tirando os pratos do armrio.
    - Quero uma resposta.
    - Eu disse,  complicado. Podemos discutir isso mais tarde se voc quiser.
    - Agora! - ele levantou e cruzou o espao entre eles para ficar em frente a ela, virando seu rosto para ele. - O que est acontecendo? Achei que voc gostasse 
de Londres. No est mais querendo viajar? No quer deixar Amber? Por qu? Tenho dinheiro suficiente para cuidar de ns dois, voc no tem que se preocupar com isso. 
Podemos conferir essas finanas depois, se quiser se assegurar.
    - No  isso, Matt. Eu sei que voc sempre cuidar de ns. Embora eu realmente ache que tambm deva contribuir, sem ser uma sanguessuga.
    - Querida - ele deslizou suas mos sob os cabelos dela, puxando-a para perto. - Voc jamais seria uma sanguessuga. Vamos encontrar algo para voc fazer, se sentir 
necessidade de contribuir. No quero fazer voc se sentir dependente. S quero que voc v comigo. Vamos explorar tudo o que pudermos, ver os lugares com que a maior 
parte das pessoas apenas sonha. Vamos caminhar no Nepal, velejar no Nilo, tentar escalar as Dolomitas.
    Ao ouvir aquilo, ela explodiu em lgrimas.
    Matt ficou chocado. Encarou-a, totalmente confuso.
    - Sara? - ele a apertou num abrao, enquanto ela chorava. - O que est acontecendo? - ele perguntou. - Algo terrvel deve ter acontecido para faz-la chorar 
assim.
    As mos dela agarraram a camisa dele. Podia sentir a umidade de suas lgrimas. Passando as mos nas costas dela, tentou pensar no que havia acabado de dizer 
que causara tal reao. Algum que ela conhecia havia morrido fazendo escaladas?
    - Sara?
    - Eu quero fazer tudo isso - disse ela. Suas lgrimas borravam as palavras. - Eu adoraria velejar no Nilo, mas sinto enjo. S que no acho que seja do barco. 
E gostaria de caminhar no Nepal e escalar, mas em alguns meses no serei mais capaz de fazer isso.
    - Do que voc est falando?
    Ela agarrou a camisa dele ainda com mais fora, enfiando o rosto em seu peito.
    - Estou grvida - disse ela.
    Matt ficou estatelado. Sara estava grvida1? Nunca em seus sonhos mais estranhos ele tinha se visto como pai. Eles usaram proteo. Ele queria que ela tomasse 
plula, mas tinha fielmente usado preservativos todas as vezes. Todas as vezes.
    - Como? - perguntou ele, estupefato, enquanto as implicaes o varriam. Os planos que haviam feito desmoronaram. A vida que ele conhecia e amava estava mudando 
e no havia nada que pudesse fazer.
    - No sei. Um preservativo pode ter estourado? Ns nos lembramos de usar todas as vezes? Talvez um deles tenha falhado. Importa como? - ela ainda se recusava 
a olhar para ele.
    Matt agarrou seus braos e afastou-a o suficiente para ver seu rosto, se ela conseguisse tirar os olhos do cho.
    - Sara, olhe para mim - ele mandou. - Quando voc descobriu? Voc tem certeza?
    Ela deu de ombros e olhou para ele. A expresso desesperada de seu rosto deveria ter aliviado sua prpria frustrao, mas no aliviou.
    - Fiz um teste caseiro na ltima quinta-feira - disse ela - e deu positivo.
    - Meu Deus - disse ele, soltando-a e virando-se para andar pela sala. Ele ficou andando por um instante, negando que isso estava acontecendo. Ele no era um 
pai em potencial. No tinha planejara nem mesmo se casar antes de conhecer Sara. No importa o quanto tentasse, no conseguia se ver numa casa com um jardim e um 
cargo na Associao de Pais e Professores. Ele gostava de viajar. Gostava de novos ambientes, novos lugares, novas experincias.
    Bem, esta era uma nova experincia, diabos. 
    - Voc no queria um beb, queria? - perguntou Sara da porta.
    Ele virou-se para encar-la.
    - Eu no planejei ter um, se  isso que voc est perguntando. Vou precisar me acostumar com a idia. Nunca me imaginei como pai.
    - Acho que voc daria um bom pai.
    - Baseada em que voc diz isso? No fato de eu ser homem?
    - Voc  inteligente, honesto, honrado.
    - No entendo nada de crianas.
    - Nenhum pai entende. Elas no vm com manual de instrues. Ns apenas fazemos o melhor que podemos.
    - Vai levar um tempo para eu me acostumar - disse ele. Muito tempo. Pensou no tio, em como ele nunca parecia saber como falar com uma criana. Como tinha sido 
difcil se colocar quando dizia a seu tio algo que considerava importante.
    Como seu tio no tinha sido nada tradicionalista. Os natais haviam sido austeros, os aniversrios mal notados. Brincadeiras de escola e eventos esportivos perdidos.
    Poderia ser um pai perfeito se fizesse tudo o que seu tio jamais fez.
    A campainha no timer da cozinha soou.
    - Voc quer jantar? - perguntou Sara.
    Comida era a ltima coisa que ele queria. Mas estava com fome quando chegara. Havia passado muito tempo desde a ltima refeio. Podia comer para manter a fora. 
Precisaria dela para ser pai.
    - Vamos comer - disse ele indo na direo da cozinha, incapaz de olhar para Sara.
    Nada nesta chegada em casa havia sido como e esperava, Matt pensou enquanto comia a refeio deliciosa. A carne estava macia, mas poderia estar queimada feito 
carvo que no sentiria o gosto. As batatas estavam do jeito que gostava, apenas no se interessava por elas.
    Tentava se recuperar da notcia chocante que Sara havia jogado em cima dele
    - Para quando est previsto o beb? - perguntou ele quando o jantar terminou. No haviam conversado nada.
    - No sei exatamente. Talvez seja final de novembro, por volta do Dia de Ao de graas - disse ela. Ele notou que ela mal tinha comido. Ela estava brincando 
com um pedao de batata no prato.
    - Coma, Sara, voc est comendo por dois agora. As lgrimas correram enquanto ela olhava para o prato. Droga, ele no queria faz-la chorar novamente.
    - Ns vamos lidar com isso - disse ele, esperando fazer cessar as lgrimas dela.
    - Crianas sero permitidas no novo apartamento? - perguntou ela.
    - No fao idia. Vamos ter de ligar e conferir. Isso no foi discutido pelo que me lembro.
    - Isso nunca foi discutido em nada que me lembre, - disse Sara, ficando de p e jogando o guardanapo na mesa. Ela se virou e entrou rapidamente no quarto. No 
tinha sido mesmo. No havia como negar aquilo.
    
    
   Captulo 7
   
    Matt limpou a mesa e jogou fora os restos da comida. Empilhou os pratos na pia e encheu-a de gua com sabo antes de ir para o quarto conversar com sua mulher. 
Ainda se sentia chocado com a novidade, com as mudanas que viriam com um bebe.
    Cansado quase alm do que podia acreditar, imaginou se poderia rever seus argumentos. Que argumentos? A coisa estava feita. Apenas tinham de decidir como iam 
lidar com aquilo.
    Sara estava no banheiro quando ele entrou no quarto. Ficou andando de um lado para o outro durante algum tempo, imaginando quanto tempo ela demoraria. Conforme 
os minutos passavam, ele imaginou o que ela estava fazendo l dentro. Talvez pudesse se deitar por alguns minutos e descansar at ela sair. Havia sido um longo dia, 
primeiro organizando o trabalho em Estocolmo, depois o vo demorado para casa e ento a novidade surpreendente.
    Sua cabea mal tocou o travesseiro antes que casse no sono.
    Sara saiu do banheiro vestida em uma de suas camisetas para dormir alguns minutos mais tarde. O banho havia ajudado. Ela no se sentia to vulnervel quanto 
se sentira mais cedo. Tinham de conversar, sabia daquilo. No estava com humor para nenhuma proposta romntica, no importa o quanto houvesse sentido a falta de 
Matt durante os ltimos dias. Mas falar ela poderia.
    Parou e olhou para ele, sentindo-se desgostosa por v-lo dormindo ainda vestido. Seu corao ficou apertado. Tinha de estar exausto vindo da Europa at a Califrnia. 
Com os atrasos nos aeroportos, as viagens longas se tornavam pesadelos de espera. Ela tirou os sapatos dele, hesitando se o acordava ou no, mas resolveu deix-lo 
dormir. Pegou o cobertor no armrio e o cobriu.
    Depois conferiu o resto do apartamento, pensando se lavava ou no os pratos. Resolvendo que no, apagou as luzes e foi para a cama. As boas vindas no transcorreram 
como nenhum dos dois esperava.
    
    Matt acordou num apartamento vazio. Ficou deitado, quieto por alguns momentos, se orientando para voltar a sua prpria casa. Virando-se, viu a marca de Sara 
no travesseiro dela. Mas ela no estava ali.
    Conferiu o relgio, notando que ainda estava vestido. J passava das nove. Sara obviamente j tinha ido para o trabalho.
    Levantou-se e foi at o banheiro. Estava ficando muito velho para se recuperar instantaneamente depois de um vo de 14 horas e oito fusos horrios.
    No meio da tarde Matt j tinha cuidado dos itens urgentes em sua caixa de correio eletrnica e feito um relatrio de viagem aos gerentes envolvidos. Ele e seu 
scios dividiram um rpido almoo no escritrio de Tony. Depois, ele e Dex voltaram para seu prprio escritrio.
    - Precisa de ajuda para se mudar? - perguntou Dex enquanto entravam no escritrio de Matt.
    - Pode ser. Ainda tem aquela caminhonete?
    - Tenho. Podemos pegar alguns desses caras novos para dar uma mo.
    Matt assentiu, andando at a janela e olhando para os prdios de escritrios no centro financeiro da cidade. O vento devia estar soprando, ele pensou preguiosamente, 
observando papis velhos voando pela sarjeta da rua cheia. As pessoas que passavam por l eram poucas, mas os carros eram interminveis.
    - Pensando em algo? - disse Dex, recostando-se na porta. - Voc pareceu preocupado o dia todo. H algo mais que precisvamos saber sobre a situao em Estocolmo, 
ou como Davis se virou?
    Matt sacudiu a cabea, vagarosamente Virou-se e olhou para seu velho amigo.
    - Eu vou ser pai.
    - O qu? - Dex estava evidentemente surpreso. - Voc est brincando!
    - Sara me contou na noite passada.
    - Achei... - Dex parou de falar.
    - , eu tambm. Fiquei insistindo para ela deixar o trabalho para podermos viajar. Agora isso. O que vou lazer?
    - O que voc quer fazer? - perguntou Dex cuidadosamente.
    - Quero pegar minha mulher e voar para Paris, depois para Roma ou Hong Kong. Voc pode me imaginar mudando fraldas ou indo a um jogo de futebol infantil?
    - Casa com cerca de madeira branca, minivan estacionada na garagem - Dex riu.
    - Que bom que voc acha engraado - Matt resmungou. - Saia, tenho trabalho a fazer.
    - Ei, no  to ruim assim. Milhes de homens fazem isso por ano.
    - No sou eles.
    - No pode ser to ruim, veja Sam Bond.
    - Quem?
    - Lembra dele, da faculdade? Sambo? Ele se casou logo depois de se formar. Agora tem trs filhos.
    - Voc est brincando.
    - Juro que no. Recebo um carto deles todo Natal. Coisa dela, acho. Ano passado havia uma foto de toda a famlia. Se ele pode fazer isso, voc tambm pode.
    Ele no viaja como eu. Veio de uma famlia normal. Obviamente sabe o que fazer.
    - Ento aprenda - disse Dex, dando de ombros. - Ei, eu posso ser tio? 
    Matt olhou para ele e Dex levantou as mos como se estivesse se rendendo. 
    - Ei, meu velho. Estou feliz por voc, de verdade.
    - Saia j daqui, tenho trabalho a fazer - disse Matt, indo sentar-se atrs da mesa. Esperou Dex sair, depois se levantou e fechou a porta. Voltou  janela. No 
podia se concentrar em nada. Tudo em que podia pensar era no anncio de Sara na noite passada.
    Sua prpria infncia havia sido menos que perfeita. O que ele sabia sobre criar uma criana?
    Frustrado, saiu do trabalho para casa. Sabia que chegaria l antes de Sara, mas queria estar l assim que ela chegasse. Precisavam conversar.
    
    Sara teve que usar todo o seu profissionalismo para atravessar o dia sem gritar com as pessoas em torno dela. Estava desapontada com a reao de Matt a sua notcia 
inesperada. No que ela no estivesse preparada para algo assim, mas secretamente esperava que ele ficasse um pouco mais feliz com a novidade. Nada havia sido decidido 
na noite anterior.
    E o espectro de sua partida no tinha ido embora. 
    A assistente chegou perto no fim do dia. Ela fechou a porta e puxou uma cadeira para perto da mesa.
    - Certo, chefe, diga. O que est errado? - perguntou Stacey.
    - Nada - Sara olhou para ela por um instante imaginando onde sua atuao havia falhado.
    - Voc me pediu duas vezes pastas que j esto em sua mesa. Isso nunca aconteceu antes. Est totalmente fora do ar e, alm do mais, no mandou as contas dos 
Reams para o sr. Pepovich dar a aprovao final.
    - Voc estava certa, Stacey. Estou grvida - Sara soltou as palavras como se estivesse chutando para o gol.
    - Uau! - Stacey recostou-se na cadeira e olhou para Sara. - Isso no vai cortar os planos de Pepovich? - Rapidamente ela fez as contas. - Mas no por enquanto. 
Voc planeja contar logo a ele?
    Sara sacudiu a cabea. Ela no tinha certeza do que ia fazer sobre nada. Especialmente com Matt.
    - Como voc est se sentindo? - perguntou Stacey.
    - Como assim?
    - Feliz, aborrecida, culpando aquele gato com quem voc se casou, ou o qu?
    - Feliz, claro - disse ela, cumprindo seu dever.
    - E ele tambm?
    - Ele foi pego de surpresa.
    - Voc tambm, aposto. Isso significa que ele vai ficar mais em casa agora?
    - No sei. Ele s chegou de Estocolmo na noite passada. No tivemos muito tempo para conversar. - Sara sabia que tinha deliberadamente cortado qualquer chance 
de conversa, com medo do que os comentrios de Matt seriam. Mas cedo ou tarde eles teriam de falar sobre a situao.
    - Voc est se sentindo bem? Sem problemas, certo? - perguntou Stacey.
    - No, por que haveria algum problema?
    - Bom, sem ofensa, chefe, mas voc no  mais uma adolescente.
    - Tambm no sou velha demais - disse Sara, com raiva por sua jovem secretria pensar que ela era velha demais para ter um beb. Obviamente aquele no era o 
caso. Ser que seus amigos se sentiriam da mesma forma? Amber tinha ficado surpresa ao saber que sua me estava grvida. Como Allie e Marian veriam isso, ela imaginou, 
pensando em duas de suas melhores amigas.
    Nada daquilo importava. Matt era o nico com quem ela precisava se preocupar.
    Matt j estava em casa quando Sara chegou. Ela entrou no apartamento e em poucos segundos foi pega em seus braos.
    - Senti sua falta. Hoje o dia foi interminvel - disse ele antes de beij-la.
    Ela largou suas coisas para enlaar o pescoo dele, retribuindo tudo o que ele dava. O tempo parou. As preocupaes cessaram. Podia apenas sentir a delcia maravilhosa 
de estar com este homem, de se perder em seu toque e alar vo sobre o mundo convencional para alturas que apenas ele poderia lev-la.
    Quando o beijo terminou, levantou-a em seus braos para carreg-la para o quarto.
    - Jantar? - perguntou ela sem ar, quase tonta de alegria.
    - Mais tarde - disse ele, fechando a porta do quarto por trs dele com um chute rpido. Colocou-a perto da cama e beijou-a novamente.
    - Matt, est tudo bem? - perguntou ela ansiosamente.
    - Estou totalmente desperto, j dormi o suficiente e tive algum tempo para absorver a notcia. Tudo bem para mim. Podemos falar mais tarde, mas primeiro quero 
tocar voc, sentir seu gosto e fazer amor com voc! - disse, ele beijando-a enquanto seus dedos espertos desabotoavam rapidamente os botes da blusa.
    Na manh seguinte ambos estavam apressados enquanto se arrumavam para o trabalho. Prometendo um ao outro estar em casa cedo, despediram-se quando Matt deixou 
Sara no escritrio. Ainda tinham de conversar, mas esta noite seria suficiente.
    Para o jantar, Matt trouxe algumas caixas de comida chinesa. Sabia do que Sara gostava e no a queria distrada cozinhando e limpando. Eles comeriam, lavariam 
os pratos e conversariam.
    Ela chegou em casa apenas alguns minutos depois dele, um bom sinal ambos terem chegado cedo, ele pensou.
    - Oh, comida chinesa, voc  maravilhoso. Estou faminta. Vou mudar de roupa rpido e volto logo - disse ela entusiasmada, dando um beijo caloroso nele. Matt 
lutou contra a vontade de segui-la at o quarto, mas decidiu no faz-lo. Queria realmente mostrar a ela alguns aspectos de seus sentimentos sobre o assunto e outra 
noite de amor quente na cama no os levaria a conversar. Havia tempo suficiente para aquilo mais tarde, ele esperava.
    Ela voltou rapidamente, usando jeans confortveis e um pulver amarelo. Descala, cruzou a cozinha e espiou a comida que estava saindo do microondas.
    - Est cheirosa - disse ela enquanto pegava os pratos. 
    Logo eles estavam sentados na pequena mesa, comendo.
    - Como esto indo as coisas no trabalho? - perguntou Matt imaginando se ele ousaria falar na demisso dela a essa altura. Sua frustrao naquele sentido no 
havia diminudo com a notcia da chegada do beb. Certamente ela iria querer sair logo do emprego.
    - Agitadas - Sara olhou para ele e sorriu, depois se concentrou na comida. - E a Aste? Aposto que Tony e Dex esto felizes por voc estar de volta por um tempo.
    - Eles conseguem se sair bem sem mim, mas sim, acho que esto felizes por eu estar na cidade por um tempo. Observar o novo representante em Estocolmo me deu 
algumas idias sobre onde precisamos melhorar nosso treinamento e o que est ultrapassado agora e pode ser abandonado.
    - Voc  que coordena o treinamento?
    - No, mas vou rever os protocolos com Tony, Dex e Josh. Josh  o diretor de treinamento. Ele no vai suficientemente a campo, acho, para ver o que  necessrio. 
A maior parte para ele  teoria. Eu deveria lev-lo na prxima misso.
    Ela ficou quieta. Ele imaginou se deveria ter mencionado outra misso. Queria que ela fosse com ele. Desta vez no aceitaria um no como resposta.
    - Dex se ofereceu para nos ajudar a mudar. Ele tem uma caminhonete. E ofereceu os msculos de alguns dos caras novos - disse Matt, mudando de assunto. - Ou podemos 
contratar profissionais, o que voc preferir.
    Ela olhou para ele.
    - Voc descobriu se ainda podemos nos mudar para aquele apartamento?
    - Liguei para o administrador hoje de manh. No h restries contra crianas. Quer dizer que o quarto de visitas ter de ser o do beb. No teremos aposentos 
para Amber e Jimmy quando vierem nos visitar.
    Ele observou-a engolir e brincar com o copo de gua. Havia chegado a hora.
    - Sara, voc tem certeza?
    - O que voc quer dizer? - Seus olhos se encontraram.
    - No vou ser um bom pai. No tenho experincia com paternidade, nem tive um pai por perto. No convivo com crianas desde que eu era uma delas. No fui feito 
para isso.
    Ela pareceu chocada.
    - Ento o que voc quer que eu faa?
    Ele sacudiu a cabea.
    - No sei. Voc me pegou totalmente despreparado. No sei o que fazer a partir de agora.
    Ela sentou-se, totalmente imvel, seus olhos buscando os dele, procurando o qu?
    - Ningum tem experincia de ser pai at ser - disse ela devagar.
    - Mas muitas pessoas tm experincia em ser filho. Tio Frank me criou. E se ele for o melhor pai por perto, o mundo est com problemas.
    - Voc o mencionou antes quando me disse que seus pais morreram. Ainda assim ele era seu parente e pegou voc para criar. Ele deve ter feito algo certo, voc 
 um homem maravilhoso.
    Matt deu de ombros. Acreditava que tudo o que conquistara havia sido por conta prpria, no como resultado da capacidade de Frank de ser pai, ou a falta dela.
    - Frank era um solteiro inveterado. Os pais de minha me no quiseram a responsabilidade de criar uma criana depois da morte dela. Os pais de meu pai eram 
divorciados, o pai morava na costa Leste e no aparecia. A me havia se casado novamente com um homem... - Matt parou de repente. Ela se casara com um homem que 
viajava muito a trabalho e ela no queria ficar em casa com o neto e perder todas as viagens.
    Havia sido uma criana ressentida. Ainda assim queria o mesmo para Sara. Queria que ela viajasse com ele e no ficasse em casa cuidando de um beb que ele nem 
tinha planejado ter.
    - Quem no queria crianas? - Sara sussurrou.
    - Algo assim. Voc tem de ver que eu no seria um bom modelo para nenhum garoto.
    - Bem, isso no  algo que ns apenas dizemos, desculpe, no  para ns, e voltamos  loja ou algo assim - disse ela com algum calor. - No estou exatamente 
pulando de alegria a essa altura do campeonato. Achei que j tinha criado minha famlia. Mas aconteceu. E sinto muito por um beb que nenhum dos pais quer! - Ela 
jogou o guardanapo na mesa e saiu, correndo para o quarto, batendo a porta atrs dela.
    Matt ouviu-a chorando, mas foi incapaz de se mover. Que herana para uma criana. No era verdade. Apenas precisava se acostumar com toda aquela situao. Ela 
estava certa, no havia volta. Pelo resto de sua vida ele seria um pai.
    E ele jamais iria, nunca, nem por um segundo, deixar esta criana achar que no era querida. Matt sabia tomo era difcil lidar com aquilo, por experincia prpria.
    Sara no conseguia parar de chorar. Ele tinha feito tudo menos dizer que ela precisava fazer algo com a criana. Mas o qu? Ela precisara de tempo para se acostumar 
com a idia do beb. Sentiria as mudanas sutis em seu corpo, outras mudanas maiores por vir. Um dia ela seguraria seu filho ou filha nos braos. Ela a embalaria, 
cuidaria e amaria.
    Ser que o pai da criana estaria por perto? Ou Matt j ia ido embora bem antes, convencido de que seria um mau pai? Ou estaria muito envolvido em sua vida de 
alta velocidade para parar um tempo suficiente para visitar o filho?
    Ela ouviu o telefone tocar, mas no se mexeu. Matt estava em casa, ele podia atender.
    Vagarosamente as lgrimas cessaram. Ficou deitada exausta, incapaz de se levantar, de se mover. Devia ir lavar o rosto ou algo assim, mas a letargia venceu. 
Fechou os olhos, sem adormecer, apenas muito cansada e desanimada para se mover.
    Matt bateu  porta, e o som ressoou em seu corao. Esta era a casa dele, a cama dele, no precisava bater.
    - Sim?
    Ele abriu a porta um pouco e espiou l dentro, o telefone numa das mos.
    - Tony e Dex esto planejando um passeio de barco improvisado este fim de semana. O tempo est perfeito. Estamos convidados.
    O mero pensamento da enorme baa e o barco sacudindo quase a fez enjoar.
    - No posso ir - disse ela rapidamente. - Amber e eu vamos terminar de embalar as coisas amanh. Por que voc no vai?
    Ele hesitou por um instante.
    - Voc tem certeza?
    - Sim, tenho certeza - disse ela, mantendo os olhos fechados. 
    Era idiota, mas agora que tinha dito, desejava retirar as palavras. No queria que ele sasse em aventuras entre amigos sem ela. Queria que ele dissesse, no, 
eu no me divertiria sem minha mulher.
    - Ento est certo - disse Matt. Ele falou ao telefone novamente. - Sara no pode ir. Mas eu posso. A que horas?
    Ele se afastou, ainda falando ao telefone. Ela sentiu uma exploso de raiva que era totalmente irracional. Dissera para ele ir. Ele estava apenas fazendo o que 
ela havia dito. Por que aquilo a fazia ficar com raiva?
    Porque queria ser o centro de seu universo, percebeu. Exatamente como ele tinha se tornado o centro do dela. As lgrimas jorraram novamente, mas ela as enxugou. 
Levantando-se, foi para o banheiro.
    Juntando-se a Matt em alguns minutos, o rosto lavado e a maquiagem recomposta, ela sorriu, esperando que conseguisse manter aquilo. Ele estava sentado no sof, 
a TV ligada baixinho.
    - Ento a que horas voc vai amanh? - perguntou ela.
    - Vamos sair s oito. Quando voc e Amber vo se encontrar? - ele deu um tapinha na almofada ao lado dele, indicando que queria que ela se juntasse a ele.
    - No antes das dez. Voc vai estar em casa para o jantar? - Sara sentou-se ao lado dele, esperando que ele a puxasse para seus braos.
    Como se tivesse lido sua mente, ele colocou o brao em torno de seus ombros e puxou-a para perto.
    - Sim, estarei em casa por volta das quatro horas. Voc vai cozinhar ou devo trazer algo?
    - Vou fazer um cozido que pode cozinhar o dia inteiro enquanto trabalhamos. Podemos comer na minha casa? Assim posso observar o cozido enquanto trabalhamos e 
no teremos que traz-lo para c.
    - Posso ir ao seu antigo apartamento sempre que voc precisar - respondeu ele.
    Sara sorriu, lembrando o quanto ele insistia para que pensasse no apartamento dele como sua casa. Talvez no novo.
    Se ele ficasse.
    - O que voc est assistindo? - perguntou ela.
    - O Travel Channel. Esto mostrando um programa sobre as melhores praias do mundo.
    Parece que at em casa ele desejava locais distantes. Sara aninhou-se ao lado dele, olhando enquanto os locais exticos passavam na tela. Tambm gostaria de 
ir at l, claro. Como poderia culpar Matt por ser honesto?
    No poderia culp-lo de nada. Ela o amava. Ele no tinha mudado nada desde que o conhecera. Era extremamente sexy, excitante, dinmico. Parecia gostar de passar 
o tempo com ela, embora Sara no achasse que oferecesse tanto quanto algum como aquela loura atraente que tinha aparecido. Mas mesmo assim ele estava satisfeito.
    Ou no? Tinham feito planos maravilhosos antes de se casar. E to pouco tinha acontecido.
    Devido a ela.
    Ela devia ter sado do emprego. Mas se ele fosse embora, onde ela iria sem trabalho? Talvez houvesse mais que ela pudesse fazer para realizar os planos que haviam 
feito, aqueles com os quais ela estava to excitada quanto ele. Ela duvidava que o sr. Pepovich a demitisse se tirasse outra semana de folga. Tinha um monte de horas 
de folga para tirar.
    Ela se tornaria a esposa perfeita, fazendo tudo o que ele queria, ento Matt jamais iria querer ir embora. E ela no ficaria fixada no beb, nem trazer o assunto 
 baila mais do que fosse necessrio no curso normal dos acontecimentos. Quando o beb tivesse nascido, ele veria que poderia ser um grande pai. Ela esperava que 
ele estivesse querendo tentar.
    O que fazia um homem querer deixar sua famlia? Nunca entendera a rejeio de Bill. Ele nunca mantivera contato com ela, nunca vira Amber depois que tinha trs 
meses de idade.
    Como faria se Matt a deixasse tambm? Como levaria sua vida se ele a deixasse?
    O medo apertou seu corao. No seria capaz, pensou. No curto tempo que estavam juntos, ele tinha se tomado parte integrante de seu ser. Os planos que fizeram 
no iriam acontecer agora, ou pelo menos por mais 18 anos. Matt seria paciente tanto tempo?
    - Ns devemos dar uma festa de boas-vindas quando formos para o novo apartamento - disse ela.
    - Por que voc disse isso?
    - O luau - Ela fez um gesto para a cena na televiso. - Me fez lembrar de nossa mudana para um novo lugar. No quer que os amigos o vejam? Eu quero. Estou animada 
com isso.
    - Pode ser.
    Ela sorriu e deu um tapinha no joelho dele.
    - Talvez seja uma coisa de mulher.
    - Como arrumar a casa. Vamos ter muitos mveis novos tambm?
    - No muitos. - A maior parte coisas de beb, mas ela no disse aquilo alto. - Gosto deste sof e as cadeiras que tenho em meu antigo apartamento vo combinar 
com ele. Podemos decidir antes de fazer a mudana dos mveis.
    Ela seria agradvel, engraada para se conviver. E eles construiriam lembranas to maravilhosas que ele nunca desejaria deix-la.
    O sbado mostrou-se difcil - mexer em seu passado com Amber. Sara tinha muitas caixas, e bolsas para levar para o lixo e a para a caridade estavam esperando 
na porta na hora em que Matt chegou para o jantar. Ela e Amber empacotaram a maior parte dos livros e quadros; at algumas coisas da cozinha. Sara queria examinar 
a cozinha de Matt antes de desistir de qualquer de suas panelas e assadeiras. Ela suspeitava que iria manter a maior parte, j que o apartamento dele parecia insuficiente 
nesse sentido.
    Sara manteve seu voto de ser a melhor das companhias. Manteve a conversa leve no jantar. Amber pareceu pegar seu humor e contribuiu com anedotas engraadas da 
faculdade. Matt regalou-as com a contuso que encontrara nas ltimas viagens. O tempo passou rapidamente e com toda a graa que Sara esperava. Estava satisfeita 
com sua estratgia.
    Antes que sassem para voltar  casa de Matt, ele andou pelo apartamento.
    - Vamos conseguir alguns profissionais para empacotar o resto. Voc precisa conservar sua energia - disse ele.
    - Estou bem.
    - Talvez. Mas amanh vamos ficar em casa e descansar.
    Ela sorriu com expectativa. A ltima vez que ficaram em casa para descansar, passaram a maior parte do dia na cama - mas no descansando exatamente.
    Entretanto, Matt estava falando srio. Domingo levou o caf-da-manh na cama para ela e a deixou sozinha para comer, alegando que tinha de ler um documento. 
Quando Sara levantou-se e vestiu-se, ele a obrigou a sentar-se no sof para ler ou assistir televiso. Ela no queria fazer nenhum dos dois.
    - Quero ficar com voc - disse ela, inclinando-se sobre ele na mesa de jantar e olhando para as palavras cruzadas que ele fazia.
    - Estou aqui. Posso alugar um vdeo se quiser. Podemos assistir juntos.
    - Alguma coisa especial que voc quer ver? - O que estava acontecendo?
    - No, o que voc gostaria?
    - Gostaria de sair para caminhar. Est lindo l fora. Abril  um ms adorvel em So Francisco, antes que o fog aparea diariamente. Vamos para o Golden Gate 
Park e visitar os Tea Gardens - ela sugeriu.
    - Tem certeza de que no quer descansar? Voc tem trabalhado duro ultimamente. Com o beb e tudo o mais, achei que voc devia descansar.
    Amber perguntara a Sara em particular logo antes de partirem na noite passada se Matt sabia sobre o beb. Nenhuma meno havia sido feita durante a noite. Sara 
assegurou-lhe que ele sabia. Mas esta foi a primeira vez que ele voluntariamente o mencionava. E ela no gostou nada. No era uma invlida. Queria fazer algo divertido 
com seu marido.
    - J descansei bastante - disse ela.
    - Ento no precisa de uma soneca? - perguntou ele.
    Lembrou-se de outros dias quando tiraram uma soneca juntos. Comeou a sorrir ligeiramente. Talvez adiasse o passeio pelo parque e passasse a tarde nos braos 
de Matt.
    
    
   Captulo 8
   
    Os dias seguintes correram. Sara no falou novamente sobre o beb perto de Matt. Ele tambm nunca o mencionava. Era como se houvesse um grande elefante na sala 
que nenhum dos dois admitia estar vendo. Quanto tempo aquilo duraria?
    A tenso estava comeando a aparecer. Ela aceitara a existncia da nova criana e estava ficando animada. Queria falar sobre o beb, fazer planos, decidir nomes, 
olhar mveis, comprar um novo urso de pelcia. A lista era interminvel.
    Mas andava na ponta dos ps em volta de Matt. Conversavam sobre trabalho ou sobre a mudana. At a conversa sobre viagens tinha terminado. Ele havia desistido 
dela? O medo a apertava toda vez que pensava no futuro.
    Na quarta-feira  tarde, Matt ligou. Sara soube assim que reconheceu a voz que ele tinha outra viagem para fazer. Ele estava ligando para avis-la.
    - Sara?
    - Sim. O que foi? Voc vai trazer o jantar para casa?
    - O que voc quer?
    - Churrasco parece bom.
    - Eu cuido disso. Sara, tenho uma viagem amanh. Pequena, mas precisam de mim.
    - Para onde? - ela prendeu a respirao. Pequena quanto?
    - Las Vegas. Uma de nossas instalaes de segurana num cassino parece ter uma pequena falha. No sei dizer com certeza se  um problema ou falta de treinamento 
do pessoal da segurana. No ficarei muito tempo. Um dia ou dois no mximo.
    - Eu sempre quis ir a Las Vegas - disse ela.
    - Ento venha comigo.
    - Certo, eu vou - ela concordou, surpreendendo a ambos.
    - Vai mesmo? - perguntou ele. - Vou sair de manh, no estarei em casa antes de sexta-feira.
    - Ou ento podemos passar o fim de semana e ver alguns shows. At ir nadar. No  sempre quente em Vegas?
    - Vou fazer as reservas. Vejo voc no jantar.
    Ele desligou antes que ela pudesse dizer outra palavra. Provavelmente pensando que ela poderia mudar de idia.
    Sara recolocou o fone no gancho e respirou fundo. Estava comprometida. O que o sr. Pepovich diria? Ele provavelmente iria fazer uma tempestade num copo d'gua, 
mas e da? Tinha direito a folgas e um dia ou dois no quebrariam a empresa. Levaria trabalho com ela se pudesse, mas a firma preferia manter os registros dos clientes 
no escritrio. Mesmo assim, poderia trabalhar at mais tarde na semana seguinte. Saa s cinco todos os dias quando Matt estava em casa. Na semana que vem ficaria 
at tarde, enfim o quanto precisasse. Faltava apenas uma semana para o dia da entrega das declaraes de impostos. Ela se certificaria de que teria todo o seu trabalho 
terminado um dia antes. Quem poderia argumentar com aquilo?
    Neste fim de semana, entretanto, ia passar cada momento que pudesse com o marido, vendo o lado fabuloso de Las Vegas.
    O fim de semana em Las Vegas preencheu todas as expectativas de Sara sobre o que seria viajar com Matt. Nadaram na piscina luxuosa do hotel onde estavam hospedados, 
um dos maiores da regio. Assistiram a dois shows, comeram loucamente e fizeram amor na suntuosa cama tamanho king size.
    Durante quatro dias Sara colocou a realidade de lado e aproveitou a vida que ela tanto esperava ter quando ela e Matt se casaram. Era fabuloso.
    Mas a realidade retornou na segunda-feira quando ela teve de ir para o trabalho.
    - Chegarei tarde esta noite - disse ela enquanto Matt se preparava para deix-la no escritrio.
    - Tarde quanto?
    - Muito tarde. No me espere.
    Ele pegou-a pelo brao quando ela comeava a sair do carro.
    - O que voc quer dizer com no me espere? No pode trabalhar at tarde assim. Seis ou sete, talvez. Mas no mais que isso.
    - Tenho muito trabalho para fazer. Tirar dois dias na semana passada significa que tenho de compensar trabalhando at mais tarde.
    - O qu? Voc est planejando compensar as 16 horas que tirou na semana passada trabalhando depois do expediente? Quatro horas por noite?
    - Se for preciso. Eu disse ao sr. Pepovich que terminaria o trabalho e sexta-feira  a data-limite.
    - No quero voc trabalhando at to tarde. Voc precisa descansar.
    - Preciso manter minha palavra e completar o trabalho a tempo. Os clientes dependem de ns. De mim. No vou deix-los na mo.
    - Voc precisa descansar.
    - Aprecio sua preocupao, Matt, mas sei como dirigir minha vida.
    - E eu?
    - Vejo voc quando chegar em casa - disse ela, livrando seu brao e saindo do carro.
    Grande maneira de se tornar indispensvel para o marido, ela pensou com culpa, virtualmente ignorando-o enquanto mergulhava no trabalho. Mas era apenas at sexta-feira. 
Tudo estaria terminado e ento poderia passar mais tempo com ele.
    Poderia tirar uma licena de alguns meses. Para ver o que poderiam ter tido se o beb no estivesse chegando? Aquilo no tornaria estar em casa mais difcil 
a longo prazo, ela questionou enquanto corria para o escritrio.
    Ansiava para explorar cidades diferentes, visitar lugares que apenas havia sonhado. Ou at aproveitar coisas mundanas como dormir se quisesse, ou ficar acordada 
at tarde. Ou fazer compras s quartas-feiras quando as lojas no estavam cheias, em vez de sempre no fim de semana quando metade da meia cidade tambm ia s compras.
    Chegando a sua mesa, comeou rapidamente a trabalhar. Quanto mais cedo comeasse, mais cedo terminaria.
    Sara estava cansada quando enfiou a chave na fechadura da porta do apartamento. J passava das dez. Matt abriu a porta e puxou-a para seus braos. Seu beijo 
era doce. Ela no poderia ter feito muito mais do que aquilo.
    - Voc jantou alguma coisa? - perguntou ele enquanto ela tirava o casaco.
    - Sim.
    - Hora de ir para a cama, ento - disse ele apressando-a para dentro do quarto. Em menos de dez minutos Sara estava na cama e adormeceu em menos de dois.
    O padro repetiu-se todos os dias at a quinta-feira. Finalmente, ela havia terminado! Brilhando de satisfao com uma sensao de dever cumprido, Sara mandou 
o ltimo formulrio para ser assinado. Atingiria o prazo final em 24 horas. Estava cansada at os ossos, e quase grogue de vontade de dormir, mas conseguira! Amanh 
seria tudo muito fcil e ento ela teria o fim de semana livre de preocupaes. Na semana que vem poderia pedir ao sr. Pepovich a diminuio de suas horas de trabalho 
ou aquela licena prolongada.
    Ligou para Matt no trabalho, querendo que ele soubesse que estaria em casa antes do jantar hoje  noite.
    - Ele no est aqui - disse a secretria.
    - Oh, vai voltar antes do fim do expediente? -perguntou ela.
    - No acredito. Quer deixar um recado? - perguntou a mulher.
    -  a mulher dele. Falo com ele em casa mais tarde. 
    Imaginou onde ele teria ido. Ele no disse nada a respeito de ir a algum lugar, disse? Mal haviam se falado nos ltimos dias. Ela caa na cama na hora em que 
chegava em casa. Ele a levava ao trabalho todos os dias, e insistia que ela pegasse um txi na volta para casa toda noite. De qualquer forma, a conversa havia sido 
definitivamente pouca e sem qualquer toque de intimidade.
    As restries da temporada de impostos haviam terminado. Ela poderia fazer mais com sua prpria vida agora, ter certeza de que era o tipo de mulher com quem 
ele queria ficar.
    Matt no era Bill. Tinha de se lembrar disso.
    Todavia, Matt tambm no era Matt, Sara pensou no sbado  tarde. Ele parecia distante. No havia outra maneira de descrev-lo. Estava feliz o suficiente quando 
chegou em casa cedo na sexta-feira, mas alm de comentar que estava feliz porque ela iria voltar a ter uma rotina normal, ele falou pouco.
    - Quer empacotar alguma coisa? - perguntou ela. 
    Ele levantou os olhos do papel que estava lendo e sacudiu a cabea.
    - H tempo suficiente - ele baixou os olhos novamente.
    Examinando-o por um instante, Sara percebeu que ele no estava lendo. Seus olhos quase perfuraram um buraco no papel, mas no estavam se movendo.
    - Algo errado?
    Ele sacudiu a cabea.
    No queria ficar reclamando. Estava livre da exigente carga de trabalho que caracterizava os prazos Unais das entregas de declaraes de imposto de renda. Queria 
fazer algo frvolo e engraado.
    Mas agora que ela estava pronta, Matt parecia no ligar.
    - Podemos sair para fazer alguma coisa.
    Ele dobrou o papel e enfiou-o na mesa de caf.
    - Como o qu?
    - No sei. O que voc gostaria de fazer?
    - Podemos ir ao cinema, talvez.
    Sara franziu o nariz. No gostava daquela idia.
    - Sentar no escuro para ver algum representando no  minha idia de diverso para hoje - disse ela.
    - O que ? Achei que voc estaria cansada e iria querer descansar.
    No tinha certeza se aquilo era um comentrio sobre sua gravidez ou seu trabalho, mas ambos eram assuntos sensveis.
    - No estou. Vamos fazer algo engraado. 
    O telefone tocou naquele exato momento.
    Matt pegou-o. Sara levantou-se, foi at a janela e olhou distraidamente para alm da baa. No devia ser to difcil assim mant-lo interessado em fazer algo 
com ela. Um medo incmodo instalou-se nela. Ele estava se distanciando. Se nada mais, ele deveria ter sugerido que passassem o dia na cama, como fizeram na lua-de-mel. 
No fazia tanto tempo assim.
    Mas na verdade fazia. Uma vida inteira. Antes do beb.
    Suspirou suavemente, as lgrimas ameaando sair. Iria perd-lo por causa do beb?
    - Sara.
    Virou-se para olhar para ele.
    - Annie e Tony vo fazer um churrasco improvisado hoje e querem que nos juntemos a eles, voc topa?
    Ela assentiu. Pelo menos aquilo os tiraria de dentro do apartamento.
    
    A casa de Tony situava-se na parte antiga da cidade, uma enorme casa velha que fora construda depois do grande terremoto de 1906 e pertencia  famlia dele 
h geraes. O jardim era protegido por uma grande cerca de madeira, o ptio nos fundos da casa ensombreado por uma trelia de glicnias que mal comeava a brotar.
    Sara conhecera Tony e sua mulher no casamento. Ela cumprimentou-o e a Annie. Tony e Matt eram amigos ntimos e Sara queria fazer o que pudesse para firmar relaes 
com ele e a mulher.
    J havia vrios casais no jardim. Ela reconheceu Dex, inclinando-se perto de uma jovem mulher, paquerando-a descaradamente. Ela sorriu para Matt, querendo compartilhar 
o instante, mas ele j estava falando com Tony em voz baixa.
    - Vocs dois no esto trabalhando, esto? - perguntou ela em tom de suspeita.
    - Apenas acertando umas coisas - disse Matt.
    -  o assunto favorito deles - disse Annie, rindo. - Venha conhecer minha irm. - Ela levou-a na direo de uma bela mulher numa cadeira de rodas.
    - O que posso lhe servir para beber? - perguntou Tony.
    - Um drinque leve - disse Matt, colocando o brao nos ombros de Sara.
    - Certo, a futura mame - retrucou Tony. Ele sorriu para Annie, depois foi para o bar servir um refrigerante para Sara.
    - Matt, que bom que voc veio - uma loura de uns 25 anos chegou perto, sorrindo para Matt e acenando polidamente para Sara.
    - Melody - disse ele com um aceno de reconhecimento.
    - Aqui est - disse Tony, entregando um copo grande a Sara.
    - Todo mundo aqui  do trabalho? - perguntou ela, tomando um gole.
    Tony entregou um drinque a Matt e olhou em volta.
    - A maior parte. Alguns so vizinhos, mas a maior parte  da Aste.
    - Apresente-a, Annie.
    - Vou fazer isso. Veja se vocs dois no falam de vendas a tarde toda. Venha, Sara, vamos ver Jlia antes que outra pessoa chegue e eu tenha que cumprimentar. 
Voc est animada com o beb?
    - Claro - disse Sara tentando sorrir. 
    Era a resposta padro.
    Annie olhou ao redor e depois chegou bem perto dela.
    - Tambm estamos esperando, mas Tony no quis contar a ningum ainda. Achei que outra futura mame gostaria de saber.
    - Que maravilha.  o seu primeiro? 
    Annie assentiu.
    - S Jlia sabe. Planejamos contar logo a todos, mas por enquanto apenas a famlia e amigos bem prximos sabem.
    Sara imaginou mais tarde se teria sido um erro vir. Todo mundo conhecia Matt. Todos o cumprimentavam calorosamente, trocando piadas particulares e comentrios. 
Quando eram apresentados a Sara, todos mostravam-se educados, mas ela imaginava a pergunta martelando em suas mentes - o que ele viu nela?
    Apesar da informalidade do churrasco, a conversa inevitavelmente voltou-se para os negcios. Sara sentiu-se cada vez mais deixada de lado enquanto at mesmo 
as mulheres mais jovens e bonitas pareciam ter um interesse em aspectos da computao, ou planejamento de segurana.
    Depois de bater papo com Jlia, vagou em volta do jardim, notando como era conservado meticulosamente. Por um instante tentou visualizar Matt com um ancinho 
na mo. A imagem no apareceu.
    Olhou para Dex, ainda paquerando a mulher bonita. No conseguia imagin-lo casado. Quando olhou para Matt, tentou com muita dificuldade v-lo num jardim empurrando 
uma criancinha num balano. Nem a criana nem Matt apareceram.
    - Eu sou Margot - uma jovem mulher disse, vindo ficar ao lado de Sara. - Annie me mandou aqui. Estou grvida tambm.  o meu segundo, mas estou to animada quanto 
da primeira vez.
    Sara sorriu.
    -  o meu segundo tambm. Mas haver 20 anos de diferena entre meus bebs.
    - Uau, isso  como comear de novo do zero. Que legal para Matt ser capaz de ter uma famlia. Ele tem sido um lobo solitrio, tanto que nunca pensei que ele 
se arranjaria. Vocs j escolheram o nome?
    Sara sacudiu a cabea.
    - E voc?
    Margot estava  toda. Ela e o marido tinham uma lista de nomes e estavam pensando em dar vrios deles  criana, no apenas um primeiro e segundo. Ela ento 
falou sobre o filho de dois anos, o marido Brian que estava "por ali em algum lugar". Ela mexeu vagamente com a mo, sem deixar de prestar ateno em Sara.
    - Ele adora esse tipo de coisa. Eu preferia ficar em casa com Timmy. Vamos procurar duas cadeiras? Gostaria de me sentar.
    Sara concordou, feliz com o fato de que algum na festa parecesse feliz por ela estar ali.
    A tarde passou prazerosamente com Margot. Sara gostou de sua companhia - sobretudo depois de observar que seu marido parecia contente por estar conversando com 
um grupo do escritrio. O riso que se levantava de vez em quando fazia Sara desejar melancolicamente que ele a inclusse, mas ela estava gostando da companhia de 
Margot.
    A certa altura, Annie chegou perto com a irm, e a conversa dela era viva e agradvel. Margot tambm conhecia o segredo. Falar sobre bebs provava ser melhor 
agora, Sara pensou. Sua prpria excitao comeou a crescer enquanto trocava esperanas e planos com outras na mesma situao.
    A comida, quando foi servida por volta das sete, estava deliciosa. Tony comandou muitos dos homens para ajudar com a carne. As saladas e acompanhamentos apareceram 
como num passe de mgica da cozinha.
    - Para um evento improvisado - Sara comentou com Margot-, Annie e Tony certamente tm tudo organizado.
    - Tony  o organizador do grupo. Matt  o guru do computador e Dex  um excelente guarda-costas. Eles trabalham de acordo com suas foras.
    - Dex  guarda-costas? - Ela olhou para o homem de cabelos despenteados, tentando visualiz-lo numa situao tensa, mas no conseguiu. Ele parecia muito com 
o cara da esquina.
    - Ah, ele faz outras coisas, planeja segurana, treina autodefesa, direo defensiva e tudo mais. Mas sim, ele  o diretor de segurana pessoal.
    - Em que rea seu marido trabalha? - perguntou Sara a Margot, enquanto olhava em volta procurando Matt. Ele estava falando com a mesma loura que Dex paquerava 
mais cedo.
    - Ele trabalha com Matt nos computadores. Mas no sabe tanto, ento no ganha a confiana dos clientes to rapidamente quanto Matt. O bom  que ele fala vrias 
lnguas, embora a maior parte do trabalho internacional seja em linguagem de computao.
    Eles comeram no estilo buf. Matt e Tony ficaram perto do grill, mantendo um olho no segundo round de carne enquanto comiam. Alguns dos outros gravitavam em 
volta deles. Sara conheceu o marido de Margot e depois pediu licena para juntar-se a seu marido.
    - Ei - disse Matt quando ela apareceu ao lado dele. - Est se divertindo?
    Ela assentiu, segurando o prato.
    - A comida est deliciosa.
    - Alguns de ns estvamos falando sobre velejar amanh - disse Tony. - Voc e Matt podem vir. A previso  para bons ventos e temperatura amena.
    - Acho que no - disse Sara, lembrando-se do passeio de barco algumas semanas antes. - Mas tenho certeza de que Matt vai querer.
    - Posso tentar fazer voc querer - ele murmurou. 
    No era a resposta que Sara queria. Ela manteve o sorriso no rosto, mas sem deixar o desapontamento aparecer. Ela queria que ele ficasse com ela no domingo. 
Esta era a primeira vez que ficavam juntos depois de um tempo e planos em separado para o domingo no eram o que ela esperava.
    No domingo cedo Sara acordou e encontrou Matt pronto e vestido. Ele sugeriu que ela tirasse o dia para descansar depois de sua semana agitada. Ia sair para velejar 
com Tony e Dex. Ela observou enquanto ele saa, mal lhe dando um beijo no rosto.
    No meio da manh, Sara havia descansado tudo o que queria. Deixou um bilhete dizendo a Matt que tinha ido para seu apartamento, depois foi para l continuar 
a separao das coisas que tinha comeado. Eles deviam se mudar logo. De alguma forma esperava que, deixando tudo o que era de seu passado para trs, Matt teria 
de ficar.
    Ser que abrir mo de seu apartamento seria algo tolo para se fazer? Ou um caminho para solidificar ainda mais seu relacionamento para que tivessem que encarar 
as mudanas adiante juntos?
    Sabia que ele avisara alguns amigos do trabalho para ajudar no transporte dos mveis e caixas, mas precisava mexer em mais alguns locais para ter certeza de 
que estava levando apenas as coisas que queria.
    Quando Sara chegou ao apartamento, ligou para Amber.
    - Estou no apartamento embalando as coisas, quer passar aqui?
    - Eu adoraria, me, mas estou estudando at queimar os miolos. As provas so esta semana e preciso de uma pausa antes de me ligar de novo - respondeu ela.
    - Podemos fazer algo divertido se voc preferir. Parece horrvel para voc dar uma parada e acabar trabalhando - disse Sara. Tentava no pensar em Matt passando 
o dia longe dela. Sentia falta dele. E se isso fosse o incio de um padro?
    Ou o incio do fim?
    - No me importo. Vou logo para a. Matt est ajudando?
    - No, ele est velejando de novo com os amigos.
    Sara imaginou se ela deveria confiar suas dvidas a sua filha. Amber era adulta agora. Sara no precisava mais proteg-la. Mas os velhos hbitos eram duros de 
se desfazer. No queria que Amber se preocupasse com ela e Matt. Eles ficariam bem.
    Era o que esperava.
    Quando desligou o telefone, tentou fugir de seus pensamentos enquanto comeava a tirar as louas do armrio. Algumas doaria para caridade, outras mais especiais 
levaria com ela.
    Amber apareceu pouco mais tarde. Sara tinha escolhido a maior parte dos utenslios de cozinha, separado a comida nos armrios, encaixotando temperos e condimentos 
e colocando o resto em bolsas para levar para casa.
    - Olhe o que eu trouxe - disse Amber, dando um abrao em sua me. - Bagels frescas do Manny's. Sementes de papoula para voc, cebola para mim, mais salmo e 
cream cheese!
    - Parece timo. Estou com fome.
    - Bem, voc est comendo por dois - disse Amber. Ela abriu um espao na mesa pequena e colocou a bolsa ali. O cheiro estava suspenso no ar. - Fiquei com gua 
na boca no caminho para c. Voc tem sorte que eu no tenha parado para comer os meus no caminho - disse ela alegremente enquanto procurava os pratos. - Onde est 
tudo? Vamos encaixotar tudo hoje?
    - S as coisas de que quero me desfazer. Voc pode pegar o que quiser. Matt tem um conjunto de pratos que estamos usando. Agora que somos casados, vamos comprar 
o que quisermos como um casal. - Ela olhou para os pratos, lembrando de Matt ao dizer a ela para pegar o que quisesse, porque ele no ligava muito para aquilo. Queria 
que Matt ficasse to animado quanto ela para arrumarem a casa juntos.
    - Com quem Matt foi velejar? - perguntou Amber enquanto se sentavam  mesa como haviam feito durante tantos anos.
    - Ele e os amigos do trabalho, Dex e Tony.  o barco de Tony.
    - O veleiro no qual voc foi? - perguntou Amber. Sara assentiu, espalhando cream cheese em seu bagel e depois colocando um pouco de peixe por cima. Deu uma mordida 
e sentiu um sabor delicioso.
    - S homens? - perguntou Amber antes de morder seu prprio bagel.
    - Acho que no - disse Sara. - Fui convidada, mas no quis ir. No preciso de enjo martimo, j tenho enjo suficiente que vem da gravidez do beb.
    As palavras de Dex subitamente ecoaram em sua mente - playboy do mundo ocidental. Certamente Matt honraria seus votos de casamento. No estava flertando com 
outra mulher. Eles eram felizes. Ou eram at ela ficar grvida.
    - Me? Voc est bem? Voc est com uma expresso muito estranha no rosto - disse Amber olhando preocupada para ela.
    - Estou bem. S estou pensando... - Pensando sobre a desolao que sentiria se Matt resolvesse que no queria ficar casado. Especialmente um casamento que agora 
inclua um beb.
    - Mudei de idia - disse Amber. - Vamos terminar de comer e depois vamos sair. O dia est lindo, no muito quente e com uma brisa gostosa. Podemos ir at o Golden 
Gate Park, caminhar, ir at os Tea Gardens, ou algo assim. O que voc diz?
    Sara olhou para a baguna nas prateleiras e no cho.
    Exatamente onde quisera ir com Matt. Entretanto, ela devia pegar o que podia.
    - Parece bom para mim. Vamos deixar isso para o prximo fim de semana.
    - Ou simplesmente deixar tudo para trs. Comece sua nova vida s com coisas novas - Amber sugeriu.
    
    Matt reclinou-se, fechando os olhos e desligando-se do som da conversa de seus amigos. Deixou o vento soprar seus cabelos enquanto absorvia o calor do sol. Era 
isso que amava. Se tivesse sido capaz de descobrir uma maneira de viver de velejar, ele teria feito uma carreira naquilo. Mas os nicos caminhos que ele havia explorado 
consistiam em fretar o barco, oferecendo turns de pesca ou algo que colocaria estranhos em seu espao pessoal.
    Melhor fazer o trabalho no qual se encaixava to bem e aproveitar o barco de Tony quando tivesse a chance.
    E as chances estavam parecendo que iam se tornar cada vez menores.
    Ele sacudiu a cabea. No conseguia entender o fato de que ia se tornar pai. Tecnicamente, talvez j fosse considerado pai. Mas pelo menos Amber podia cuidar 
de si mesma. O que ele sabia sobre crianas? Sabia o suficiente, que muitos homens que tinham filhos no saam para velejar a qualquer hora. No planejava estender 
as viagens de trabalho por mais alguns dias para explorar as cidades e vilarejos vizinhos. Nem tinha certeza de que conhecia algum homem com filhos que ia escalar 
ou mergulhar.
    Alguns dos homens no trabalho tinham famlia. Tambm tinham casas que davam muito trabalho. Amarrado por vinte anos. Ele poderia viver assim?
    - Ei, cara, venha fazer um turno no leme - Tony chamou.
    Matt abriu os olhos. Era melhor aproveitar o dia enquanto podia.
    - O que voc vai fazer? - perguntou ele enquanto se aproximava e substitua Tony no leme.
    - Pegar um sol. Falar com aquela mulher bonita que eu trouxe - ele piscou para Annie.
    - Certo, vou velejar na direo da ponte - disse Matt, fazendo um gesto na direo da Golden Gate Bridge que passava por cima da abertura do Pacfico para a 
baa de So Francisco.
    - V, o tempo est timo, as ondas no sero to grandes - Tony foi sentar-se ao lado da mulher. Dex e sua namorada estavam na frente, aproveitando a proa. Josh 
Pendar era o outro cara do trabalho, ele e a namorada estavam deitados na popa.
    Matt desejou ter ficado em casa ou trazido Sara. Mas no achava que ela velejaria de novo at o nascimento do beb. No tinha se sentido muito bem na primeira 
vez. Mas quem poderia esperar que ela estivesse grvida? Mesmo assim, a viagem de volta havia sido divertida. At pensara em comprar um barco para eles dois. Podia 
tirar um tempo do trabalho. Podiam velejar at o Hava ou o Alasca ou algo assim.
    A menos que se mudassem para Londres. Engraado como no tinham mais conversado sobre aquilo tudo depois que souberam do beb.
    Examinou a gua  sua frente, virou no vento um pouco mais, chamando Josh e Tony para preparar as velas para capturar inteiramente as rajadas de vento. Em geral, 
velejar afastava completamente os problemas de sua mente. Aquilo o refrescava.
    No hoje, entretanto. Ficou pensando no futuro, imaginando o que ia fazer. Ele e Sara no se conheciam h muito tempo. Pensou que se casariam e as coisas continuariam 
como antes para ele - apenas teria sua mulher com ele quando visitasse outras cidades e outros pases.
    A realidade at agora havia se mostrado bem diferente. E estava mudando ainda mais com um beb a caminho.
    - Ei, cara, voc ainda precisa de ns para ajudar a fazer a sua mudana dentro de algumas semanas? - perguntou Dex.
    - Deixe isso para l - disse Matt. - No tenho certeza se vou assinar mesmo o contrato.
    
    
   Captulo Nove
   
    Sara e Amber aproveitaram a tarde no Golden Gate Park. Andaram pelos caminhos no osis de verde cercado de apartamentos e casas em trs lados e com o Pacfico 
em uma extremidade. Os Tea Gardens japoneses eram adorveis e tranqilos. Saborearam o ritual da cerimnia do ch japons e passearam pela loja de presentes antes 
de irem ao Conservatrio das Flores. Examinar as variedades exticas de flores e plantas era fascinante, mas Sara adorava ainda mais a exposio de borboletas. Ser 
que seu beb gostaria de olhar os pequenos insetos flutuando em torno dele?
    Conforme a tarde passava, foi ficando cansada. Mas estava determinada a tirar o melhor de seu dia, como Matt estava fazendo.
    - Quer jantar no Cais? - perguntou ela a Amber. O prazer favorito de sua filha quando era criana era se deliciar com o caldo de moluscos em um dos pequenos 
e desconhecidos restaurantes no Cais. No aqueles bonitos e cheios de turistas, mas um dos lugares menores, onde os habitantes locais comiam.
    - Adoraria. Quer ligar para Matt e dizer a ele onde nos encontrar, ou prefere ir para casa antes? - perguntou Amber.
    - Vou ligar para ele. No tenho certeza da hora que vo voltar. Depende do quanto eles forem longe, acho.
    Quando ligou para o celular dele, no houve resposta - estava fora da rea. Ligou para o apartamento e deixou um recado, explicando cuidadosamente onde era o 
restaurante, para que ele pudesse encontr-lo.
    - No sei se ele vai conseguir vir - disse ela devagar quando desligou.
    -  estranho, no? - disse Amber enquanto comeavam a andar vagarosamente na direo da parada de nibus. A linha de metr as levaria  cidade, onde poderiam 
pegar o bonde Powell Street que as levaria ao cais. De l, poderiam andar de volta a p para a casa de Matt depois do jantar.
    - O qu? - perguntou Sara.
    - Estar casada. Para voc e para mim. 
    - Certamente as coisas mudaram - Sara concordou.
    - Nem tanto para mim quanto para voc. Jimmy mal ficava aqui. Passamos menos tempo juntos do que eu esperava. Eu disse a voc que ele quer continuar na carreira 
militar? Mencionou isso algumas vezes quando estava aqui. Ontem recebi outra carta na qual ele diz que est realmente pensando no assunto. Ele gosta daquele tipo 
de vida. Mas no sei se vou gostar.
    - Voc vai viajar.
    - Ou ele vai e eu fico presa nos Estados Unidos em algum lugar.  uma profisso perigosa, esses dias. Ele tem a oportunidade de sair dentro de um ano, por que 
no sairia?
    - Vocs dois precisam conversar sobre isso. Certamente ele no tomaria uma deciso como essa sem ouvir voc - disse Sara.
    - Quem sabe? Eu s vezes acho que no o conheo to bem quanto pensei que conhecia. Ele mudou desde a poca em que estvamos juntos na escola.
    - Voc tambm. Voc sabe o que quer fazer e est trabalhando para se formar e ser professora. Voc pode lazer isso em qualquer lugar, ento se mudar no seria 
to ruim assim. Tenho certeza de que ele mudou desde que entrou no Exrcito.
    - Me, voc  que gosta de conhecer lugares novos. Eu gosto de viver aqui. No quero ficar empacotando tudo e me mudando a cada ano. Imaginei ns dois morando 
aqui em So Francisco o tempo todo. Como os pais dele.
    - Diga isso a Jimmy. Ele precisa saber como voc se sente - disse Sara abalada por suas prprias palavras. Talvez ela tambm precisasse compartilhar seus medos 
e preocupaes com Matt.
    Mas com que fim? Obrig-lo a confirmar esses medos?
    O telefone tocou quatro vezes antes que a secretria eletrnica atendesse.
    - Sara? E Matt. Se estiver em casa, atenda - ele esperou um instante. Ela estaria dormindo? Ou ainda estava no apartamento antigo? - Estou na casa de Tony. O 
passeio de barco foi timo. Acabamos de chegar e vamos jantar daqui a pouco. Me ligue quando voc chegar em casa, que vou buscar voc. - Deixou o nmero do telefone 
de Tony e desligou.
    Tentou o outro apartamento, sem conseguir resposta l tambm. Talvez ela estivesse no caminho entre o dois e ligaria de volta em alguns minutos.
    - Sara est vindo? - perguntou Tony quando Matt juntou-se aos outros no salo.
    - Ela no atendeu. Vou tentar novamente daqui a pouco.
    Tentou mais duas vezes antes do jantar, deixando uma breve mensagem a cada vez. Estava comeando a ficar preocupado. J estava escuro, ela no devia ter ficado 
fora at to tarde se tivesse sado para caminhar ou algo assim. Onde estaria?
    Assim que terminaram de comer, ele saiu. No estava exatamente preocupado, Sara era adulta e soube cuidar de si mesma durante anos antes de conhec-lo. Mas queria 
saber onde ela estava.
    
    - Foi timo, me. Me ligue da prxima vez que voc quiser embalar as coisas - Amber provocou enquanto parava no ponto de nibus. O prximo a levaria at a universidade, 
perto de seu apartamento. Mais uma pequena caminhada e ela estaria em casa.
    - Da prxima vez realmente precisamos embalar tudo. Devemos nos mudar logo. No podemos ficar protelando - disse Sara.
    O nibus parou no meio-fio.
    - Tenho que ir. Amo voc - Amber deu um abrao forte na me e entrou no nibus.
    Eram apenas alguns quarteires de caminhada at em casa. Sara virou-se e foi para o apartamento. Tinha feito demais. Estava to cansada que tudo o que queria 
era ir para a cama. Mas foi divertido passar o dia com Amber. No faziam aquilo com freqncia suficiente. Sabia que a filha tinha a prpria vida agora. E ela tinha 
Matt. Mas por tantos anos haviam sido s as duas contra o mundo.
    - Voc precisa de um celular - disse Matt assim que ela abriu a porta do apartamento.
    - O qu?
    - Liguei vrias vezes para voc - disse ele do quarto. - E quando cheguei em casa ouvi sua mensagem. Se voc tivesse um celular, poderia ter me contactado diretamente.
    - Acho que sim. Desculpe por voc no ter jantado conosco - disse ela, tirando o casaco. Ele estava com raiva? Parecia distante.
    - Voc perdeu o jantar conosco na casa de Tony. Fomos para l depois - disse ele.
    - Foi bom o passeio de barco? - perguntou ela.
    Ele deu de ombros.
    - Foi legal. Teria sido melhor se voc estivesse l. Um brilho quente se espalhou em Sara. Ela sorriu.
    - Fiquei com medo de enjoar de novo. No foi; muito bom quando fomos s ns dois. Eu no queria vomitar entre um monte de bons velejadores.
    - Como est Amber? - perguntou ele.
    - Bem. Comeamos a empacotar algumas coisas na outra casa, mas decidimos passar o dia no parque depois. Depois comemos no Cais. Ela tem provas esta semana e 
queria dar um tempo nos estudos.
    - Ouvi seu recado quando cheguei. Voc podia ter tentado meu celular.
    - Tentei, mas estava fora da rea.
    - Voc parece cansada - disse ele, examinando-a.
    - Estou. Achei que iria tomar uma ducha e ir direto para a cama. - Ela parecia estar falando com um vizinho tamanha a intimidade que sentia com essa conversa. 
Por que ele no vinha at ela e a beijava?
    - Vou ficar acordado mais um pouco. Boa noite - disse Matt virando-se para o computador que ele mantinha num canto da sala.
    Sara tentou ignorar a dor que sentia, mas era impossvel.
    - Matt, ns precisamos conversar.
    Ela havia aconselhado sua filha a fazer o mesmo. Era hora de seguir seus prprios conselhos.
    - No hoje, Sara - disse ele.
    - Mas logo, ento. 
    Ele assentiu.
       
    Matt levou-a ao trabalho na manh seguinte, beijando-a profundamente antes de deix-la sair do carro. 
    - Vejo voc  noite - disse ele. 
    Sara sentiu-se melhor depois daquele beijo do que se sentia h alguns dias. Planejava conversar sobre uma licena com seu chefe antes de contar a Matt, mas se 
as coisas acontecessem como planejava, poderia contar a ele no jantar. Era primavera em muitas partes do mundo. Adoraria voltar  Inglaterra ou visitar outro pas 
da Europa se Matt fosse designado para um trabalho l.
    O sr. Pepovich no ficou feliz com seu pedido. Ameaou demiti-la. Apesar do medo de que ele concretizasse aquilo, Sara manteve-se firme em seu pedido. No dissera 
ao chefe que estava grvida e no achava que a assistente houvesse espalhado a notcia, ento queria se poupar de qualquer discusso sobre o que ia fazer a longo 
prazo. Mas ele relutantemente acabou concordando com o pedido.
    Com a promessa de comear a licena no final do ms, Sara voltou ao escritrio. Iria confirmar com o senhorio do novo apartamento, assim que terminasse o trabalho 
em sua mesa, se ela poderia comear a mudana logo.
    Imersa nos arquivos de clientes que esperavam reviso, Sara no percebeu que a manh passara at que pegou o telefone quando ele tocou s onze e meia.
    - Sara, tenho de ir para Bruxelas - disse Matt. - As instalaes de segurana de um banco de l foram quebradas.
    - Bruxelas! Por quanto tempo? - se ela tivesse pedido sua licena para mais cedo, poderia ir com ele.
    - No sei, alguns dias. Ligo para voc. Tenho que correr para pegar o vo. - Ele desligou.
    Sara ficou segurando o telefone mudo por um instante, depois o recolocou no lugar. Queria tanto dividir suas novidades no jantar. Ficaria, claro, para a prxima 
vez que se falassem. Mas queria dizer a ele no jantar, cara a cara.
    Voltando mais cedo do almoo, Sara ligou para o administrador do novo apartamento. Poderia pelo menos ver se ele deixaria que levassem as coisas mais cedo. Mesmo 
se custasse um pouco mais, aquilo tornaria a mudana mais fcil.
    - Ainda no tenho o contrato assinado - disse o homem quando Sara identificou-se e fez o pedido.
    - Mas foi assinado algumas semanas atrs. Eu o assinei e o dei a Matt. Ele ia coloc-lo no correio no dia seguinte. - Teria se extraviado?
    - No o recebi. Vocs ficaram com uma cpia dos papis assinados? - perguntou o sr. Douglas.
    Ela no sabia se Matt tinha cpias ou no. Enquanto ele no ligasse de Bruxelas, ela no poderia perguntar.
    - Vou conferir e ligo de volta para o senhor. - Certamente ele ligaria hoje  noite quando ela chegasse do trabalho. Iria perguntar a ele e depois ligar para 
o senhorio de manh.
    - Na verdade voc precisa me dizer isso logo, porque tenho outras pessoas interessadas no apartamento.
    - Meu marido est fora da cidade. Assim que tiver notcias dele, vou perguntar. Ligo no mximo at amanh, sr. Douglas.
    O que Matt tinha feito com o contrato? Se ele no tivesse uma cpia, o homem esperaria at Matt voltar para que pudessem assinar outro? Ela no queria perder 
aquele apartamento. Era perfeito.
    Sara saiu do trabalho mais cedo, determinada a estar em casa quando Matt ligasse. No queria uma mensagem na secretria eletrnica.
    Depois de vestir roupas confortveis, foi para a escrivaninha dele para ver se ele tinha uma cpia dos papis assinados. Remexendo ali, parou subitamente quando 
encontrou o contrato original. A assinatura dela estava claramente na linha. Matt no havia assinado. Por um instante ficou estupefata. A papelada havia chegado 
no dia seguinte ao que ela dissera a ele que estava grvida. Ele no o tinha assinado.
    Afundando no sof, Sara olhou para os papis, como se pudessem lhe dar alguma resposta. Por que ele no assinou e entregou o contrato?
    Sara esperou at as onze da noite antes de ir para a cama. Matt no havia ligado.
    No dia seguinte, disse a sua assistente para ter certeza de que colocaria Matt na linha se ele ligasse. Ele no ligou.
    No fim da tarde ligou para a Aste e perguntou sobre a localizao de Matt. A secretria no sabia onde ele estava, mas deu a Sara o nmero do banco. Infelizmente 
era meia-noite em Bruxelas. Duvidava que Matt ou qualquer outra pessoa estivesse no banco.
    Sara levantou-se cedo na manh seguinte e foi para o telefone. Depois de inmeras tentativas de localiz-lo finalmente teve de deixar um recado com um dos funcionrios 
do escritrio que falavam ingls.
    Vinte minutos mais tarde Matt ligou.
    - Sara,  alguma emergncia? Estou bem no meio de algo importante.
    - Encontrei o contrato do novo apartamento na sua mesa. O senhorio disse que precisava t-lo de volta imediatamente ou ele vai alugar o nosso apartamento para 
outra pessoa. O que est acontecendo, Matt? - ela no gritaria de frustrao, nem daria voz a seu maior medo. Ele estava arrependido de ter se casado? Arrependido 
por causa do beb? J estava fazendo planos para ir embora?
    Ela ouviu seu suspiro pelo telefone.
    - Precisamos conversar, mas agora no  uma boa hora - disse ele.
    Seu corao parou por um segundo, depois comeou a disparar. Ele disse a mesma coisa no domingo, mas agora no queria ouvir o que ela tinha a dizer. Queria que 
ele dissesse que a amava, que ficariam juntos contra tudo e encarariam o futuro como um casal para sempre.
    - Quando ser uma boa hora? Tentei no domingo e voc me dispensou - disse ela cuidadosamente, com medo de se dissolver se no segurasse fortemente suas emoes.
    - Certamente no quando estou no meio de um trabalho crtico - ele repreendeu.
    - Voc tinha alguma inteno de me dizer que no assinou o contrato? Eu estive embalando as coisas, planejando me mudar. Quando voc ia dizer algo, na manh 
da mudana? - O volume de sua voz aumentou. Ela estava ficando com raiva. Queria ficar fria, controlada. Mais do que isso, queria algumas respostas.
    - Sara, no posso falar daqui. Ligo para voc mais tarde.
    - Voc disse isso na segunda-feira e no ligou. Quando voc volta?
    - Ainda no sei.
    Ficou furiosa de frustrao. Por que ele tinha aceitado esse trabalho? Por que no estava em casa quando precisava dele?
    - Preciso de algumas garantias, Matt - disse ela. Garantias para o futuro. Garantia de que ele manteria o curso. Garantia de que ele a amava!
    - No posso d-las agora a voc - disse ele e desligou.
    Agarrando o telefone com fora, piscou para espantar as lgrimas repentinas. Ele no podia dar nenhuma garantia a ela? Ela o amava. Tinha se casado com ele planejando 
passar o resto de sua vida com ele. Mas ele no podia lhe dar nenhuma garantia.
       
    Nos dias seguintes, Sara mergulhou na movimentao do dia-a-dia. No ligou para Matt novamente, esperando em vo que ele telefonasse. Quando chegou sexta-feira 
 tarde e no tinha ouvido notcias dele, ligou para a Aste chamando por Dex.
    - Oi, Sara, o que h? - perguntou ele quando atendeu o telefone.
    - Voc sabe quando Matt vai voltar para casa? -perguntou ela.
    - Ele no est em casa ainda? - retrucou Dex.
    - No que eu saiba. Ele estava em Bruxelas.
    - Ele terminou por l em dois dias. Terminou na quarta-feira, eu sei porque tinha algumas tarefas que entregou a um dos tcnicos aqui para executar. Ele consegue 
fazer os computadores executarem coisas que at os inventores nunca pensaram. Instala um firewall que ainda estar trabalhando quando ns estivermos mortos, espero. 
Mas terminou na quarta-feira. Achei que tinha ido para casa. Agora que voc falou sobre isso, ele tambm no veio trabalhar hoje e eu esperava que viesse. Espere, 
vou conferir com a secretria dele.
    Sara esperou, j suspeitando do pior.
    - Desculpe, Sara, ela est de frias, tirou alguns dias aproveitando que estava fora. A secretria temporria no sabe nada. Espero que o vejamos logo que ele 
aparecer.
    Ela ouviu a perplexidade na voz de Dex.
    - Acho que isso se aplica a mim tambm - disse ela. - Obrigada pela informao.
    Por que Matt no tinha vindo para casa?
    
    O fim de semana foi solitrio. Sara limpou, lavou roupa e foi ao mercado fazer compras. Dormiu quando pde. Cochilar ajudava a passar o tempo, mas a no sentia 
sono na hora de dormir. Revirava-se na cama, tentando descansar, mas era s preocupao durante toda a noite.
    Conferia a secretria eletrnica vrias vezes por dia no caso de ele ligar. Nada.
    Fez biscoitos no domingo  tarde, sem querer ficar longe do telefone. Comeava a se preocupar agora com um possvel acidente. Certamente algum a teria avisado 
se esse fosse o caso, mas e se ele tivesse sido agredido e ferido e no fosse identificado?
    O cenrio que teimava em se mostrar, entretanto, era ele resolvendo partir para uma nova vida. No tinha pedido um beb. No ficara animado com a notcia quando 
soube por ela.
    Quando o telefone tocou, correu para atender.
    - Al?
    -  Dex. Matt j apareceu?
    - No - o desapontamento tomou conta dela.
    - Falei com um dos gerentes do banco em Bruxelas hoje de manh. Ele mesmo levou Matt ao aeroporto na quarta-feira  tarde. Deveria ter aterrissado em Nova York 
na quarta-feira  noite. Fiz as pessoas conferirem em Nova York para o caso de ter havido um acidente ou algo assim.
    - Obrigada, Dex. Bem, ser que ele poderia ter ido a algum outro lugar? Em vez de vir para casa, quer dizer. Havia outro problema ou algo que ele pudesse ter 
ido verificar?
    - No que eu saiba. Tony tambm est cuidando disso. Vamos encontr-lo, Sara.
    - Se ele quiser ser encontrado - ela murmurou.
    - O qu?
    - Nada. Obrigada por me passar essas informaes. Ligo para voc se ele telefonar para c.
    Desligou e ficou recostada na cadeira. No conhecia Matt h muito tempo, mas ele era honrado demais para simplesmente desaparecer. No deixaria seus amigos e 
scios a ver navios. Nem era o tipo de ir embora sem dar uma palavra com ela. Diria na cara dela que o casamento no era o que ele queria e lhe pediria para ir embora.
    Olhou em volta. Nunca se sentira totalmente confortvel naquele apartamento. Ou ser que nunca se sentira totalmente confortvel naquele casamento? Ela e Bill 
haviam sido namorados durante anos, e mesmo assim ele a abandonara sem escrpulos. No seria mais fcil para Matt partir sem os anos de experincias compartilhadas 
para uni-los?
    
    Na segunda-feira de manh Sara estava furiosa. Era melhor que Matt tivesse uma boa desculpa para no, ligar e no deix-la saber onde estava. No seria tratada 
assim. Ou a mantinha informada sobre onde estava quando viajava, ou ela terminaria aquele casamento de curta durao.
    Quando chegou ao trabalho, descobriu que sua secretria estava doente e no tinha ido trabalhar - exatamente quando mais precisava dela para concluir alguns 
assuntos em preparao para sua licena.
    Sara comeou a fazer anotaes para os diferentes contadores que iriam pegar partes de seu trabalho quando sasse Desejou que Stacey estivesse ali, pois o dia 
passaria mais facilmente.
    Enquanto trabalhava pesadamente nas contas, comeou a imaginar se deveria se importar. Se ela e Matt no iam ficar juntos, ento no havia razo para tirar uma 
licena. Na verdade, precisava trabalhar o mximo possvel para guardar algum dinheiro para os primeiros meses de vida do beb quando no pudesse trabalhar.
    O pensamento de ser me solteira novamente apertou seu corao. Sabia que Amber tinha perdido muito por no ter um homem em sua vida quando a filha era uma criana. 
A situao no se agravaria tanto se seus pais tivessem sido mais compreensivos, ou Bill tivesse pelo menos mantido contato.
    Matt iria querer algo com seu filho ou filha? Ou estaria ocupado demais salvando os computadores do mundo para se preocupar com a criana que ele ajudara a criar? 
    O telefone tocou. A esperana imediatamente cresceu.
    -Sara? - Era Dex. 
    - Sim
    - Tivemos notcias de Matt. Na verdade, tivemos notcias na ltima quinta-feira, mas uma secretria temporria pegou o recado e ficou enfiada em algum outro 
trabalho. Ele disse que tinha coisas pessoais para resolver e que ligaria. Disse a ela para avisar a sua mulher. Ele deve ter achado que ela encontraria algum para 
passar a mensagem, mas aparentemente apenas anotou num pedao de papel e esqueceu.
    - Ento isso  tudo, coisas pessoais?
    - Foi o que ele disse.
    - Tipo o qu?
    - No fao idia. - Dex hesitou um instante. - O tio dele est morto. Ele no tem outros familiares para estar em contato, por isso no tenho certeza do que 
ele quis dizer. Foi nosso erro, desculpe por toda a preocupao de sua parte.
    - Pelo menos ele no sofreu nenhum acidente.
    - Ele devia ter ligado diretamente para voc - disse Dex.
    - Talvez esteja sem tempo. - Ela no revelaria as dificuldades que estavam enfrentando para Dex, no importava o quanto ele fosse amigo de Matt.
    - Se ele ligar de novo, avisamos voc imediatamente. Desculpe o atraso.
    Ento Matt tinha pelo menos tentado avisar a ela sobre o atraso. No que cuidar de assuntos pessoais significasse muito. E onde ele estava que no podia usar 
o telefone? Fizera um escndalo por ela no usar telefone celular. Ele poderia ter ligado.
    Toda a preocupao tinha se transformado em raiva agora. Como ousava fazer aquilo com ela? Se ele quisesse continuar casado, realmente precisariam se sentar 
e conversar - e uma das primeiras coisas que exigiria era que ele se mantivesse em contato!
    Almoou rapidamente e depois distribuiu as pastas e anotaes que tinha feito a manh inteira. Sua mesa estava mais limpa do que nunca. Alguns dos companheiros 
de trabalho comentaram seus planos, desejando que ela.e Matt tirassem uma folga para visitar algumas das capitais do mundo. Ela sorriu, tentando manter um comportamento 
calmo quando o estmago estava revirado e a raiva, mal controlada.
    Quando o telefone tocou por volta de trs horas da tarde, ela o pegou, desejando novamente que Stacey no estivesse doente hoje.
    - Me? - era Amber e ela parecia estar chorando.
    - Sim, querida. O que foi? - Ela no havia passado numa prova?
     - Me, voc pode vir aqui? Jimmy est morto.
     
    
   Captulo 10
   
    Sara desejava que o txi fosse mais rpido, mesmo que o trnsito estivesse pesado. Sabia que o motorista estava dando o melhor de si, mas sua filha precisava 
dela e queria estar l imediatamente.
    Jimmy morto, como poderia ser? Ele tinha apenas 21 anos. Tinha a vida inteira pela frente. S que aparentemente no tinha mais. Amber devia estar arrasada. Sara 
queria empurrar o assento na frente dela na esperana de que o txi fosse mais rpido, para chegar a sua filha.
    Minutos interminveis depois o txi parou na frente do prdio do apartamento de Amber, uma antiga construo perto da universidade. Sara jogou o dinheiro da 
corrida na direo do motorista e lanou-se para dentro do prdio.
    Segundos mais tarde, bateu na porta.
    Amber abriu-a, as lgrimas correndo pelo rosto.
    Sara percebeu vagamente dois homens que estavam ali quando entrou, mas sua preocupao era com a filha. Pegou Amber nos braos, abraando-a com fora, sentindo 
suas prprias lgrimas surgirem.
    - O que aconteceu? - perguntou ela enquanto Amber soluava em seu ombro.
    - Ele foi morto - ela uivou, soluando ainda mais.
    - Senhora - um dos homens disse.
    Sara levantou os olhos, reconhecendo o uniforme do exrcito.
    - Sinto muito ter que trazer notcias to ruins - disse ele.
    Ele mal parecia adulto o suficiente para usar as insgnias nos ombros.
    - O que aconteceu? - perguntou ela novamente, agora a eles, abraando fortemente sua filha.
    - O peloto de Woodworth foi transferido para um setor de incurso. Ele e trs outros morreram quando o veculo que estavam dirigindo foi atingido por um mssil. 
O corpo est sendo mandado para casa para o enterro. Estar aqui dentro de dois dias. - Ele estendeu um envelope oficial.
    - Ele estava lotado na Alemanha, no h guerra na Alemanha - disse Sara, cada vez mais chocada com a notcia. Tentava entender.
    - No, senhora. Mas ele no estava na Alemanha. O peloto dele foi enviado para uma rea de conflito, haviam acabado de chegar quando aconteceu o ataque.
    Ele ofereceu novamente o envelope oficial.
    - Aqui est toda a informao que temos, a hora da chegada do corpo, quem contatar para coordenar o funeral. Questes de seguro. Quem contatar com qualquer pergunta 
que vocs tenham e que ns no possamos responder.
    Ela estendeu a mo para pegar o envelope e assentiu, enxugando suas prprias lgrimas com as costas de suas mos. Seu corao doa por sua filhinha. Ela e Jimmy 
no ficaram casados nem trs meses!
    - Alguma dvida? - o homem perguntou. Havia um milho de perguntas - como ele tinha morrido? Por qu? O que sua filha ia fazer com o resto de sua vida? Quem 
mandava garotos para conflitos armados? Como uma coisa assim poderia acontecer?
    Mas o homem de uniforme no teria as respostas.
    - No.
    - Nossos sinceros psames - disse ele formalmente. 
    Quando saram, Sara levou Amber para o sof.
    - Oh, mame, no posso acreditar. Ele nunca mais vai voltar para casa. Nunca vamos construir uma vida juntos, ir  faculdade, comprar uma casa. Eu at iria com 
ele para uma vila militar se ele estivesse aqui - ela gritou, agarrando Sara como se nunca mais pudesse deix-la.
    - Eu sei, querida. Eu sei. - Ela se sentia inadequada para lidar com isso tudo. O que elas fariam? Desejou que Matt estivesse ali com ela. Ele poderia ter alguma 
sugesto. No mnimo, poderia oferecer apoio. Precisava de algum para se apoiar.
    - Precisamos contar aos Woodworth. O Exrcito me notificou como parente mais prxima. Eles tm de saber. Pobre Virgnia. Ela ama Jimmy cegamente. Amava - disse 
Amber, as lgrimas correndo pelo rosto.
    As lgrimas de Sara brotaram novamente. Amber obviamente no podia contar a eles. Ela teria de faz-lo. Havia algo pior do que uma me perder um filho? Jimmy 
era o nico filho de Virgnia e James. Seria uma notcia arrasadora. Sara colocou instintivamente a mo em sua barriga que estava comeando a crescer.
    - Vou ligar para ela agora. Ela precisa saber - disse Sara.
    Amber disse a ela onde estava o nmero do telefone e, quando Sara foi ligar, lembrou-se de Jimmy passando depois da escola para ver Amber. Lembrou-se das vezes 
em que eles tinham brigado e feito as pazes. Lembrou-se dos planos que fizeram e do casamento simples que acontecera h to pouco tempo. Ele era jovem demais para 
morrer. E Amber jovem demais para ser viva. Eles deviam ter tido a vida inteira  sua frente.
    Sara pediu para falar com James quando Virgnia atendeu. Ele no estava em casa, Virgnia respondeu. Sara no conseguiu pensar por um momento, depois disse que 
tinha um assunto de impostos para tratar com ele, no desejando que Virgnia recebesse a notcia quando estava em casa sozinha. Pediu que ele ligasse assim que chegasse.
    Depois foi preparar um ch quente e doce para si mesma e Amber. Haveria tanto a fazer nos prximos dias. Mas primeiro o choque inicial precisava ser digerido.
    Amber parou de chorar, aceitando o ch com indiferena quando ficou pronto.
    - No sei o que fazer - disse ela.
    - Vamos dar um passo de cada vez. Os Woodworths vo querer participar dos planos para o funeral, ento vamos esperar at eles saberem para planejarmos qualquer 
coisa.
    - Falei com ele na semana passada, quando eu estava no meio das provas. Ele disse que ia a algum lugar por algumas semanas, mas no disse que era um lugar perigoso.
    - Ele provavelmente no queria preocupar voc -disse Sara, desejando mais do que nunca que Matt estivesse ali para ajud-la a lidar com isso. Sentia o corao 
doer por sua filha e pelos Woodworth.
    - Ele nem perguntou pelas minhas provas - disse Amber. - Tive de dizer a ele que estava fazendo. Parece to insignificante agora, mas fiquei aborrecida por minhas 
provas no serem to importantes para ele quanto ir para sua prxima misso - ela comeou a chorar novamente.
    - Querida, ele era um homem, fazendo um trabalho de homem. Estava concentrado nisso. Voc era importante para ele. Ele amou voc durante muitos anos. Sempre 
se lembre disso.
    - O telefonema foi to curto - Amber murmurou.
    - Se ele soubesse que no teria mais outra chance de ligar, tenho certeza de que ficaria na linha durante horas - disse Sara gentilmente. Havia algo a ser dito 
por no saber quando o fim estava chegando.
    - Talvez. Mas no sei como me sinto. No muito casada. Passamos apenas algumas noites juntos, sabe. Ele ficava na base a maior parte do tempo em que estava aqui. 
Nunca fomos marido e mulher, nunca samos para fazer compras, fazer coisas juntos. amos fazer isso tudo quando ele voltasse. Agora nunca faremos.
    - Eu sei. Sinto muito, querida - Sara faria qualquer coisa para aliviar o sofrimento pelo qual sua filha estava passando.
    Amber levantou-se e andou pela pequena sala. Sua mo foi para a barriga e esfregou-a gentilmente.
    - E o que vou fazer com isso? 
    Sara encarou-a.
    - Ai, meu Deus, Amber, voc est grvida!
    Matt abriu o apartamento. Estava muito cansado, porm mais convencido do que precisava fazer do que h muito tempo. No seria fcil, mas no tinha escolha.
    
    - Sara?
    O silncio no apartamento indicava que ele estava sozinho. Ligara do aeroporto, mas ningum a vira no escritrio desde o meio-dia, e sua secretria estava doente 
e no fora trabalhar.
    Levou a maleta para o quarto. Ela no estava cochilando na cama, o que era o que ele esperava que estivesse fazendo.
    Aps tomar um banho rpido para se refrescar, vestiu uma roupa confortvel e voltou para a sala. No havia bilhete. Claro que no, ela no sabia que ele ia voltar 
para casa hoje. Nem mesmo tinha recebido seu recado sobre a visita a Sambo at esta manh.
    Dex pedira desculpas vrias vezes, mas isso no tornou as coisas mais fceis. O que Sara havia pensado quando no tivera notcias dele durante dias?
    Se Sambo no morasse nas montanhas da Virgnia, ele poderia ter usado o celular e ligado depois daquela tempestade ter feito a luz cair e as linhas telefnicas 
tambm. As inundaes tornaram as estradas intransitveis por dias. A companhia telefnica s conseguira consertar os servios telefnicos na noite passada. Ficara 
o mximo de tempo possvel para ajudar a limpar as estradas, trabalhando na pequena cidade para conseguir os backups de seus computadores quando a energia voltou 
e recuperou o mximo de dados possvel das mquinas danificadas. Energia eltrica e computadores nunca deveriam se cruzar.
    Para ele, Sara sabia que estava bem. Ao contrrio, ela deve ter ficado doente de preocupao quando no ouvira notcias dele h uma semana.
    - Ento onde ela est agora? - ele falou alto, discando para seu escritrio novamente.
    Sem sorte. Ningum sabia onde ela estava.
    Tentou novamente a casa de Dex, mas ele no tinha notcias de Sara desde aquela manh.
    Ligou para o telefone de Amber, mas s conseguiu ouvir a secretria eletrnica.
    Quem eram os amigos de Sara? Ela falara sobre Abbie e Marian, mas ele no conseguia se lembrar de seus sobrenomes. Remexendo em suas coisas, no encontrou um 
caderno de endereos. Provavelmente ainda estava no apartamento velho.
    Viu o contrato de aluguel. Precisava falar com ela sobre aquilo. J devia ter feito isso, mas andava morrendo de medo.
    Diabo de coisa para um homem admitir. A idia de que um beb o assustara at a morte. Nunca se imaginou pai na vida.
    Tentou a casa de Amber novamente. O telefone tocou at a secretria eletrnica atender. Ele deixou um recado breve e desligou. No havia nada a fazer alm de 
esperar.
    E esperar no era uma de suas virtudes.
    Conferiu o correio, mantendo um olho no telefone como se aquilo fosse ajud-lo a tocar. Tinha que comer alguma coisa e preparou um grande bule de caf. Estava 
cansado, mas nada que no conseguisse contornar. Voar da Costa Leste no era como chegar em casa vindo da Europa.
    Depois das sete horas tentou o telefone de Amber pela ensima vez. Ainda sem resposta.
    Impaciente e preocupado, ele saiu. Iria passar no velho apartamento de Sara. Talvez ela estivesse embalando as coisas. Embora duvidasse daquilo. Sem o novo apartamento 
confirmado, Sara provavelmente desistira da mudana.
    Por um instante imaginou se ela tambm desistira dele e voltara para a antiga moradia.
    Dirigiu os poucos quarteires e ficou surpreso ao ver as luzes acesas. Ele realmente no esperava aquilo.
    Encontrar uma vaga para estacionar o carro provou ser quase impossvel. Ficou tentado a deixar o carro no meio da rua e subir correndo para o apartamento, a 
fim de exigir que ela explicasse por que ela estava ali em vez de em casa.
    Encontrou uma vaga cerca de dois quarteires adiante. A caminhada de volta no fez nada alm de aumentar sua raiva. Estava esperando h horas, e ela estava ali 
na casa dela o tempo todo? O que ela estava fazendo?
    Bateu na porta, aborrecido por ela no ter lhe dado uma chave do apartamento. O antigo apartamento dela, ele se corrigiu.
    Sara abriu a porta, chocada ao v-lo. Mas aquilo no era nada comparado ao choque que ele sentiu ao v-la.
    - Sara! O que houve?
    Ela parecia horrvel. Os olhos estavam inchados e borrados. No tinha um sinal de maquiagem e os cabelos estavam puxados para trs como se para mant-los fora 
do rosto.
    - Matt? O que voc est fazendo aqui?
    - Vim buscar voc.
    - Oh, Matt, Jimmy est morto. - Ela explodiu em lgrimas.
    Ele entrou e puxou-a para seus braos.
    - Oh, Sara. Eu no sabia. Quando isso aconteceu? Eu teria vindo imediatamente se soubesse.
    - Voc est aqui agora,  o que importa - disse ela, apertando-se contra ele. - Soubemos hoje  tarde.  to horrvel.
    Virou-a levemente e segurou-a, carregando-a at o sof onde se sentou com ela no colo.
    - Conte-me - ele encorajou, segurando-a bem perto.
    - Amber finalmente dormiu. Viemos para c porque... - ela parou e olhou para ele, os olhos cheios de preocupao e tristeza.
    - Porque  a sua casa, sua e de Amber. E o que ela precisa agora  de conforto - disse ele. A casa de Matt nunca fora dela. Jamais seria. Ele sabia disso agora.
    Ela assentiu, as lgrimas diminuindo.
    - Eu no sabia que voc tinha voltado - disse ela, deitando a cabea em seu ombro, cansada.
    - Cheguei hoje  tarde. Liguei para o seu trabalho, mas voc no estava l.
    - Eu tive a notcia por volta das trs da tarde. Fui ao apartamento de Amber, mas no queramos ficar l. Os Woodworth ficaram arrasados. Tive de contar a James. 
O Exrcito notificou Amber. Eu sabia que eles ficariam arrasados. Que coisa horrvel perder um filho. No sei como Virgnia vai conseguir suportar isso. - O que 
aconteceu? - Trs horas? Ele tinha chegado em casa s quatro. Podia ter estado com ela todas essas horas.
    Ele escutou enquanto Sara contou desarticuladamente o que sabia. No entendeu direito onde Jimmy estava, mas ser que aquilo importava? O fato era que o jovem 
estava morto e a enteada de Matt era viva aos 19 anos. Os pais de Jimmy perderam o nico filho. Sua mulher estava perturbada, o que no seria bom para ela, nem 
para o beb.
    E ele no estava ali na hora em que ela mais precisou.
    Ela se afastou.
    - Preciso lavar o rosto de novo - ela levantou-se e seguiu pelo pequeno corredor para o banheiro. Ele ouviu a gua correndo. Sentindo-se frustrado, levantou-se 
e foi para a cozinha. A chaleira estava no fogo. Xcaras na pia. Pores de comida ainda na bancada, como se mal tivessem sido tocadas.
    Comeou a lavar a loua, empilhando-a na pia, jogando a comida fora. Ele a ouviu chegar perto dele. Ela colocara um suter sobre as roupas. Provavelmente pelo 
choque, j que no estava particularmente frio no apartamento.
    - Eu posso fazer isso - disse ela estupidamente.
    - Deixe comigo. Sente-se e fale comigo. Diga o que vocs decidiram em relao ao funeral.
    Ela olhou para ele, um fluxo de raiva aparecendo.
    - Onde voc esteve? Fiquei fora de mim de preocupao, sem ouvir nem uma palavra sua durante uma semana. Ns no terminamos exatamente com palavras bonitas em 
nosso ltimo telefonema, que, por sinal, foi dado por mim. Voc jamais teria me ligado?
    - Eu ligaria - disse ele baixinho. Ele fechou a torneira e virou-se para encar-la, recostando-se na bancada.
    - Quando? Como voc ousa chegar assim como se tivesse apenas ido ali na esquina?
    - Tenho algumas coisas para ver. Eu queria...
    - Me? - Amber apareceu na porta. - Oh, oi, Matt. Acho que voc j soube? - perguntou ela.
    - Sinto muito, Amber - disse ele, notando sua aparncia. A jovem vibrante e feliz que estava acostumado a ver havia ido embora. Seus olhos estavam embotados 
de lgrimas. Movia-se como se tivesse 80 anos em vez de 20.
    - , eu tambm - ela foi se sentar ao lado de Sara.
    - No consegue dormir? - perguntou Sara. 
    Ela sacudiu a cabea.
    - Quer que eu esquente a comida? - perguntou Matt. Ele no tinha muita certeza do que fazer com duas mulheres chorando, mas tinha que tentar alguma coisa. No 
conhecia bem Jimmy, mas no conseguia acreditar que o garoto estava morto. Ela sacudiu a cabea.
    - No quero mais nada, a no ser ficar com minha me.
    Sara estendeu os braos e esfregou os dedos no rosto de Amber.
    - Vai melhorar com o tempo, querida. Eu sei que no parece agora, mas vai melhorar. Eu prometo.
    - Mas o difcil  justamente o agora - Amber respondeu.
    Matt sentiu-se deslocado. As duas tinham um lao do qual ele jamais faria parte. Elas eram uma famlia. Ele era o estranho que se casara com Sara. Ser que o 
jogo estava contra eles desde o incio?
    Terminou de limpar a cozinha, tentando ignorar as caixas encostadas na parede. Sara estava se preparando para mudar e ele ficara protelando para tomar a deciso 
final e assinar o contrato.
    E agora?
    Virou-se e apoiou-se na bancada da cozinha. As duas mulheres estavam sentadas em silncio, observando-o.
    - Querem ir para a sala onde  mais confortvel? - perguntou ele.
    Elas deram de ombros quase ao mesmo tempo e levantaram-se, andando at a sala. Sentadas lado a lado no sof, Amber ps a cabea no ombro de Sara. Por um instante 
Matt pde ver uma garotinha, confiando em sua me, a nica pessoa que tinha.
    Pelo menos Amber tivera Sara na infncia, no o velho rabugento que o criara. O tio o criara, mas no o ensinara a ser parte de uma famlia.
    Matt sentiu como se aquilo fosse um teste. Se passasse, teria a permisso de fazer um ninho para si mesmo com elas. Se falhasse, voltaria a viver por conta prpria, 
apenas seria pior desta vez porque conhecera Sara e tivera um vislumbre do que poderia ser a vida com ela.
    - Voc no precisa ficar, Matt - disse Sara, recostando-se e fechando os olhos. - Vamos ficar bem.
    - Sara, voc  minha mulher, claro que vou ficar. - Ela estava tentando mand-lo embora? Ela no queria que ele ficasse?
    - Esta  uma boa hora para lembrar isso. Onde voc esteve?
    Ele olhou para Amber. Ela olhava para ele, mas tinha a sensao de que ela no o via.
    - Tive algumas coisas para resolver - disse ele, sentando-se em frente a ela. No queria ter essa conversa com uma terceira pessoa presente. Mas tambm no iria 
embora. No antes que ele e Sara conversassem.
    - Resolver coisas onde no havia telefones? - perguntou ela, de maneira ctica.
    - Na verdade, sim. Fui visitar um velho amigo. Ele e a mulher moram nas montanhas da Virgnia. Infelizmente, l no h sinal de celular. E houve uma tempestade. 
A energia eltrica e as linhas de telefone foram atingidas. Achei que voc havia recebido meu recado na quinta-feira.
    - No recebi.
    - Agora eu sei disso.
    - Voc no assinou o contrato. 
    Ele sacudiu a cabea.
    - Vocs querem que eu saia? - Amber perguntou, olhando de sua me para Matt e vice-versa.
    - No - disse Sara.
    - Talvez fosse melhor - disse Matt ao mesmo tempo. 
    Sara encarou-o furiosa.
    - Ela acaba de perder o marido. Talvez eu esteja perdendo o meu tambm.
    Matt sentiu um soco no estmago.
    - Do que voc est falando?
    - Sei que voc no quer um filho, voc disse isso tantas vezes.
    - Eu nunca disse isso!
    - Voc disse...
    - O que eu disse mais de uma vez  que no consigo me ver como pai. O que  verdade. Para falar a verdade, nunca me vi como marido, mas voc mudou isso. E agora 
vamos ter nosso beb.
    - E voc est animadssimo - disse ela com sarcasmo.
    - Na verdade, animadssimo no  bem como eu descreveria meu estado. Apavorado  mais parecido.
    Ela olhou para ele.
    - Com um beb?
    Ele assentiu.
    - Nunca me vi como pai, principalmente porque no tenho idia de como ser pai.
    - Estar por perto ajuda bastante em minha opinio - murmurou Amber. - O meu nunca esteve.
    - Os bebs no sabem nada quando nascem - disse Sara. - Seja quem for que lhes faa companhia, para eles est bom. E voc no se torna pai de um dia para o outro, 
nem me. Leva tempo. Fiquei to assustada quando Amber nasceu. Droga, ainda no sei o que fazer o tempo todo, olhe esta situao. Mas eu no a trocaria por nada 
deste mundo!
    - Voc  uma tima me - disse Amber, abraando Sara. Ela levantou os olhos para Matt. - Pelo menos seu filho vai ter o pai por perto. Apenas o ame muito e tudo 
vai dar certo.
    - Vou me lembrar disso - disse ele, inclinando um pouco a cabea e olhando para Sara. Se Amber no estivesse ali ele teria agarrado sua mulher e a levado para 
a cama para tentar apagar a tristeza que estava impregnada nela. Ele odiava saber que parte daquilo era culpa dele.
    Sara o examinou como se procurando uma explicao para o que tinha de ser uma reverso no que ela pensava.
    - Tive tempo para pensar em ns dois, nas mudanas que um beb trar - disse ele. - E por mim est tudo bem.
    - Desde quando?
    - Desde que passei o fim de semana com Sambo, a mulher dele e os trs filhos.
    - Quem  Sambo? Que nome  esse?
    - Sam Bond. Ele, Dex e eu freqentamos a universidade juntos. Ele voltou para o leste, instalou-se numa cidade pequena na Virginia oeste, casou-se e tem duas 
filhas e um filho. So crianas maravilhosas.
    Sara e Amber ficaram olhando para ele.
    - Me d um desconto, Sara. Nunca fiquei perto de crianas antes. Eu nem tenho amigos que tm filhos, a no ser Sam. E ele mora a cinco mil quilmetros de distncia. 
Voc conhece minha histria. Acha que eu sonharia que algum dia teria um filho ou filha dependendo de mim? Que tipo de pai eu seria?
    - Acho que voc ser um pai maravilhoso - disse Sara suavemente.
    Ele ficou surpreso com aquilo.
    - Acha mesmo?
    Ela assentiu, sorrindo suavemente.
    - Acho. Exatamente o tipo de pai que quero que meu filho tenha.
    - E eu tambm - disse Amber.
    - As duas? - o pensamento no deveria alegr-lo tanto, mas alegrou.
    - E um av maravilhoso - Amber acrescentou. 
    Ele encarou-a entendendo devagar.
    - Oh, no, Amber, voc no est grvida tambm, est? - Agora as palavras que ela dissera antes faziam sentido. Seu prprio filho jamais conheceria o pai.
    Ela assentiu.
    - Eu nem consegui contar a Jimmy. Voc e mame so os primeiros a saber.
    Sara sorriu.
    - Se voc pudesse ver o seu rosto. Imagine tornar-se pai e av ao mesmo tempo. Aposto que voc nunca pensou nisso!
    As lgrimas encheram os olhos dela de repente.
    - Se voc ficar, ser assim.
    Ele sacudiu a cabea, totalmente confuso.
    - O que voc quer dizer com se eu ficar? Claro que vou ficar, s preciso acertar algumas coisas na minha cabea. Est feito. J falei com Dex e Tony hoje  tarde. 
No vou viajar mais durante um ano pelo menos. Vamos ter esse beb juntos.
    - No viajar? - Sara perguntou. - Mas esse  o seu trabalho.
    - No, esse era o meu trabalho.
    - Achei que voc no tinha assinado o contrato porque queria estar em Londres, no em So Francisco. E talvez quisesse ficar l sem ser sobrecarregado, sem mulher 
e filho.
    - No assinei o contrato porque tive dvidas se precisvamos de um lugar maior - para nosso novo beb e para ter um lugar para nossa filha e o marido nos visitarem. 
Agora acho que precisamos de uma manso para abrigar a famlia toda.
    - A famlia toda? - disse Sara.
    - Voc, eu, Amber e os dois bebs. Onde mais ela vai morar?
    Sara olhou para Amber.
    - Onde realmente?
    - Quando terminar o funeral, preciso voltar para a faculdade para terminar este ano, se possvel. Quem sabe onde poderei conseguir uma educao superior com 
uma criana para cuidar? Tenho que conseguir um emprego. Um dia eu voltarei para l. Mas no posso morar com voc e mame - disse Amber vagarosamente.
    - Ns adoraramos ter voc conosco - disse Matt, olhando para Sara em busca de concordncia.
    Ela assentiu, o sorriso quase to feliz como sempre. Apenas uma sombra de tristeza continuava ali. Deus, ele faria qualquer coisa para fazer seu sorriso ser 
to radiante como havia sido no dia de seu casamento.
    Amber olhou de um para o outro novamente e depois se levantou.
    - Preciso me deitar. Obrigada por estar aqui, Matt. 
    Quando Amber saiu, Sara falou suavemente.
    - Obrigada, Matt. Foi especial convid-la para morar conosco.
    - Eu estava falando srio.
    - Aposto que sim. Mas me surpreendeu assim mesmo.
    - Por qu?
    - Achei que voc tinha vindo me dizer que ia embora. Que nosso casamento havia terminado - disse Sara devagar.
    
    
   Captulo 11
   
    Sara ficou agradecida pelo olhar que viu no rosto de Matt. Obviamente ela estava errada.
    - Bem, voc no assinou o contrato, sumiu sem me dizer para onde, no falou comigo, saa sozinho com seus amigos e ficava dizendo... - ela se retraiu enquanto 
ele se levantava decidido e ia na direo dela.
    - Eu nunca disse que no queria o beb.
    - Voc mudou quando contei a voc.
    - Voc me pegou totalmente de surpresa. Admito que andava com raiva de voc por no ter largado o emprego e viajado comigo.
    - Eu estava com medo. Medo de voc me deixar e eu ficar sem casa e desempregada.
    - Isso no faz sentido. Eu nunca iria deixar voc.
    - Ns nos casamos to rpido. Achei que se pudssemos fazer o que planejamos, voc no iria embora.
    - Eu disse a voc antes, no sou o seu primeiro marido. Eu nunca a abandonaria. Voc no sabe o quanto  importante para mim?
    Ela sacudiu a cabea vagarosamente.
    - Tenha um pouco de f, Sara. Acredite em mim quando digo que nunca vou abandon-la. Nem um beb, nem seu emprego nem qualquer outra coisa vai nos separar.
    -  tarde demais.
    - O que  tarde demais?
    - Para eu pedir demisso e viajar.
    - Por qu? 
    Ela piscou.
    - Deveria ser bvio. Em pouco tempo vou parecer uma baleia encalhada. Vou precisar de nada menos que um banheiro de 40 metros. Terei a energia de uma lesma. 
No serei capaz de amarrar meus sapatos, muito menos de viajar para a Europa e o Oriente.
    - Ento? - Ele deu de ombros, sentando-se ao lado dela, colocando o brao em torno de seu ombro, como se para ancor-la perto dele. - Vamos lidar com isso quando 
a situao acontecer. Voc sabia que Sam e sua mulher vo caminhar na Trilha Apache todos os anos, grvida, com crianas e tudo?
    - O qu?
    - Aprendi muito nos ltimos dias. Mulheres grvidas podem fazer o que quiserem, inclusive visitar pases estrangeiros. Vamos ter de nos certificar de que estaremos 
em casa na hora do parto, mas a no ser isso, se voc quiser, ainda podemos fazer nossas viagens. Mas eu disse a Dex que no vou fazer mais nenhuma viagem a trabalho 
at esta poca do prximo ano. No vou passar dias e mais dias longe de minha mulher. Quero ver todas as mudanas que o beb trar. E estar aqui quando ele nascer. 
Nesta poca podemos estar prontos para comear a viajar novamente.
    - Voc adora viajar e esta  a melhor parte de seu trabalho - disse ela.
    - Eu realmente gosto de viajar - ele enlaou os dedos nos dela. - Mas nos ltimos meses descobri que gosto ainda mais de estar com voc. Se nunca mais sairmos 
de So Francisco, ficarei feliz com voc, Sara. Nunca tive ningum para compartilhar minha vida, ningum que me quisesse apenas por mim mesmo antes. Percebi em Estocolmo 
e Bruxelas como visitar esses lugares significa pouco quando voc no est comigo.
    - Pedi uma licena no trabalho. Ia contar a voc no dia em que foi para Bruxelas. Estou pronta para ir com voc - disse ela, tomada pela exploso de amor que 
lhe preenchia o corao.
    Ele aninhou-a mais perto e passou os lbios nos seus dedos.
    - Ento vamos viajar enquanto for possvel at que o beb esteja suficientemente crescido, depois voltamos a nosso plano de nos instalar temporariamente em Londres. 
Pense como nosso filho ser cosmopolita enquanto crescer visitando Madri, Bruxelas e Tquio.
    - Filho? - Ela prendeu-se  nica coisa que podia, a mente girando com as possibilidades enquanto Matt as apresentava.
    - Ou filha. Ou os dois. 
    - Os dois?
    - No queremos que esta criana cresa sozinha, queremos? Eu era sozinho, voc tambm, e Amber tambm at agora. No queremos todos ns irmos e irms?
    - Voc quer mais filhos? - Os olhos de Sara se arregalaram de surpresa.
    - Em primeiro lugar, quero voc. Depois, sim. Acho que quero uma famlia cheia de crianas. Se no decidirmos nos instalar em algum lugar, podemos comprar uma 
casa. Mas, enquanto isso, serve um apartamento grande, do qual algum possa cuidar para ns enquanto estivermos viajando.
    - Ento voc quer continuar casado? - Sara queria aquilo bem claro.
    - Eu estou falando srio. Voc  mais importante do que qualquer coisa que eu tenho ou espero jamais ter. Eu faria qualquer coisa por voc, Sara. Acredite nisso.
    Ele a beijou, longa e profundamente. Ela procurou ar e sorriu para ele.
    - Acho que posso tentar - disse ela.
    - Nos prximos 50 ou 60 anos. Apenas me d uma chance de mostrar a voc que no sou o tipo de cara que vai abandon-la. Estou nisso para a vida inteira. Nossa 
vida juntos. Acredite, meu bem - disse ele.
    - Eu acredito.
    - Talvez essa vida que vamos compartilhar no seja do jeito que pensamos quando nos casamos alguns meses atrs. Mas isso no quer dizer que no ser ainda melhor 
- disse ele.
    - Eu queria ser livre como um passarinho. Viajar e ver o mundo. Velejar e explorar e aprender uma outra lngua.
    - E voc pode. Podemos fazer isso dar certo sempre que quisermos. Enquanto estivermos juntos e formarmos uma famlia.
    - Eu o amo, Matt - disse ela.
    - Eu a amo, Sara. 
    - Ama?
    Ele franziu a testa.
    - Voc no precisa ficar to surpresa.
    - Voc nunca me disse isso antes. - Ela virou-se devagar, emoldurando o rosto dele com as duas mos. - Diga-me novamente, olhe para mim e diga novamente.
    - Eu a amo, Sara Tucker - disse ele solenemente, depois a beijou. Quando o beijo terminou, ele encostou a cabea na dela. - Com voc pde ter duvidado de meu 
amor?
    - A princpio, no duvidei, mas voc ficou to distante depois que contei sobre o beb.
    - Foi uma surpresa. Eu estava apavorado. At eu ler aquele livro sobre bebs no avio de volta para casa, no tinha certeza do quanto voc e eu podamos fazer 
exatamente... - ele se retraiu.
    Sara riu, o corao transbordando.
    - Podemos fazer o que quisermos, at as duas ltimas semanas.
    - Ento sou todo seu - disse ele, fazendo um carinho em seus cabelos. - Falei srio sobre Amber. Ela pode morar conosco. Por mim isso ser timo.
    - Oh, Matt, obrigada. Podemos deixar a situao se acalmar um pouco para Amber antes de tomar qualquer deciso de longo prazo. Ela pode verdadeiramente querer 
viver por conta prpria por um tempo, pelo menos at o beb nascer. Imagine duas crianas ao mesmo tempo. No posso acreditar que estou grvida ao mesmo tempo em 
que minha filha!
    - No posso acreditar que agora tenho de me acostumar com a idia de ser av antes mesmo de me tornar pai. A vida com voc, querida, no  nada como eu pensei 
que seria.
    - Mas vai ser boa, no vai? - Ela ainda queria garantias. Ele havia prometido am-la para sempre. Ela descobriu que esse seria o tempo certo.
    - Vai ser melhor do que boa. Vai ser a maior aventura de nossas vidas. Agora, o que voc acha de irmos para a cama? Quero fazer amor com minha mulher- disse 
Matt.
    Ela se levantou e segurou suas mos.
    - Tambm quero isso. Preciso me sentir amada, querida e viva. Estou triste por Jimmy. Meu corao di por minha filha. Mas no h nada mais que eu possa fazer 
por ela agora. Algo que signifique vida ser muito bem-vindo.
    Levantou-a em seus braos e levou-a pelo pequeno corredor at a cama estreita que seria deles naquela noite.
    - Vou confirmar nossa vida juntos todos os dias. Amo voc, Sara. Voc e nosso beb - disse Matt, como se fosse um juramento.
    O sorriso radiante que ela deu era to bonito quanto o do dia de seu casamento.
    
    Fim
    
Barbara McMahon                Their Pregnancy bombshell


Barbara McMahon                Depois daquela noite

Harlequin Romances n 13                                                                                                                            2


Projeto Revisoras, de fs para fs e sem fins lucrativos                                                                                   1
